Especialistas explicam e anunciam novos projetos sobre o futuro da blockchain (Foto: Isabela Ortiz)
As tecnologias emergentes, especialmente a blockchain, estão redefinindo o financiamento e a escalabilidade de soluções de impacto social. O universo cripto avançou rapidamente no cotidiano dos brasileiros, com o Pix alcançando escala nacional de uso e o Drex surgindo com proposta semelhante de transformação financeira.
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Nesta sexta-feira (15), Ney Neto, diretor de inovação da Biobots; Felipe Gonzalez, oficial de inovação na Unicef Brasil; Jacqueline Nascimento, coordenador da Unas; e Izabelle Benedet, gerente de marketing do Itaipu Parquetec, conversam sobre qual inovação, de fato, financiará o futuro financeiro no São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação.
Realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, o evento chega ao seu último dia. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento (teve início na quarta-feira, 15), estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
Durante o painel, Neto, mediador da conversa, explica a importância de entender a blockchain como um passo que avança no mundo de forma ‘invisível’. “Nós fazemos a abstração da tecnologia, nós a tiramos do centro da conversa”, afirma. Seguindo essa linha, Gonzalez defende uma inovação adaptável, aberta e editável, com foca em infraestrutura pública digital e como o sistema pode ampliar o acesso às políticas públicas globais. “Começamos a investir em soluções baseadas em blockchain e conseguimos monitorar o retorno social desses investimentos. Hoje, aceleramos 18 startups em escala global”, diz.
“O mais importante é entender como essa tecnologia muda e melhora a vida das crianças”, defende.
Jacqueline Nascimento, da Unas, acrescenta que além de grupos sociais específicos que podem ser ajudados com o avanço da tecnologia, comunidades inteiras podem se beneficiar do desenvolvimento cripto. “Não dá para falar em inovação comunitária sem que a comunidade seja protagonista dessa inovação”, defende.
O oficial da Unicef aproveita o tema para acrescentar que existem soluções brasileiras dentro de um criptofundo. “Lançamos uma carteira digital na qual é possível investir utilizando tecnologia blockchain. A liquidez desses investimentos se transforma em recursos para os nossos projetos”, explica.
“O modelo funciona quando você doa a renda de liquidez que fica em um fundo de apoio a projetos sociais. Depois de um ano, tudo o que foi gerado em renda passiva se transforma automaticamente em doação para as carteiras digitais selecionadas na categoria”, detalha Ney Neto. O fundo também ajuda empresas ESG que querem captar empréstimos de liquidez.
Projetos cripto buscam combater a violência doméstica
“O Angar Mulheres é um programa de três anos e o maior da história do Itaipu Parquetec”, afirma Benedet. A especialista em marketing relembra o projeto que mais marcou sua trajetória na seleção de ideias inovadoras: o de Ana Maria, uma mãe empreendedora que criou uma solução a partir de um desafio vivido dentro de casa.
Segundo Benedet, a filha de Ana Maria passava por um tratamento oncológico e enfrentava dificuldades de nutrição, já que não encontrava alimentos saudáveis e, ao mesmo tempo, saborosos. “Ela desenvolveu um sorvete com proteína de peixe, especialmente salmão, sem o sabor característico da proteína animal. A solução nasceu para ajudar a filha e hoje já se tornou uma startup consolidada”, diz Benedet, emocionada.
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Para finalizar o painel, os palestrantes anunciaram novidades. “No próximo mês, vamos lançar outra edição do Angar em parceria com a Unicef, olhando para a proteção de crianças no ambiente digital e para a prevenção da violência doméstica. Em breve, as inscrições estarão abertas”, explica a especialista.
Além disso, o executivo do Unicef Brasil destacou que a instituição deve anunciar, nas próximas duas semanas, a abertura das inscrições para o Youth Challenge, iniciativa voltada ao desenvolvimento de soluções de impacto social para crianças por meio da blockchain. Poderão participar jovens de 19 a 24 anos interessados em usar a tecnologia para melhorar a vida de crianças e adolescentes.
“Também vamos lançar, em parceria com o Itaipu Parquetec, dois challenges voltados ao ECA digital e à prevenção da violência doméstica com base em blockchain”, afirmou.
Na reta final do debate, Jacqueline Nascimento, da Unas, reforçou que “transformar um território não começa pela tecnologia, mas pelas pessoas, pela escuta e pela comunidade”.