DÓLAR R$ 5,64 -0,73% EURO R$ 6,72 -0,61% ITUB4 R$ 26,85 +0,79% MGLU3 R$ 21,66 -0,05% BBDC4 R$ 25,35 +0,60% PETR4 R$ 24,22 +2,41% ABEV3 R$ 15,49 +0,85% IBOVESPA 118.359,47 pts +0,59% GGBR4 R$ 31,38 +0,84% VALE3 R$ 103,29 +0,28%
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Mercado

O que esperar da joint venture da Taurus com uma automotiva

Entre o dia do anúncio e esta terça-feira (2), os papéis subiram 11,87%.

A brasileira de armamentos Taurus é uma das maiores fabricantes de armas no mundo. Foto: Diego Vara/Reuters
  • Entre a sexta e esta terça-feira, 2, as ações subiram 11,87%
  • Especialistas avaliam, contudo, que a continuidade dessa animação na bolsa é incerta devido à falta de clareza no novo negócio
  • Os detalhes sobre o projeto devem ser definidos até 30 de setembro deste ano, prazo para as partes concluírem os estudos de viabilidade da joint venture e o plano de negócio

Desde a última sexta-feira (29), quando a Taurus Armas S.A (TASA4) anunciou que constituirá uma joint venture com uma empresa brasileira do ramo automotivo para a fabricação de acessórios para armas leves no Brasil, as ações da empresa saltaram no Ibovespa.

Entre o dia do anúncio e esta terça-feira (2), os papéis subiram 11,87%. Especialistas avaliam, contudo, que a continuidade dessa animação na bolsa é incerta devido à falta de clareza no novo negócio.

Segundo o comunicado, o projeto é mais um passo no processo de reestruturação da Taurus, “baseado em rentabilidade sustentável, qualidade e melhora dos indicadores financeiros e operacionais, com forte investimento no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias, além da entrada em um novo segmento de negócio.”

Os detalhes sobre a empreitada devem ser definidos até 30 de setembro deste ano, prazo para as partes concluírem os estudos de viabilidade da criação da joint venture e o plano de negócios a ser desenvolvido, bem como estabelecer as condições necessárias à efetivação do novo negócio.

O papel da empresa já recebeu oferta máxima de R$ 5,12 nesta quarta-feira (3) até o meio dia. A alta começou na sexta-feira, 29, quando a empresa encerrou o pregão com ação a R$ 4,38 no Ibovespa. A crescente se manteve ao longo desta semana. Na segunda-feira, 1º, o papel foi negociado a R$ 4,81, e chegou a R$ 4,90 no final desta terça-feira, 2 – um aumento de 11,87%.


O head de renda variável da Vero Investimentos, Fábio Galdino, explica que as ações da Taurus são menos negociadas atualmente, e que o papel sofreu muito por questões de governança. “É um papel restrito de liquidez”, avalia Fábio. Em contrapartida, o especialista ressalta o histórico da empresa de “boa pagadora de dividendos” , independente dos altos e baixos na gestão.

A empresa ganhou bastante notoriedade e teve uma alta histórica durante as eleições do presidente Jair Bolsonaro, que em sua campanha prometeu facilitar as regras de posse e porte de armas no Brasil.

A avaliação dos especialistas sobre o projeto

O analista da Ativa Investimentos, Ilam Arbetman, comenta que esse anúncio da entrada Taurus em um mercado que considera novo, focando na produção de peças para armamento leve, trouxe animosidade aos investidores, mas a falta de detalhes deixa as percepções em um campo especulativo.

“A receptividade é boa, mas acho que o documento carece de mais informações à respeito do tamanho do negócio. A gente sabe que quando duas firmas se juntam para fazer uma joint venture, elas estão ali para dividir riscos e ganhos”, diz Ilam. “Sem saber exatamente o tamanho da empreitada fica difícil de se calcular quais são os riscos.”

Fábio, da Vero Investimentos, também vê a notícia como positiva, mas reitera que os detalhes incipientes para avaliar quais impactos a composição o novo projeto poderia trazer, por exemplo, aos acionistas minoritários da fabricante de armas.

“É preciso ver qual o final da configuração do negócio, quem é essa empresa (automotiva), se os dispositivos de segurança, de blindagem, são possíveis de serem colocados em conjunto. Essa parte de desenvolvimento de projeto também vai ser algo relevante, o quanto isso vai custar, qual é o investimento”, avalia.

Mas um sinal de bons ventos, de certo modo, se concentra no atual contexto, para o analista da Ativa, uma vez que neste momento de crise, quando as companhias focam os esforços para a subsistência e a preservação de caixa, duas empresa optam por uma parceria.

“Duas firmas de mundos antagônicos empreendendo juntas e dando um passo importante na consolidação de um projeto mostra para o mercado que elas estão muito confiantes no sucesso do projeto. Essa transmissão de confiança também foi um dos ingredientes que fizeram a ação crescer ao longo desses últimos dois dias de pregão”, diz Ilam.

Os diferenciais para atrair os investidores

Sabe-se que um novo projeto sairá da embalagem, mas ainda não se sabe que tipo de joint venture será criada e se uma nova marca surgirá. De todo modo, Galdino destaca que o mais importante em um negócio desse gênero, ao menos para trazer uma segurança inicial para quem quer investir, é a questão de governança corporativa.

“Qualquer atividade que envolva outra joint venture, ou outra composição societária, a primeira coisa que o mercado vai olhar é governança corporativa. Isso é o que dá segurança e estabilidade para o acionista minoritário”, diz Galdino.

Para isso, o especialista em renda variável lembra da importância da clareza dos procedimentos de mercado, administrativos e financeiros, a fim de ter mais transparência sobre o negócio. Vale destacar que as participações devem visar sempre a equidade dos acionistas, sejam eles minoritários ou não.

A Taurus atua em um setor de mercado bastante seleto, o de armamentos. Dos três nichos para os quais produz armas – militar, policial e civil -, os dois primeiros têm demanda mais perene e não sofrem tanto com variáveis macro. Já o mercado civil, do contrário, tem uma correspondência com a situação econômica do país.

“É de se pensar que com a melhora das condições do país, algumas variáveis, como emprego e renda, a gente possa ter um ímpeto, uma demanda maior por tais produtos. De certa forma, esse tempo de standby pode ser para esperar até que se possa ter uma noção melhor à respeito da economia como um todo”, sublinha Ilam.

De todo modo, para qualquer um dos nichos, o analista da ativa lembra que é necessário aguardar como se dará a aceitabilidade dos produtos.

O que podemos esperar do modelo de negócio?

O mercado acompanha as mudanças que o munda ainda não é capaz de sentir, como as demandas e as formas de consumo das pessoas na vida pós-pandemia.

“Temos que abandonar as nossas premissas. Podemos ver mudanças numa série de produtos e demandas do consumidor. Será necessário entender qual é o projeto que está sendo disponibilizado para frente”, afirma. “Qual é a mudança significativa que está sendo incluída em uma empresa produtora de armas?”, provoca Galdino, da Vero Investimentos.

Mas o especialista arrisca que experiências de fora podem indicar um caminho. “Hoje a gente tem no exterior, em carros de maior valor agregado e mais sofisticados, itens de proteção e de segurança de outras empresas, que não foram produzidos pela própria montadora.”

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