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Tempo Real

Juros altos sobem com mercado atento à política monetária brasileira

As taxas domésticas acompanharam as altas dos rendimentos dos Treasuries nos EUA

Por Cícero Cotrim

22/05/2023 | 18:31 Atualização: 22/05/2023 | 18:31

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

Os juros futuros avançaram nesta segunda-feira, 22, com altas nos trechos curto e intermediário e leve baixa no trecho longo, o que levou a uma ampliação da inclinação negativa da curva. As taxas domésticas acompanharam as altas dos rendimentos dos Treasuries, em meio à percepção de que o Banco Central brasileiro e o Federal Reserve (Fed), dos EUA, podem manter os juros altos por mais tempo.

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Na comparação com o ajuste anterior, o DI para janeiro de 2025 subiu 6 pontos-base, de 11,695% para 11,755%, acompanhado pelos DIs para janeiro de 2027 (11,319% para 11,320%) e janeiro de 2024 (13,301% para 13,10%). O DI para janeiro de 2029 recuou pouco mais de 1 ponto-base, de 11,661% a 11,650%. O spread entre os contratos para janeiro de 2025 e janeiro de 2029, principal métrica de inclinação da curva, recuou de -3,4 a -10,5 pontos-base.

O comportamento das taxas domésticas seguiu as altas dos Treasuries americanos, que avançavam entre 2,5 e 7,3 pontos-base no fechamento do mercado brasileiro, puxados pela incerteza em torno de um acordo para elevar o teto da dívida dos EUA e por declarações de dirigentes do Fed. O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, defendeu mais dois aumentos de juros este ano.

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No noticiário brasileiro, a palestra do presidente do BC, Roberto Campos Neto, em seminário organizado pela Folha de S.Paulo foi o principal motor para a alta das taxas. O chefe da autarquia repetiu que os núcleos do IPCA continuam em nível alto e defendeu que as expectativas de inflação do mercado continuam pressionadas por incertezas em torno das metas e da política fiscal, além dos ruídos entre governo e autoridade monetária. Campos Neto disse ainda que um aumento da meta, como advoga parte do governo, “não traria flexibilidade” à política monetária.

“Nas últimas semanas, os juros locais descolaram do exterior com os investidores apostando que a deflação no atacado poderia mover o Copom na direção de um discurso mais dovish, mas isso não está acontecendo, porque os discursos de Campos Neto na sexta-feira e hoje vão na direção contrária. Nesse ambiente, é natural que quem estava apostando na queda dos juros reduza ou zere sua posição”, diz o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi.

Pesquisa relâmpago feita pelo Projeções Broadcast com 40 instituições mostra que a maior parte do mercado (30%) espera início do ciclo de cortes da Selic em agosto, enquanto dez (25%) preveem cortes dos juros a partir de setembro e outras dez, em novembro. A mediana do mercado sugere queda da taxa básica de juros a 12,5% no fim de 2023 e a 10% no fim de 2024, em linha com as estimativas intermediárias do último relatório Focus.

Para o economista-chefe da Terra Investimentos, João Maurício Lemos Rosal, a alta dos juros domésticos e americanos reflete a percepção de taxas altas por mais tempo. “Bullard botou na mesa a possibilidade de mais duas altas de 25 pontos e, aqui, a apresentação de Campos Neto insinuou que as condições necessárias para corte da Selic estão longe de serem colocadas”, afirma.

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Na penúltima hora de negócios, declarações do secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, levaram a uma desaceleração do ritmo de alta dos juros futuros e chegaram a impor viés de queda aos DIs longos, pela redução da incerteza fiscal. O movimento foi revertido pela aceleração do ritmo de alta dos rendimentos dos Treasuries, mas voltou a aparecer nos últimos minutos de negócios, o que levou a uma baixa do DI para janeiro de 2029.

Em entrevista coletiva, Ceron disse que a autorização no arcabouço fiscal para que os gastos do governo cresçam 2,5% acima da inflação em 2024 representa uma diferença de R$ 10 bilhões a R$ 20 bilhões, abaixo dos R$ 80 bilhões estimados por instituições do mercado financeiro. Também repercutiu positivamente a previsão de ganho de arrecadação de R$ 50 bilhões com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que proíbe a dedução de subsídios do ICMS sobre o IRPJ e o CSLL.

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