De acordo com os analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabbris, do BTG Pactual, “a velocidade de vendas segue sólida, mas o fluxo de caixa decepcionou”. No Brasil, a companhia consumiu R$ 29 milhões em caixa, com desempenho negativo em todas as suas marcas (MRV, Urba e Luggo).
Segundo eles, a expectativa é que a maior parte da geração de caixa ocorra no quarto trimestre, de modo a cumprir o guidance (metas) anual. Parte do desempenho mais fraco foi atribuída a atrasos em programas regionais, que impactaram o caixa em cerca de R$ 93 milhões, além de mudanças no processo de transferências da Caixa Econômica Federal, com efeito negativo adicional de R$ 30,7 milhões.
Qual o novo preço-alvo?
Mesmo com o desempenho aquém do esperado, o BTG Pactual mantém recomendação de compra para as ações da MRV, com preço-alvo de R$ 12. Para o banco, os papéis “continuam com desconto, negociados a 0,8 vez o preço sobre o valor patrimonial (P/VP)” e há “enorme potencial de valorização assim que os resultados se normalizarem”.
Outros bancos também reagiram com cautela. O Citi classificou os números como “pouco inspiradores”, destacando que a expectativa era de uma geração de caixa mais robusta, sustentada por um ritmo de repasses mais forte. O Itaú BBA seguiu na mesma linha, avaliando que os resultados foram “fracos” e que o consumo de caixa em todos os segmentos “reforça o desafio operacional” da companhia.
O impacto se espalhou pelo mercado. As ações da MRV (MRVE3) hoje chegaram a abrir em queda superior a 4%, intensificando as perdas após passarem por leilão devido à oscilação máxima permitida, em operação que envolveu 26,7 mil papéis, a R$ 6,85, entre BTG Pactual (comprador) e UBS Brasil (vendedor).
*Com informações do Broadcast