No exterior, os dados de inflação ao produtor nos Estados Unidos vieram acima do esperado, reforçando a percepção de juros elevados por mais tempo. Esse movimento pressionou os Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo americano) e reduziu, em parte, o apetite por risco. Ainda assim, as Bolsas em Nova York — com exceção do Dow Jones — operam em alta, com destaque para as empresas de tecnologia.
Ao mesmo tempo, o petróleo tipo Brent recua mais de 1%, mas permanece em patamar elevado (acima de US$ 105 por barril), influenciado por restrições de oferta e pela persistência de tensões geopolíticas. Esse quadro reforça as preocupações inflacionárias globais e adiciona incerteza ao cenário.
No Brasil, o mercado doméstico acompanhou o tom mais cauteloso do exterior nas primeiras horas de negociação, com a curva de juros abrindo diante da combinação de fatores externos e internos. A surpresa positiva nas vendas do varejo reforçou a resiliência da atividade, mas também intensificou a leitura de pressões inflacionárias, reduzindo o espaço para cortes de juros.
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Além disso, medidas recentes de estímulo ao consumo, como mudanças tributárias, trouxeram desconforto em relação ao quadro fiscal. Nesse contexto, o Ibovespa apresentou dificuldade em sustentar uma direção, enquanto o dólar ganhou força frente ao real, refletindo tanto o fortalecimento global da moeda americana quanto a percepção de risco doméstico.
Às 15h05, o Ibovespa caía 0,42%, aos 179.583,89 pontos, enquanto o dólar avançava 1,30%, cotado a R$ 4,9527.
Entre as ações do Ibovespa, o destaque negativo ficou para o setor de varejo de vestuário, pressionado por mudanças tributárias que aumentam a concorrência com produtos importados — impactando as expectativas de margem de nomes como Lojas Renner (LREN3) e C&A (CEAB3).
Por outro lado, empresas ligadas ao ciclo doméstico apresentaram melhor desempenho, com destaque para Cury (CURY3), que avança de forma consistente após resultados acima do esperado. Já entre as commodities, o desempenho é misto: mineradoras e siderúrgicas avançaram, acompanhando a alta do minério de ferro, enquanto petroleiras recuaram em meio à volatilidade do petróleo.
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