As projeções reúnem a visão do mercado financeiro sobre a inflação, Produto Interno Bruto (PIB) e taxa Selic, a taxa básica de juros. A mediana do boletim Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de 2026 (IPCA), a medição oficial da inflação no Brasil, permaneceu em 3,91%, 0,91 ponto percentual acima do centro da meta, de 3%.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de 2026, por sua vez, caiu pela quarta semana seguida, de 3,71% para 3,18%. A cotação do dólar no fim de 2026 caiu pela segunda semana seguida, de R$ 5,45 para R$ 5,42.
Em relação ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, as medianas apontam que, em 2026 permaneceu em 1,82%. Um mês antes, era de 1,80%.
As estimativas publicadas no Focus desta segunda-feira (2), foram enviadas pelo mercado ao Banco Central até a última sexta-feira (27). Assim, as informações não incorporam a forte alta dos preços do petróleo dos últimos dias, motivada pelo ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã visto no sábado, mas que devem influenciar os desdobramentos do Ibovespa hoje.
As ações da Petrobras (PETR4) tendem a se beneficiar do salto do petróleo, com possíveis reflexos no Ibovespa, em meio também ao aumento de 9,4% no preço do querosene de aviação anunciado pela estatal, equivalente a R$ 0,31 por litro desde 1º de março, acompanhando a valorização da commodity em meio às tensões geopolíticas. Apesar do reajuste mensal, o combustível ainda acumula queda de 1,5% em 2026 e recuo de 29,5% desde dezembro de 2022.
Tensões no Oriente Médio impactam mercados mundiais
A escalada das tensões geopolíticas após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã no sábado, que mataram o líder supremo iraniano Ali Khamenei, domina o foco dos mercados neste início da primeira semana de março. Depois do conflito, o dólar se fortaleceu, levando o Índice DXY – que mede a força da moeda americana entre as principais moedas do mundo – à máxima em cinco semanas, enquanto rendimentos dos Treasuries também avançam.
O presidente dos EUA, Donald Trump, estima a duração da operação no Irã em quatro semanas, e o premiê Benjamin Netanyahu sinalizou intensificação dos ataques. O principal oficial de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que não negociará com Washington, enquanto o chanceler Abbas Aragchi indicou definição de novo líder supremo em até dois dias.
Com dólar forte e petróleo disparando, as bolsas americanas parecem não seguir o mesmo ímpeto. Às 9h30 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones caía 1,41%, o S&P 500 recuava 1,42% e o Nasdaq tinha perda de 1,78%.
China e União Europeia pediram diplomacia, expectativa que deve perdurar pelos próximos dias. As bolsas europeias operam em baixa firme. Às 9h33 (de Brasília), a bolsa de Londres caía 1,18%, a de Paris recuava 2,01% e a de Frankfurt perdia 1,94%. As de Milão, Madri e Lisboa, por sua vez, tinham respectivas quedas de 1,93%, 2,86% e 0,30%.
As bolsas asiáticas, por sua vez, fecharam majoritariamente em baixa. O índice japonês Nikkei caiu 1,35% em Tóquio, mas papéis ligados ao setor de defesa como os de Mitsubishi Heavy Industries (+3,61%) e IHI Corp. (+2,97%) avançaram.
Na China continental, o Xangai Composto driblou o mau humor regional e subiu 0,47%, graças a ações de petrolíferas como as de Sinopec e PetroChina, que saltaram cerca de 10% diante da forte reação de alta do petróleo às tensões no Oriente Médio, mas o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,68%.
Petróleo como protagonista nesta segunda-feira
Os contratos futuros do petróleo avançaram até mais de 9% na madrugada desta segunda-feira, depois de chegarem a reduzir o ímpeto de alta horas atrás, enquanto investidores aguardam desdobramentos do conflito no Oriente Médio deflagrado por ataques dos EUA e de Israel ao Irã no fim de semana.
O maior temor é de fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
Traders apostam que o fornecimento de petróleo do Irã e de outros países do Oriente Médio vai desacelerar ou até parar por completo. Ataques na região – entre eles os disparados contra dois navios que cruzavam o Estreito de Ormuz – têm reduzido as exportações de petróleo para o resto do mundo.
“Cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e GNL (gás natural liquefeito) passa pelo Estreito de Ormuz. Não se trata de um canal obscuro. É a aorta do sistema energético global”, disse Stephen Innes, da SPI Asset Management, em comentário.
Às 9h33 (de Brasília), o barril do petróleo WTI para abril subia 8,21% na Nymex, a US$ 72,52, enquanto o do Brent para maio aumentava 8,41% na ICE, a US$ 79,00.
Ouro, minério e EWZ não ficam de fora
Os preços do ouro não ficaram de fora da volatilidade ocasionada pelo conflito no Oriente Médio e operam em forte alta, ultrapassando o patamar de US$ 5.400 por onça-troy. Pela manhã, o ouro para abril subia 2,98% na Comex, a US$ 5.404,50 por onça-troy. No mesmo horário, a prata para maio avançava 2,57%, a US$ 95,59 por onça-troy.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em alta de 0,87%, cotado a 754,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 110,01.O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em alta de 0,55%, a 733,5 yuans, o equivalente a US$ 106,95 por tonelada.
O EWZ, principal fundo de índice (ETF) brasileiro negociado em Nova York, cai 1,24% no pré-mercado norte-americano nesta manhã, em reflexo às tensões mundiais. Em meio à escalada do petróleo, os American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras (PETR4) disparam 3,79%, enquanto os da Vale (VALE3) caem 0,23%. Entre bancos, os do Itaú (ITUB4) sobem 0,22% e os do Bradesco (BBDC4), 0,24%.
*Com informações de Cícero Cotrim, Cecília Mayrink, Sérgio Caldas, Luciana Xavier e Silvana Rocha, da Broadcast