No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual pela segunda vez seguida, para 14,50%, pode sustentar os juros curtos e limitar perdas do real. O comitê adotou tom mais cauteloso ao sinalizar riscos inflacionários e possível redução do ritmo de afrouxamento.
Também a rejeição pelo Senado do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) adiciona ruído político, mas é vista por parte do mercado como fator de alívio institucional. A decisão fragiliza a articulação do governo no Senado, atrasa a reposição no Supremo, eleva a incerteza sobre o próximo indicado e pode aumentar o custo político para futuras nomeações.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) decidiu manter os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% pela terceira vez consecutiva, como o esperado, em meio à pressão inflacionária pelo conflito no Oriente Médio.
Dólar e juros dos Treasuries aceleraram ganhos durante o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell. Em sua última reunião como líder do banco, Powell alertou que o choque nos preços de energia nos Estados Unidos pode se agravar. Ele disse que o movimento pode impulsionar inflação e desemprego.
“Mais uma vez, houve dissidência na decisão, com Stephen Miran, diretor indicado por Trump, votando a favor de um corte de 0,25 p.p. Entretanto, chama a atenção a dissidência de outros três diretores que, apesar de apoiarem a manutenção da taxa de juros no atual patamar, não apoiaram a inclusão de um viés de baixa no comunicado, indicando uma divergência entre os membros do comitê, com alguns se mostrando mais preocupados com o choque inflacionário do petróleo”, destaca André Valério, economista sênior do Inter sobre o Fed.
Os desdobramentos incertos no Oriente Médio contribuem para o alto nível de incertezas na perspectiva econômica. De acordo com a ferramenta de monitoramento do CME Group, o mercado manteve a aposta no mês de dezembro de 2027 para a retomada dos cortes.