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Taurus (TASA4): fim das tarifas de Trump e conflito no Oriente Médio podem destravar ação e dividendos?

Analistas veem melhora na competitividade da Taurus após redução das tarifas nos EUA, mas alertam que dívida elevada pode adiar dividendos mais robustos

Por Katherine Rivas

10/03/2026 | 5:30 Atualização: 09/03/2026 | 20:39

 Foto: Divulgação Taurus
Foto: Divulgação Taurus

Nos últimos anos, a Taurus (TASA4) enfrentou uma tempestade perfeita. Após sair com sucesso de uma reestruturação que durou três anos (2018-2021), a companhia dava seus primeiros passos para integrar o grupo de boas pagadoras de dividendos da Bolsa brasileira. Mas alguns imprevistos, fora do controle da empresa, desviaram esse caminho.

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A fabricante de armas, que almejava pagar dividendos trimestrais, foi afetada pelas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, que pressionaram sua operação. Em 2025, sob a sombra das tarifas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, a Taurus entrou no olho do furacão ao ser diretamente impactada pelas exportações para o país norte-americano, um de seus principais mercados.

As ações sentiram rapidamente o peso desses eventos. Um estudo exclusivo do TradeMap para o E-Investidor mostra que, desde o anúncio das primeiras tarifas de Donald Trump em abril de 2025, de 10%, as ações TASA3 e TASA4 recuaram 20,55% e 20,19%, respectivamente.

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A queda se aprofundou quando as taxas foram elevadas para 50%, com as ações ordinárias acumulando baixa de 20,88% e as preferenciais TASA4 de 13,51%.

O fim das tarifas e o estabelecimento de uma taxa provisória de 10%, porém, reverteram a tendência. A partir de 20 de fevereiro, quando a Suprema Corte dos EUA derrubou o tarifaço, as ações da Taurus chegaram a saltar 12,84%. Veja abaixo:

Embora a fabricante ainda esteja sujeita a uma taxa provisória de 10%, a derrubada das tarifas traz efeito positivo para a companhia em margens, ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e lucro líquido.

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Segundo a Taurus, os resultados não devem ser imediatos, mas podem ser percebidos ainda neste ano. A grande dúvida do mercado é se a companhia voltará ao caminho de boa pagadora de dividendos ou se outros fatores devem ganhar prioridade.

Gestão avalia o fim das tarifas

Salesio Nuhs, CEO da Taurus, explicou ao E-Investidor que a eliminação das tarifas de 50% tende a ter impacto positivo nas margens, Ebitda e lucro líquido da empresa. “Durante o período em que as tarifas estavam em vigor, pagamos aproximadamente US$ 18 milhões, o que afetou diretamente nosso caixa e resultados”, afirma.

Nuhs destaca que, além do custo extra de US$ 18 milhões, a taxação reduziu o ritmo de vendas da Taurus nos Estados Unidos desde abril de 2025. “Portanto, o principal efeito da mudança tarifária ocorre na rentabilidade e não no volume de receitas”, diz o CEO.

Segundo a Taurus, mesmo com a taxa provisória de 10%, os investidores já devem começar a sentir de forma mais clara o efeito da redução das tarifas a partir dos resultados do 2º trimestre de 2026.

Analistas avaliam sinais de reversão

Para Carlos Herrera, analista da Condor Insider, a redução e possível fim das tarifas de Trump têm efeito duplo sobre a empresa: melhora estrutural de competitividade e recuperação de caixa por meio de crédito.

Na visão de Herrera, o tarifaço inviabilizou a exportação de armas longas para os Estados Unidos, levando a empresa a suspender envios e vender apenas estoques que já estavam internalizados no mercado americano.

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Com a remoção da sobretaxa, o analista vê espaço para a companhia voltar a abastecer esse produto e recuperar volume e receita em armas longas. A operação nos EUA, diz ele, estava limitada por logística e custo, e não apenas pela demanda.

Herrera também aponta ganho de competitividade, já que a Taurus adotou medidas defensivas para manter as vendas, como ajuste de preços de transferência, reconfiguração logística e migração de montagem. “Essas medidas continuam valendo, mas agora você remove o choque negativo das tarifas, preservando os ganhos de adaptação. A tendência é a Taurus ficar mais competitiva do que antes”, defende.

Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, avalia que os efeitos de uma tarifa menor devem aparecer em um ou dois trimestres, com reprecificação de pedidos, mix e estoques. Para dividendos, porém, sinais positivos devem surgir apenas no médio prazo.

De acordo com ele, o cenário ideal seria o fim das tarifas. Com uma taxa de 10%, a empresa ainda teria de repassar preços, com risco de perder volume, ou absorver parte do custo, pressionando as margens.

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Sobre eventual reembolso dos US$ 18 milhões pagos em tarifas, Simão avalia que o processo tende a ser demorado. “Se reembolsado ou restituído, será um evento pontual de caixa e não se tornará um dividendo estrutural”, afirma.

Endividamento preocupa

Apesar de não estar tão complexo como na reestruturação, o endividamento da Taurus segue elevado. Em 2024, era de 1,8 vezes e subiu para 2,95 vezes com a pressão das tarifas.

Marco Saravalle, estrategista-chefe da MSX Invest, destaca que o aumento foi natural, mas pode se agravar com os empréstimos de R$ 150 milhões na linha do Brasil Soberano.

Herrera, da Condor, considera o diagnóstico de alerta, embora a empresa busque linhas de financiamento semelhantes para dar mais liquidez. Ele projeta alavancagem de 5 vezes dívida líquida sobre ebitda ao fim de 2025. O balanço anual da Taurus será divulgado em 24 de março.

Para os analistas consultados pelo E-Investidor, “não há como afirmar que o endividamento está totalmente equacionado” ou que deixou de ser preocupação para o investidor.

Dividendos


Um dos principais questionamentos do investidor pessoa física é quando a Taurus retomará pagamentos atrativos de proventos ou se seguirá apenas o mínimo da sua política de 35% do lucro líquido (payout).

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Marco Saravalle, da MSX Invest, destaca que a capacidade de pagar dividendos extraordinários depende da geração de caixa e da estabilidade financeira da companhia. “A empresa comentou a analistas que está temporariamente restrita de pagar dividendos extras por conta do empréstimo da linha Brasil Soberano. Não teremos dividendos extras enquanto durar o período e as obrigações do empréstimo, que vão até dezembro de 2026”, explica.

Saravalle é otimista para ganho de capital, mas projeta apenas 3% de retorno em dividendos para TASA4 em 2026.

Herrera, da Condor, é mais pessimista e espera 0%, considerando que a alavancagem pode atingir 5 vezes o ebitda, com a empresa preservando caixa em um ambiente ainda imprevisível. “O efeito nos dividendos só será relevante a partir de 2027 ou 2028. A Taurus ainda opera sob alta incerteza nos Estados Unidos e no Brasil, e as eleições podem gerar volatilidade”, afirma. Ele classifica a companhia como uma “pimentinha”, com potencial de valorização, mas sem ser uma vaca leiteira até 2027.

Simão, do Hub do Investidor, concorda e projeta 0% em dividendos para 2026. Mesmo com a redução das tarifas, ele alerta que o mercado precisará ver normalização do lucro recorrente, disciplina nos estoques e gestão de capital de giro antes de esperar distribuição de dividendos consistente.

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A Taurus, questionada, diz que ainda é prematuro fazer novas projeções de dividendos. “Mantemos a política de distribuição de cerca de 35% do lucro líquido da empresa”, afirma Nuhs. No passado, o CEO chegou a mencionar que proventos poderiam ser anunciados em 2026, mas pagos apenas em 2027, diante do efeito de tarifas, mas sem nova confirmação oficial da empresa sobre o assunto.

Guerra no Oriente Médio faz preço?

O aumento das tensões geopolíticas e a guerra entre EUA e Irã levantam questionamentos sobre possível aumento de vendas para a Taurus.

Para os analistas consultados, o impacto é limitado, pois a linha bélica da empresa é pouco relevante para a receita. Herrera reforça que o principal mercado continua sendo os EUA, com vendas focadas no segmento civil.

Saravalle destaca que eventos como a guerra no Oriente Médio podem reforçar a importância de investir em defesa, oferecendo oportunidade para a Taurus ampliar sua presença no segmento militar e institucional no longo prazo.

Segundo o CEO da Taurus, os impactos da guerra no Oriente Médio são indiretos, podendo elevar a percepção de risco entre consumidores e influenciar a demanda de armas no mercado civil americano.

Já em relação às eleições presidenciais, o impacto em receita também não deve ser significativo, mas quem sente os efeitos são as ações, que diante da volatilidade e incertezas podem destravar valor ou despencar. “Pode afetar as ações, mas não o operacional da companhia. O Brasil é pouco representativo para Taurus e mesmo com forte crescimento, não teria impacto em mais de 20% das receitas”, diz Saravalle.

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