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Mercado

BDRs de tecnologias são os mais negociados na B3 em 2021, diz estudo

O levantamento foi realizado pela Quantum, empresa de inteligência de dados voltada para o mercado financeiro

Por Daniel Rocha

02/12/2021 | 3:00 Atualização: 02/12/2021 | 9:25

O BDRs da Meta foi o mais negociado na bolsa brasileira neste ano, segundo a Quantum (Foto: Envato Elements)
O BDRs da Meta foi o mais negociado na bolsa brasileira neste ano, segundo a Quantum (Foto: Envato Elements)

Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) de empresas de tecnologia foram os ativos mais comprados por fundos de investimentos e corretoras na B3. É o que aponta um levantamento feito pela Quantum, empresa de inteligência de dados voltada para o mercado financeiro. O estudo analisou todos os 510 papéis disponíveis na bolsa de valores negociados durante os meses de janeiro a julho deste ano.

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As empresas Meta, Wilson Sons, Microsoft e a Amazon lideraram o ranking e foram as únicas com um valor investido superior a R$ 1 bilhão. Segundo João Vítor Freitas, analista da Toro, o interesse dos investidores se deve ao bom desempenho que as Big Techs têm no mercado global nos últimos anos. “As big techs ganharam muita relevância no mercado global e cada vez possuem um maior peso no S&P 500, principal índice acionário dos EUA”, explica.

Há outro fator que também explica a alta procura por essas companhias. Thiago Lobão, fundador e CEO da Catarina Capital, avalia que os investidores brasileiros não possuem opções semelhantes de empresas de tecnologia listadas no mercado brasileiro. “Se você for olhar as empresas de capital aberto na B3, são empresas de nicho e não empresas de grandes conglomerados de tecnologia, como a Meta, a Apple e a Amazon”, acrescenta.

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A Aura Minerals foi a única empresa fora do setor de tecnologia que conseguiu ficar entre as dez mais negociadas. Ao contrário das Big Techs, a companhia é uma mineradora canadense com o foco na exploração de projetos de ouro e outros metais preciosos no continente americano.

Segundo Rafael Rovai, analista da Inside Research, o destaque se deve às perspectivas de crescimentos previstas para a companhia nos próximos anos. Além disso, é vista pelos investidores como uma alternativa de investimento direto em ouro. “A empresa possui projetos de expansão das minas já em operação, que podem dobrar a produção até 2025, além de novos projetos em desenvolvimento”, explica.

Os BDRs mais comprados na B3 neste ano, segundo a Quantum

Posição Empresa Valor Investido N. Gestoras comprando N. Fundos comprando
1 META INC R$ 1.125.621.364,77 54 85
2 WILSON SONS LIMITED R$ 1.054.965.952,70 31 54
3 MICROSOFT CORPORATION R$ 1.025.578.571,35 45 77
4 AMAZON.COM, INC R$ 1.020.665.694,19 56 89
5 APPLE INC. R$ 959.522.584,81 44 76
6 ALPHABET INC R$ 909.262.317,99 53 90
7 AURA MINERALS INC. R$ 821.944.503,52 63 150
8 MERCADOLIBRE INC R$ 789.038.952,17 113 314
9 NVIDIA CORP R$ 408.430.892,45 29 48
10 NETFLIX, INC. R$ 383.005.369,15 24 38

BDRs são bons investimentos?

Os BDRs são certificados de depósitos emitidos e negociados no Brasil que representam empresas ou mercados de bolsas de outros países.

O diferencial desse tipo de investimento é a facilidade que o investidor tem para expor a carteira de investimentos ao mercado internacional. “É muito mais fácil para o investidor investir em BDRs se quiser investir em empresas internacionais do que abrir uma conta lá fora”, explica Rafael Bombini, especialista em renda variável da EWZ.

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Desde outubro do ano passado, o acesso a esse mercado ficou mais fácil para o investidor com a redução das exigências para investir. Antes da mudança, as ações de empresas estrangeiras eram restritas a quem tinha pelo menos R$ 1 milhão investidos.

Hoje, qualquer investidor pessoa física pode investir em BDRs. “Não é necessário ter capital mínimo investido. Você pode procurar um BDR com um valor que cabe em seu orçamento. Qualquer pessoa com uma conta em uma corretora pode comprar”, informa Paula Zogbi, analista de investimentos da Rico

Embora ofereça mais praticidade aos investidores e a possibilidade de diversificar a carteira em empresas do exterior, Rovai, da Inside Research, aponta algumas desvantagens desse tipo de aplicação. Um deles é que o recurso investido continua no Brasil, o que significa que está sujeito às volatilidades do mercado doméstico. “Como os BDRs estão listados aqui (no Brasil), eles têm exposição ao risco do país (de origem) e da própria ação”, esclarece.

Já Matheus Spiess, analista da Empiricus, acredita que os BDRs precisam se desenvolver ainda mais para se tornar boas opções de investimentos no exterior. Por enquanto, a baixa liquidez que os ativos oferecem impede que sejam a melhor opção para o investidor. “Por isso, a gente (Empiricus) prefere em um primeiro momento investimentos em contas no exterior e até em fundos de investimento”, explica.

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Os tipos de BDRs 

BDR patrocinado BDR não patrocinado
  • São BDRs emitidos por uma instituição depositária contratada pela companhia estrangeira emissora dos valores mobiliários
  • São BDRs emitidos por uma instituição depositária, sem a participação da companhia estrangeira emissora dos valores mobiliários

 Fonte: B3

Recomendações

Há opções de BDRs que podem ser interessantes ao investidor que pretende diversificar sua carteira com ativos internacionais. A Inside Research, por exemplo, recomenda a compra de BDRs da Abbvie, uma empresa farmacêutica norte-americana com foco em pesquisa.

Segundo a corretora, há uma expectativa de expansão da companhia para diversos mercados globais com os investimentos em pesquisa para a descobertas de novos tratamentos para inúmeras doenças. “O ponto negativo é que a liquidez das BDRs da Abbvie é relativamente baixa, com média diária de R$ 140 mil (considerando os últimos 30 dias)”, informa Rafael Rovai, analista da Inside Research.

Outra recomendação é o BDR do Mercado Libre (MELI / MELI34) que se destaca em um cenário de consolidação do varejo on-line. “Hoje, vemos o MELI como o principal player em relação ao conjunto de soluções; com uma ampla rede logística, forte presença em meios de pagamento e um ambiente cada vez mais robusto em soluções de crédito”, acrescenta.

As Big Techs são as principais recomendações da Empiricus para a compra de BDRs. Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus, Microsoft, Apple e a Amazon são as mais recomendadas pela casa. “Nós entendemos que entre as empresas acessíveis com liquidez as Big Techs são nomes muito atrativos aos valuations atuais”, ressalta.

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Já a Toro Investimentos recomenda a compra de BDRs da Meta, Walt Disney, Chevron e do Booking.

 

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