A sessão desta terça-feira (3) é marcada por leve indefinição nos mercados globais, com investidores reagindo à postergação de indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos, dados relevantes para calibrar as próximas decisões do Federal Reserve, o banco central americano. A incerteza mantém uma leitura mais cautelosa sobre o ciclo de juros nos EUA. Nesse ambiente, metais industriais e preciosos avançam, o petróleo recupera parte das perdas recentes e o dólar perde força frente às principais moedas, em meio à reavaliação de prêmios de risco ligados às tensões geopolíticas.
No Brasil, a ata do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, reforçou a sinalização de que, se o cenário se confirmar, o ciclo de flexibilização monetária pode começar em março. O documento, no entanto, evitou antecipar o ritmo dos cortes, mensagem suficiente para sustentar a queda dos juros futuros, que refletem as expectativas do mercado para a Selic ao longo do tempo.
Com esse pano de fundo, o Ibovespa hoje renovou máximas intradiárias e chegou a superar os 187 mil pontos pela manhã, apoiado por fluxo estrangeiro e maior apetite por risco. O dólar enfraqueceu frente ao real, testando mínimas próximas de R$ 5,21 no intraday, em linha com a desvalorização global da moeda americana e o avanço das commodities. A curva de DI, contratos de Depósitos Interfinanceiros que servem de referência para os juros futuros, cedeu ao longo da sessão, com maior alívio na ponta longa, refletindo câmbio favorável e leitura considerada benigna da ata.
Do lado dos dados, a produção industrial de dezembro veio abaixo do esperado, reforçando a percepção de atividade mais fraca e, por consequência, a probabilidade de início do ciclo de cortes da Selic. Com isso, por volta das 14h25, o Ibovespa avançava 1,58%, aos 185.684 pontos.
Entre as ações que compõem o índice, as blue chips, papéis de maior peso e liquidez, lideram o rali em dia de novo recorde do Ibovespa. Bancos operam em alta, enquanto Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3) dão contribuição relevante, apoiadas pela recuperação do petróleo e, no caso da mineradora, pelo desempenho positivo do setor, apesar da queda do minério de ferro no exterior.
As ações cíclicas domésticas, como varejo e construção, avançam na esteira da expectativa de cortes da Selic, que reduz o custo de capital e melhora a perspectiva de lucro à frente. A Raízen (RAIZ4) figura entre as maiores altas, devolvendo apenas parte das perdas da véspera. Já B3 (B3SA3) e Totvs (TOTS3) reagem à venda da Dimensa para a Evertec, com leitura mista entre a desalavancagem de ativos e o valuation do negócio. No campo negativo, Azul (AZUL53) recua após protocolar uma oferta primária de ações no contexto de sua reestruturação, movimento que tende a diluir o acionista no curto prazo.
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