A alta já se aproxima do acumulado registrado em 2021, quando viajar de avião ficou 19,3% mais caro.
Enquanto os dados da Anac vão até fevereiro, os tabulados pela própria Onfly, focados apenas nas rotas corporativas, vão até abril de 2022. Eles mostram que, naquele mês, o preço dos bilhetes chegou a ser 300% maior do que no mesmo período do ano passado.
As viagens de São Paulo ao Rio de Janeiro e de São Paulo a Belo Horizonte – as duas rotas comerciais mais importantes do País – apresentaram as variações mais elevadas.
Confira a comparação entre os valores das passagens em abril de 2021 e abril 2022 de algumas rotas nacionais:
| Trecho (ida e volta) |
Preço médio em abril de 2021 |
Preço médio em abril de 2022 |
Variação |
| Recife x São Paulo |
R$ 1.346 |
R$ 1.553 |
15% |
| Vitória x São Paulo |
R$ 693 |
R$ 1.600 |
231% |
| São Paulo x Belo Horizonte |
R$ 340 |
R$ 1.024 |
301% |
| Rio de Janeiro x São Paulo |
R$ 601 |
R$ 1.904 |
317% |
*Tabela realizada com a base de dados da Onfly. Em São Paulo, foram considerados voos saindo dos aeroportos de Congonhas e Guarulhos e, no Rio de Janeiro, do Galeão e do Santos Dumont.
“A alta aconteceu como um todo na maioria dos trechos, mas especificamente nos trechos do corporativo. O aumento foi maior por causa da demanda. Isso está claro nos relatórios dos investidores das companhias aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4), publicadas no primeiro trimestre deste ano”, diz Marcelo Linhares, CEO da Onfly.
Segundo ele, em abril de 2021, o ticket médio de compras de passagens pela startup era de R$ 1,052 com ADVP (tempo de antecedência de compra) de 8 dias. Atualmente, ele está em R$ 2,155 com ADVP de 14 dias, um aumento de 104% em um ano, mesmo com o cliente planejando a compra com maior antecedência.
O CEO da Onfly sugere que os viajantes comprem os bilhetes com antecedência para ampliar a chance de encontrar valores mais baixos. “Uma passagem de Belo Horizonte para São Paulo com 16 dias de antecedência pode ser encontrada por R$ 300. Este mesmo trecho, comprado com um dia de antecedência, pode custar até cinco vezes mais”, diz Linhares.
O que fez os preços subirem?
Segundo a startup, o reajuste que as companhias aéreas realizaram no período de retomada das viagens após o fim das medidas restritivas por causa da pandemia foi alto porque, durante o período mais crítico da pandemia, as empresas seguraram os valores dos bilhetes com preços promocionais, na tentativa de driblar a baixa demanda.
A guerra na Ucrânia também é citada pelo levantamento como causa da alta dos valores das passagens. O conflito desorganizou o mercado mundial energético e de combustíveis, fazendo o preço do petróleo atingir valores recordes e influenciando expressivamente o preço médio do querosene de aviação (QAV).
Além disso, o aumento na cotação do dólar, diante do momento de aversão ao risco, também está pressionando o setor da aviação, com efeitos diretos nas passagens aéreas nacionais e internacionais.