O Ibovespa subiu 1,4%, para 183.447 pontos. Os preços do petróleo despencaram nesta terça-feira (10), caindo mais de 11%, após Trump afirmar que a guerra no Oriente Médio pode terminar em breve e mencionar a possibilidade de aliviar sanções relacionadas à commodity. Trump disse ontem (9) ter conversado com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que apresentou propostas para uma solução política e diplomática rápida para o conflito.
O alívio nas cotações do petróleo melhorou o humor global: as bolsas europeias fecharam em alta acima de 1% e o dólar perdeu força frente a outras moedas. Com a divisa americana mais fraca, metais como ouro e prata subiram, movimento associado menos à busca por proteção e mais à redução das preocupações com inflação e custos de energia caso a guerra tenha um desfecho próximo.
Apesar do tom mais otimista, as tensões permanecem elevadas. Trump afirmou que os Estados Unidos reagirão com “20 vezes mais força” caso o Irã bloqueie o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. A Guarda Revolucionária iraniana declarou que Teerã decidirá quando o conflito terminará.
No campo militar, o Irã lançou drones contra Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita e Kuwait (parte deles interceptada) enquanto Israel e Hezbollah voltaram a trocar tiros no Líbano. Desde 28 de fevereiro, o conflito já deixou cerca de 1,2 mil mortos no Irã, 397 no Líbano e 11 em Israel.
Na Ásia, as bolsas fecharam em alta acompanhando a melhora do sentimento global e dados econômicos positivos na China, onde exportações e importações vieram acima das expectativas.
O cenário doméstico
No Brasil, a alta do minério de ferro na China ajudou o Ibovespa a compensar a pressão negativa da queda do petróleo sobre as ações da Petrobras. As ações ordinárias da petroleira (PETR3) recuaram 0,19% a R$ 46,66, enquanto as preferenciais (PETR4) caíram 0,53%, para R$ 42,93. Os papéis da Vale (VALE3), também de grande peso para o Ibovespa, avançaram 1,64%.
No exterior, o ETF brasileiro EWZ subiu 1,16%, enquanto os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem negociar nos EUA ações não americanas) da Vale avançaram 1,96%.
A fraqueza global do dólar também favoreceu o real em um dia de agenda doméstica fraca, enquanto os juros futuros ficaram sem sinal único. Na segunda-feira (9), as taxas recuaram diante das falas de Trump sobre a possibilidade de um fim rápido para o conflito, movimento que reforçou no mercado a expectativa de corte de 0,5 ponto percentual na Selic na reunião do Copom da próxima semana.
No campo político, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), antecipou sua saída do governo. O atual secretário-executivo, Dario Durigan, deve assumir o comando da pasta, enquanto o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, é cotado para ocupar o posto de número dois, com aval do Palácio do Planalto.
Ainda na agenda diplomática, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, sobre cooperação em energia e relações econômicas. Lula também a convidou para visitar o Brasil e participar de um evento empresarial entre junho e julho, convite que foi aceito.
Bolsas globais e índices financeiros
Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda, pressionados pelas declarações de Trump sobre um possível fim próximo da guerra e a chance de flexibilização de sanções. Em meio às tensões, uma declaração do Irã de que poderia bloquear exportações enquanto estiver sob ataque chegou a reduzir momentaneamente o ritmo de queda. O barril do WTI para abril caiu 11,9%, a US$ 83,45, enquanto o Brent para maio recuou 11,2%, na faixa de US$ 87,8.
Os índices de Nova York encerraram sem direção única. O Dow Jones caiu 0,07%, o S&P 500 recuou 0,21% e o Nasdaq ganhou 0,01%.
Na Europa, a Bolsa de Londres fechou em alta de 1,59%, a 10.412,24 pontos; a da Alemanha subiu 2,25%, a 23.935,32 pontos; a da França ganhou 1,79%, a 8.057,36 pontos; a da Itália avançou 2,67%, a 45.201,69 pontos; a da Espanha subiu 3,04%, a 17.443,60 pontos; e a de Portugal teve alta de 1,67%, a 9.023,78 pontos.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram. O juro da T-note de 2 anos avançou para 3,585%, enquanto o da T-note de 10 anos subiu para 4,151% e o do T-bond de 30 anos teve alta a 4,784%.
O dólar perdeu força frente a outras moedas fortes, com o índice DXY recuando 0,35% aos 98,826 pontos. O euro caiu a US$ 1,1615, a libra cedeu para US$ 1,3418 e o dólar subiu a 158,10 ienes.
As bolsas asiáticas fecharam em alta, recuperando parte das perdas da véspera com a queda do petróleo e o alívio no sentimento global. O Kospi saltou 5,35% em Seul, o Nikkei subiu 2,88% em Tóquio, o Hang Seng avançou 2,17% em Hong Kong e o Taiex ganhou 2,06% em Taiwan. Na China continental, o Xangai Composto subiu 0,65% e o Shenzhen avançou 1,84%, também impulsionados por dados de comércio exterior acima das expectativas. Na Austrália, o S&P/ASX 200 avançou 1,09%.
*Com informações do Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet