

O Banco Master tem alguns bilhões de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) a vencer no curto prazo, apesar de focar suas captações junto a pessoas físicas com prazos que chegaram a variar entre cinco anos e oito anos.
Os números do balanço de 2024, que acaba de ser publicado, mostram a existência de R$ 7,6 bilhões em papéis vencendo apenas de janeiro a junho de 2025. Ao todo, neste ano, os compromissos chegam a R$ 12,4 bilhões.
O total de depósitos a prazo do banco chegou a R$ 49 bilhões, sendo a grande maioria composta por CDBs do Master, Voiter e WillBank – esses dois últimos bancos foram comprados no ano passado. O total de depósitos deu um salto em relação a 2023, quando estava em R$ 30 bilhões, que por sua vez já mostrava expansão acelerada em relação a outros períodos. Os dados mostram o rápido avanço do banco na captação de recursos com títulos vendidos à pessoa física. Em 2020, o total dos depósitos a prazo estava em R$ 5 bilhões.
Em meio a esses compromissos de curto prazo, o banco de Daniel Vorcaro foi esbarrando em dificuldades para diversificar seu funding (captação), por conta das notícias negativas sobre o banco que começaram a vir a público.
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Ao mesmo tempo, começou a sentir pressão sobre sua operação, com o aperto das normas pelo Banco Central (BC) para reduzir a dependência da captação via CDBs, seguido de restrição à distribuição desses papéis por plataformas de investimento, como as da XP e BTG Pactual.
Diante disso, o Master tentou vender letras financeiras no mercado a gestoras, sem sucesso, e chegou então aos fundos de previdência de servidores estaduais e municipais. Levantou mais de R$ 800 milhões por esses canais, depois de ter uma operação rejeitada pelos gestores da Caixa Asset.
Para sustentar suas operações de crédito no segmento de empresas sem liquidez, portanto, o banco foi alongando os prazos de captação dos CDBs, oferecendo taxas de retorno acima de outros bancos, que superam os 140% do Certificados de Depósitos Interbancários (CDI). Por isso, o problema aqui é diferente de uma crise clássica de liquidez, já que o financiamento do banco se dava com títulos de vencimento mais longo.
Apesar de se apoiar em vencimentos mais longos, o banco se deparou a uma situação de dificuldades para liquidar e honrar compromissos, CDBs captados no passado foram vencendo e a captação parou. “Se você tem um funding de três anos, 3% dele vence todo mês”, observa uma fonte.
A Moody’s, em outubro do ano passado, já alertava para a necessidade de diversificação da captação de recursos pelo banco. “O funding é o desafio principal”, disse o vice-presidente e analista sênior da Moody’s, Lucas Viegas, ao Broadcast naquele momento.
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Para isso, a receita seria montar uma franquia de depósitos com clientes próprios e ter um diálogo com as gestoras que outros bancos já têm. “Esses relacionamentos têm de ser criados, não acontecem da noite para o dia.”
Em entrevista ao Broadcast, no ano passado, Vorcaro havia sinalizado a intenção de buscar novas frentes de captação. “A ideia é trazer capital estrangeiro, seja para título do banco, seja, no futuro, para participação acionária”, disse Vorcaro ao Broadcast no ano passado. Ele esperava emitir US$ 1 bilhão em títulos no exterior em 2025, volume que normalmente é acessado por grandes bancos.
Na sexta-feira, 28, o Banco de Brasília (BRB) anunciou um acordo para comprar uma fatia de cerca de 60% do Banco Master, numa transação estimada em cerca de R$ 2 bilhões – veja o que se sabe até agora aqui.