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Enel garante que 100% dos imóveis de São Paulo voltaram a ter luz

Empresa seria multada em R$ 100 mil a partir de segunda-feira caso não resolvesse o apagão em São Paulo

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

18/10/2024 | 7:53 Atualização: 18/10/2024 | 7:53

Enel diz que apagão em São Paulo foi solucionado (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Enel diz que apagão em São Paulo foi solucionado (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A Enel (E1NI34) informou que 100% dos clientes que foram afetados pela chuva em São Paulo e estavam com registro ativo no sistema voltaram a ter energia elétrica na noite desta quinta-feira (17). A informação foi divulgada em documento enviado ao mercado pela companhia ao responder questionamentos dos investidores.

Leia mais:
  • OPINIÃO: A Enel só serve para atender no deserto do Saara
  • O que fazer se você teve prejuízo com o apagão em São Paulo?
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Segundo o documento, investidores questionaram a elétrica sobre uma possível multa de R$ 100 mil que seria aplicada para a companhia caso ela não reestabelecesse a energia elétrica em toda a Região Metropolitana de São Paulo em 24h. O pedido foi publicado no Diário da Justiça do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na quinta-feira (17).

A medida passa a vigorar nesta sexta-feira (18). No entanto, o prazo de 24 horas é somente em horas úteis, ou seja, a Enel ainda teria até segunda-feira (21) para regularizar a situação da energia elétrica na Grande São Paulo.

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Mesmo com o prazo esticado, a companhia disse que já conseguir resolver o problema do apagão em São Paulo. “Cumpre-nos, ainda, esclarecer que a Enel São Paulo já procedeu com o restabelecimento de 100% dos clientes relacionados ao evento climático com registro ativo no sistema (solicitações datadas de 11 de outubro de 2024 e 12 de outubro de 2024)”, diz a empresa.

A elétrica disse ainda que esse não foi a primeira vez que houve uma demanda da Justiça em relação ao restabelecimento de energia elétrica dentro com um prazo de 24 horas. A empresa afirma que o pedido liminar noticiado foi formulado de forma incidental no âmbito de ação civil pública já em curso desde 18 de dezembro de 2023, não se tratando, portanto, de uma nova demanda judicial.

Quando a Eletropaulo foi privatizada e a Enel assumiu o seu lugar?

A Enel tem sido alvo de críticas tanto por parte da população quanto do governo em todas as esferas (federal, estadual e municipal). Afinal, não é a primeira vez que uma chuva forte afeta as operações da empresa – em novembro de 2023 um apagão deixou milhares de paulistanos às escuras por até cinco dias. Isso faz com que muitos se recordassem da sua antecessora: a Eletropaulo.

  • Veja mais: Procon notifica Enel por fornecimento de energia em SP

Para quem não se lembra, a companhia foi fundada em 1981 e privatizada 18 anos depois, em 1999. Embora se pense que ela fez parte do Programa Nacional de Desestatização (PND), promovido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na verdade foi no âmbito estadual que ocorreu a sua privatização. Foi o então governador do Estado de São Paulo, Mário Covas (PSDB), a incluir a Eletropaulo no Programa Estadual de Desestatização (PED).

Para isso, a companhia precisou ser dividida em quatro: Eletropaulo Metropolitana, Empresa Bandeirante de Energia (EDP Bandeirante), Empresa Paulista de Transmissão de Energia e Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE). O bloco metropolitano, considerado o mais rentável, foi adquirido por R$ 2,026 bilhões pelo consórcio Lightgás, liderado pela AES Corporation.

O que aconteceu com a Eletropaulo e quando a Enel assumiu a energia de SP?

A Eletropaulo foi privatizada com a ideia de melhorar a infraestrutura de distribuição de energia elétrica, que enfrentava dificuldades financeiras e operacionais. O consórcio que adquiriu a companhia era formado pela AES Corporation (11,46%), Houston Industries Energy (11,46%), Électricité de France (EDF) (11,46%) e Companhia Siderúrgica Nacional (7,32%) foi o vencedor.

Em 2001, no entanto, a Houston Industries e a CSN venderam suas participações acionárias para a AES. Já no ano seguinte, em um processo de reestruturação societária, o grupo francês EDF ficou com o controle da Light, enquanto a AES assumiu a Eletropaulo — que passou a ser chamada de AES Eletropaulo até 2018, quando foi comprada pelo Grupo Enel.

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Em junho daquele ano, a multinacional italiana comprou 73,38% da Eletropaulo (122.799.289 de ações), por R$ 5,55 bilhões, em um leilão na B3 (B3SA3). Na época, a gestão do governo estadual era de Márcio França (PSB), que não vendeu sua participação porque os papéis estavam como garantia de uma outra operação financeira. Foi assim que a AES Eletropaulo deixou de existir, dando lugar à Enel Distribuição São Paulo.

Quem são os donos da Enel?

A Enel faz parte de um grupo multinacional que já atuava no setor elétrico, na gestão e operação de sistemas. Ela foi fundada na Itália em 1962, como uma estatal, mas passou por um processo de privatização ao longo das décadas de 1990 e 2000. Hoje, o grupo tem capital aberto, embora o governo italiano detenha participação minoritária (23,6%), e suas ações são negociadas nas bolsas de valores de Milão e de Nova York.

No Brasil, a Enel possui também operações de distribuição de energia no Rio de Janeiro e no Ceará. Somente em São Paulo, a companhia que atua no lugar que era antes da Eletropaulo atende 7,5 milhões de unidades consumidoras, em 24 municípios da região metropolitana, respondendo por 70% da energia distribuída no estado.

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