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Negócios

Os planos da Monte Bravo para chegar a R$ 48 bilhões sob gestão

Empresa busca crescimento para surfar no que chama de a "Era das Assessorias"

Por Leo Guimarães

22/03/2024 | 3:00 Atualização: 22/03/2024 | 17:06

Mercado de agente autônomo vai consolidar como aconteceu nos EUA diz Filipe Portella da Monte Bravo. (Foto: Monte Bravo)
Mercado de agente autônomo vai consolidar como aconteceu nos EUA diz Filipe Portella da Monte Bravo. (Foto: Monte Bravo)

Com expectativa de começar a operar como corretora no segundo semestre deste ano – após receber aval do Banco Central –, a Monte Bravo enxerga a consolidação do mercado de assessorias de investimento e está fazendo sua parte para ser uma das vencedoras. 

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O escritório contratou este ano 25 novos assessores, trazendo mais R$ 4 bilhões para a companhia que possui R$ 37 bilhões em custódia, e agora pretende chegar aos R$ 48 bilhões sob gestão até o final do ano. “Serão pelo menos mais R$ 6 bilhões [até o fim de 2024] por meio de aquisições e atração de novos profissionais”, diz Filipe Portella, cofundador e CEO da Monte Bravo. 

  • Veja também: Como Rafael Ferri quer atingir R$ 5 bi em um negócio que “não dá dinheiro”

O movimento ocorre depois de um período de vacas magras para o setor, com as assessorias menores tendo dificuldade de se remunerar. “Todo mundo teve essa maré ruim nesses últimos anos. Estamos olhando escritórios bons para comprar e trazer para a Monte Bravo”, diz Portella.E olhando em perspectiva, o que se vê é um mercado em recuperação, com o cliente investidor buscando mais ativos de risco e mais orientação para melhorar seus rendimentos num cenário de queda de juros e fim de novas emissões de instrumentos bancários como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs).

Neste quadro, avalia o executivo, os assessores de investimento precisam se qualificar e ter uma estrutura de atendimento à altura das necessidades diversas do cliente. “Por isso eu acho que as assessorias pequenas não vão conseguir. O mercado financeiro é muito grande e um cara sentado sozinho não consegue dar todas as soluções”, opina. 

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A XP é sócia da Monte Bravo, com uma participação de 45%. Também é prestadora de serviço. A nova corretora vai usar a “cozinha” de custódia da XP e, na frente, a Monte Bravo vai ter autonomia para distribuir seus produtos financeiros e lançar novas soluções. Em janeiro, a instituição fez um follow-on (oferta subsequente de cotas) de um fundo de investimento imobiliário (FII) e, este mês, coloca no mercado uma renda fixa em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). “A corretora vai nos dar a possibilidade de focar no nosso público tendo por trás a tecnologia da XP”, diz. 

Movimento dos EUA vai se repetir no Brasil

A nova pernada da Monte Bravo acontece no que a equipe da companhia chama internamente de a “Era das Assessorias”. Portella vê acontecendo no Brasil o que já ocorreu nos Estados Unidos, onde os grandes bancos dominavam o setor financeiro até a década de 1990 e, depois, foram sendo desafiados pelas plataformas de investimento como Charles Schwab e Fidelity. Lá os chamados “independent advisers” (assessores independentes) ganharam muita força com os clientes. 

“Estamos nessa fase em que o mercado de agente autônomo, de assessoria independente, family office, wealth management (gestão de patrimônio) se espalhou muito. Vai ter uma consolidação, assim como aconteceu nos EUA.” Segundo ele, 2% das firmas de assessoria de investimento têm mais de 90% do mercado norte-americano. 

Na visão de Portella, o segundo movimento neste caminho  da consolidação passa pelos modelos de remuneração e distribuição dos produtos financeiros. “Hoje, o cliente está mais qualificado e a maior exigência pede por um profissional melhor”, diz. Neste caso, cobrança de taxas fixas dos clientes é um modelo que tende a crescer, já que o assessor precisa estar alinhado mais tempo com as necessidades do investidor. 

  • Leia também: Entenda a remuneração do agente autônomo de investimentos

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