Os preços em Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru aumentaram em ritmo mais acelerado do que em outros mercados emergentes, disse o FMI. Na Argentina, outra grande economia da região, a inflação disparou mais de 50% no ano passado.
Além do aumento dos custos das importações e das commodities, disse o FMI, a fraqueza cambial e a demanda reprimida do consumidor elevaram ainda mais os preços em alguns casos na América Latina.
Mas no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru os bancos centrais ganharam credibilidade ao elevarem as taxas de juros no ano passado entre 1,25 e 7,25 pontos percentuais. O aperto nas políticas monetárias, bem como as orientações futuras (“forward guidance”, no termo em inglês), ajudaram a manter as expectativas de inflação ancoradas, disse o Fundo.
“As expectativas de inflação de longo prazo permanecem relativamente bem ancoradas, o que reflete a confiança na política monetária para trazer a inflação de volta às metas. No entanto, as expectativas de inflação de curto prazo estão elevadas, sugerindo a necessidade de vigilância contínua”, disse o FMI.
“As autoridades podem se preparar para o aperto da política monetária dos Estados Unidos ao alongar os vencimentos da dívida pública, reduzir as necessidades de rolagem da dívida de forma mais geral e limitar o acúmulo de descasamentos cambiais nos balanços do setor financeiro sempre que possível”, disse o FMI.
TENSÕES SOCIAIS
As pressões de preços, combinadas com um calendário eleitoral movimentado neste ano e uma desaceleração do crescimento, continuarão a manter a agitação social como um alto risco regional, disse o FMI.
Brasil, Colômbia e Costa Rica elegerão presidentes em 2022, enquanto referendos e eleições locais acontecerão no Chile, Uruguai, México e Peru.
Na semana passada, o FMI reduziu sua expectativa para o crescimento do PIB da América Latina e do Caribe em 2022 em 0,6 ponto percentual, para 2,4%, após uma recuperação estimada de 6,8% em 2021.