O Pátria vem comprando FIIs do RBR desde dezembro do ano passado, mas somente na última sexta-feira (6) que conseguiu finalizar o acordo por completo. Os efeitos práticos começam no pregão desta segunda-feira (9), quando os fundos da RBR passam oficialmente para a gestão do Pátria e têm seus nomes alterados.
O IFIX encerrou a semana com queda de 0,36%, devolvendo parte dos ganhos acumulados após um período de valorização mais forte. O movimento refletiu, principalmente, o desempenho negativo dos fundos imobiliários mais sensíveis à curva de juros. “Entre os destaques negativos estiveram os FOFs [fundos que compram cotas de outros fundos] e os fundos de papel“, aponta a XP, destacando quedas de 0,79% e 0,57%, respectivamente. Dentro desse grupo, os ativos de perfil high yield (alto rendimento) concentraram as maiores pressões.
Enquanto o Pátria absorve o RBR, o pano de fundo é de cautela
A leitura macro ajudou a moldar esse comportamento. A divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), na última terça-feira (3), reforçou a expectativa de início de um ciclo de flexibilização monetária a partir de março, em linha com o cenário traçado pelo time macro da XP. Ainda assim, o mercado seguiu cauteloso diante de fatores políticos e institucionais.
A possível indicação de Guilherme Mello para a diretoria do Banco Central permaneceu no radar e, segundo a casa, contribuiu para pressionar a parte longa da curva de juros, justamente o trecho ao qual os fundos imobiliários costumam apresentar correlação negativa mais intensa.
Nesse ambiente, os fundos de tijolo conseguiram um desempenho relativo melhor. Embora também tenham fechado a semana no negativo, a queda foi mais moderada, de 0,20%. O relatório destaca que os segmentos de shoppings e ativos logísticos ajudaram a sustentar o índice, com altas de 0,14% e 0,08%, respectivamente, enquanto os fundos híbridos recuaram 0,22% e os multiestratégia, 0,39%.
É nesse pano de fundo que a XP Investimentos chama atenção para um dos principais eventos corporativos no universo de FIIs, a conclusão da transação entre o Pátria e a RBR. Com o fechamento do acordo, “os fundos atualmente geridos pela RBR Gestão de Recursos passarão à gestão do Pátria e terão seus nomes alterados a partir do pregão de 9 de fevereiro”, destaca o relatório.
Impacto para os cotistas da RBR
Diferentemente de outras operações recentes no setor, como as envolvendo a VBI Real Estate, essa transação não inclui a migração da equipe de gestão da RBR para a nova gestora. Ainda assim, a avaliação da XP é que o impacto para os cotistas tende a ser limitado. A casa entende que “o Pátria conta com sinergias relevantes e sólida expertise para assumir as operações dos fundos adquiridos”, o que deve favorecer uma transição operacional mais suave.
A mensagem central do relatório é de que, embora haja uma troca de gestão, o risco para os cotistas será mitigado pela capacidade operacional do Pátria e por sua experiência prévia no segmento, o que deve ajudar a preservar a continuidade da execução das estratégias dos FIIs adquiridos da RBR.