O impacto já aparece nos principais indicadores: o retorno sobre o patrimônio (ROE) recuou para 7,3%, bem abaixo dos 16,7% de um ano antes, enquanto o banco cortou sua projeção de lucro para 2026, agora entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, e elevou de forma significativa a estimativa de custo do crédito, diante da piora na qualidade da carteira.
A deterioração da carteira ficou mais evidente no agronegócio, principal foco de preocupação do banco. A inadimplência acima de 90 dias no segmento saltou para 6,22% no primeiro trimestre, mais que o dobro do registrado um ano antes, contaminando o indicador consolidado, que chegou a 5,05% — bem acima dos 3,63% de março de 2025.
“O lucro do primeiro trimestre evidencia a forte capacidade de geração de negócios do Banco do Brasil, ao mesmo tempo em que reflete um ambiente mais desafiador para o risco de crédito, com maior pressão especialmente na carteira de agronegócios“, afirma Tarciana Medeiros, presidente do BB.
O banco federal revelou também o lucro líquido contábil, que ficou em R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre, queda de 54,4% na comparação anual.
O BB encerrou março com R$ 2,6 trilhões em ativos, alta de 7,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A taxa de inadimplência da carteira de crédito do Banco do Brasil ficou em 5,05% no primeiro trimestre de 2026, ante 3,63% em igual período de 2025 e 5,17% no quarto trimestre de 2025. Os números consideram os atrasos acima de 90 dias.
O banco divulgou também a inadimplência para atrasos acima de 30 dias, que ficou em 6,51% no primeiro trimestre, ante 5,14% um ano antes e 6,84% no quarto trimestre de 2025.
“Entre as medidas para enfrentar o ciclo de agravamento da inadimplência do agronegócio, ampliamos e evoluímos no uso de garantias por alienação fiduciária e revisamos as esteiras de cobranças. Nos primeiros meses de 2026, já dobramos o número de judicializações realizadas durante todo o ano passado”, diz Tarciana.
Revisões de projeções para 2026
O Banco do Brasil (BB) detalhou também as revisões de projeções para 2026. O guidance para Lucro Líquido Ajustado foi reduzido de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para o intervalo entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, sendo que apenas no primeiro trimestre, o banco alcançou R$ 3,4 bilhões.
Já a expectativa para o Custo do Crédito aumentou de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões. A previsão para Margem Financeira Bruta, por sua vez, saiu de 4% a 8% para 7% a 11%.
O banco manteve as estimativas divulgadas anteriores para Carteira de Crédito, Carteira Sustentável, Receitas de Prestação de Serviços e Despesas Administrativas.
O BB ressaltou que as projeções corporativas refletem as expectativas atuais da administração e não constituem garantia de desempenho futuro.
“Por serem dependentes das condições de mercado e do desempenho econômico (doméstico e internacional) e estarem sujeitos a riscos e incertezas, inclusive fora do controle da administração, os resultados e performances efetivos podem divergir daqueles previstos nas projeções”, informou em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
BB: Inadimplência (acima de 90 dias) fica em 5,05% no 1T26, ante 3,63% no 1T25
A taxa de inadimplência da carteira de crédito do Banco do Brasil ficou em 5,05% no primeiro trimestre de 2026, ante 3,63% em igual período de 2025 e 5,17% no quarto trimestre de 2025. Os números consideram os atrasos acima de 90 dias.
O banco divulgou também a inadimplência para atrasos acima de 30 dias, que ficou em 6,51% no primeiro trimestre, ante 5,14% um ano antes e 6,84% no quarto trimestre de 2025.
Na carteira destinada ao agronegócio, o índice de inadimplência ficou em 6,22% ao fim do primeiro trimestre, ante 2,76% há um ano e 6,09% em dezembro de 2025, pelo critério de atrasos superiores a 90 dias.
Na carteira de crédito destinada a pessoas físicas, a inadimplência acima de 90 dias encerrou março em 6,82%, ante 5,1% há 12 meses. A carteira de pessoas jurídicas apresentou inadimplência de 2,87% ao final do primeiro trimestre, ante 3,71% em março de 2025, também acima de 90 dias.
“Gostaríamos de oferecer lucro maior a nossos acionistas”
O vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Geovanne Tobias, afirmou hoje que o banco já esperava que pudesse registrar um lucro menor no primeiro trimestre, em meio aos efeitos sazonais e a pressão contínua na carteira do agronegócio.
“Gostaríamos de estar oferecendo um lucro maior para os nossos acionistas, mas ao olhar os detalhes da formação desse resultado, eu considero os dados extremamente positivos”, afirmou Tobias, em vídeo publicado no site do BB.
O executivo destacou, em particular, a margem financeira, que subiu 14,8% em base anual, para R$ 27,426 bilhões no trimestre. Segundo ele, a melhora aconteceu mesmo com a sazonalidade típica do período, que tende a pressionar essa linha no começo do ano. “Isso demonstra que estamos crescendo os negócios e fazendo mais negócios com os clientes”, ressaltou.
O vice-presidente de Gestão Financeira (CFO) disse ainda que a motivação da revisão de algumas das projeções do BB para 2026, como o custo de crédito e o lucro líquido, não levou em conta o que aconteceu no primeiro trimestre, mas dos períodos posteriores.
Carteira do agronegócio do BB: “Maior ofensor”
O agronegócio ainda é o que gera mais cautela e com o maior risco, mas houve um elemento novo que foi um reforço prudencial nas provisões da pessoa física, por conta do alto endividamento das famílias, ressaltou o executivo em vídeo divulgado junto com o balanço. “A carteira do agronegócio do BB, sem dúvida alguma, é o maior ofensor, em termos de risco do crédito. A minha recuperação ainda não pegou tração”, disse ele.
O BB teve recuperação de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, mas esperava um nível de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões por trimestre. “As esteiras ainda estão sendo normalizadas.” Há ainda um elemento novo, que é a carteira da pessoa física, dado o agravamento do risco, em função do maior endividamento das famílias, ressaltou Tobias. “Já nos antecipamos e reforçamos a provisão, principalmente para a carteira de cartão de crédito.”
Nesse ambiente, a inadimplência curta (30 dias) do banco aumentou e tende a migrar para os indicadores para atrasos acima de 90 dias, ressaltou o executivo. O Novo Desenrola, programa do governo para renegociar dívidas, pode ajudar, mas ainda é cedo para ver os impactos, completou. “O que mais nos traz cautela é a carteira de agronegócios”, disse Tobias, ressaltando que o risco continua muito elevado.
Tobias lembrou que no começo do ano passado, o banco suspendeu os guidances, porque não tinha clareza sobre o que estava acontecendo no agronegócio. “Agora é totalmente diferente”, disse no vídeo, ressaltando que o BB tem avaliado as carteiras dentro das operações que foram renegociadas, mais antigas, e que continuam com patamar de pontualização aquém do que o banco considera ideal para recuperar o nível de risco.
As novas safras agrícolas – 2025/2026 – já com empréstimos com garantias mais robustas, como alienação fiduciária, apresentam um índice de pontualização melhor, mas não o suficiente para justificar o guidance, ressaltou Tobias. “Tudo o que estamos fazendo é para normalizar essa carteira.”
A expectativa para custo do crédito do BB em 2026 aumentou de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.