Nos primeiros minutos do pregão, o dólar chegou até a ensaiar uma alta firme, com máxima a R$ 5,1824, em meio a temores geopolíticos. Israel responde a ataque do Hamas ao seu território com bombardeio aéreo e bloqueio terrestre à Faixa de Gaza, controlada pelo grupo palestino. Operadores observam que a ausência dos negócios com Treasuries, em razão do feriado do Dia de Colombo nos EUA, diminuiu a liquidez e deixou a formação da taxa de câmbio mais sujeita ao impacto de operações pontuais.
As cotações do petróleo, que amargaram forte queda na semana passada, subiram mais de 4% diante de preocupações com a oferta, mas respeitaram o teto de US$ 90 o barril. O contrato do Brent para dezembro fechou em alta de 4,22%, a US$ 88,15.
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, observa que o fato de o mercado de Treasuries estar fechado impede uma leitura mais clara dos efeitos do conflito sobre a percepção de risco dos investidores. “De qualquer forma, existe um aumento das incertezas. Dentro de três ou quatro dias, vamos entender o real impacto sobre os ativos. Tudo vai depender se o conflito vai transbordar para outros países do Oriente Médio, como o Irã, já que a região é grande produtora de petróleo”, afirma Sung.
Embora o Irã seja visto como um apoiador do Hamas na região, autoridades do país negaram envolvimento com o ataque do grupo palestino a Israel. A possibilidade de que o Irã seja tragado pelo conflito preocupa, uma vez que o país abriga o Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico e por onde é escoado cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.
“Se tivermos uma escalada da guerra, principalmente com o Irã sendo arrastado para dentro do conflito, podemos ter alta mais forte do petróleo e um choque inflacionário”, diz o estrategista-chefe da Guide Investimentos, Alex Lima, ressaltando que, nos últimos dois meses, a inflação americana já havia sido “contaminada” pela alta dos preços dos combustíveis. “Por enquanto, a reação dos preços dos ativos é relativamente branda, com o mercado de juros nos EUA fechado. Tem potencial para piorar se o conflito se estender.”
Parte relevante do alívio do mercado à tarde veio de sinais mais amenos em relação à política monetária americana. Com voto nas decisões do Fed, o vice-presidente do BC americano, Philip Jefferson, disse hoje que pode ser cedo para garantir que o aperto já realizado vai levar a inflação à meta de 2% ao ano, mas ressaltou que levará em conta indicadores econômicos e também o nível das taxas dos Treasuries em suas próximas decisões.
Segundo Jefferson, a inflação, embora ainda “muito elevada”, traz sinais “encorajadores”. Ele afirmou também que atuará com cautela ao avaliar a necessidade de mais alta de juros. “Olhando para frente, continuarei consciente do aperto das condições financeiras por meio de juros mais altos em títulos de dívida e vou manter isso em mente ao avaliar a trajetória futura das taxas”, disse o vice-presidente do Fed.