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Mercado

Como o mercado financeiro avaliou o 1º debate presidencial

O E-Investidor procurou analistas para entender o impacto das falas dos presidenciáveis. Veja os destaques

Por E-Investidor

29/08/2022 | 0:48 Atualização: 29/08/2022 | 15:27

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual presidente Jair Bolsonaro durante o 1º debate na Band (Foto: Reprodução Band)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual presidente Jair Bolsonaro durante o 1º debate na Band (Foto: Reprodução Band)

(Luiza Lanza e Valéria Bretas) – A noite de domingo (28) cravou o primeiro debate na TV com os seis candidatos à Presidência da República na eleição de 2022.

Leia mais:
  • Lula: como o mercado viu a entrevista ao Jornal Nacional
  • Jair Bolsonaro: como o mercado viu a entrevista ao Jornal Nacional
  • Ciro Gomes no JN: a opinião do mercado
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O debate na Band foi dividido em três blocos e aconteceu em parceria com a TV Cultura, o portal UOL e o jornal Folha de S. Paulo, com apoio do Google e do YouTube, às 21h de ontem.

Além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL), participaram Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Felipe d’Avila (Novo) e Soraya Thronicke (União Brasil).

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Na semana passada, começaram também as sabatinas do Jornal Nacional, da TV Globo. Veja como o mercado reagiu às entrevistas concedidas por Jair Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB).

O tão aguardado encontro entre Lula e Bolsonaro gerou polêmica ao longo da última semana. Os dois candidatos deram sinais de que poderiam evitar o embate público e só confirmaram o comparecimento no sábado (27) via redes sociais.

Duas horas antes do início da transmissão, Ciro Gomes denunciou que posicionamento no palco mudou para separar os concorrentes. Ao chegar no debate, Bolsonaro afirmou que não iria “apertar a mão de ladrão” – em referência ao adversário Lula.

“O grande destaque da noite foi a baixa performance do ex-presidente Lula e a boa performance do Ciro Gomes”, diz Vitor Miziara, sócio da Criteria Investimentos e colunista do E-Investidor. “Considerando que os dois têm uma agenda voltada para ideias de esquerda, podemos ver alguns votos migrando de Lula para Ciro.”

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Veja a opinião de quatro especialistas do mercado financeiro sobre o confronto; em ordem alfabética:

Álvaro Bandeira, economista e consultor financeiro

O debate ficou dentro do previsto: mentiras lançadas com números, polarização expressa entre dois candidatos [Lula e Bolsonaro] e a terceira via tentando se fortalecer. Todos fizeram promessas difíceis de serem cumpridas sobre a redução de impostos e gastos com a população, principalmente dentro do quadro de déficit fiscal do Brasil.

O ex-presidente Lula foi paz e amor ao longo de suas exposições e ficou fora de sintonia. Bolsonaro foi agredido e agressivo ao extremo. Ambos fizeram trampolim nas perguntas para colocações que não foram perguntadas. As falas eram quase exclusivamente de passado e nada de futuro.

Ciro Gomes, muito experiente, foi provavelmente o melhor junto com a candidata Simone Tebet. Ela passou muita seriedade em suas declarações. Tanto a candidata, quanto Ciro, surpreenderam positivamente, enquanto os polarizados surpreenderam negativamente.

Felipe D’avila, certamente já vi melhores participações ao longo desse processo. Soraya também não foi mal, mas leu muito, mostrou indecisão em alguns momentos e também foi agressiva.

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Minha percepção é que abriu um pouco mais de espaço para a terceira via, principalmente com Ciro e Simone. Ficou faltando, de praticamente todos os candidatos, especificar quais são os projetos de governo.

Gustavo Cruz, estrategista da RB investimentos

O desempenho dos candidatos foi diferente. Olhando especificamente para o mercado, muitas propostas vão mais para o populismo do que para um lado fiscal mais responsável no próximo governo.

O Ciro, assim como no Jornal Nacional, entregou um desempenho um pouco melhor. No entanto, ele foi menos assertivo dessa vez e misturou assuntos nas suas respostas.

Simone Tebet, talvez um dos desempenhos mais fracos no JN, hoje foi muito bem. Conseguiu corrigir bem a rota e entrou em destaque no debate, bem mais direta nas respostas. Ao contrário do Lula, por exemplo, que entendo que não foi tão bem assim. O ex-presidente pareceu mais defensivo e só conseguiu dar uma resposta muito boa, mexendo com o emocional ao tentar lembrar as pessoas de como era a vida no governo dele.

O presidente Bolsonaro foi melhor do que no JN, mas o ataque com a jornalista Vera Magalhães pesou e mostrou um momento de fraqueza, reforçando uma imagem negativa. Nas outras perguntas ele conseguiu se sair bem, trouxe números e feitos de seu governo; algo que no JN ele não explorou tanto.

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Em linhas gerais, o Felipe D’Avila e a Soraya tiveram menos destaque. Para o mercado, o que vai chamar atenção para o lado negativo é o fato de vermos muitas propostas que não são responsáveis fiscalmente.

Agora, essa discussão de correção do imposto de renda vai ser cobrada de qualquer que seja o presidente no ano que vem. E isso pesa nas contas.

Juan Espinhel, especialista da Ivest Consultoria

De início, havia a expectativa de um debate pautado em economia, mas isso acabou sendo frustrado. Faltou proposta e conteúdo, principalmente dos assuntos que o mercado mais gosta de tratar.

Não vimos um debate mais sério sobre a continuidade de uma âncora fiscal. Faltou mostrar como justificar, do ponto de vista fiscal, o Auxílio de R$ 600 e tudo isso deixou a impressão que o tema não foi bem aproveitado. Havia essa demanda, não só do mercado, por assuntos econômicos e isso ficou de lado.

O confronto mais aguardado entre Bolsonaro e Lula abriu com corrupção. Até achei que isso puxaria um debate sobre economia, mas ficou muito no campo do discurso do passado. Isso não dá insumos para extrair as posições dos candidatos.

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No segundo bloco, tivemos a pergunta mais importante para o mercado: como os dois prometem um Auxílio de R$ 600 no próximo ano se no orçamento só estava previsto R$ 400. Bolsonaro falou em manter o valor maior, já em acordo com a equipe econômica.

Já o ex-presidente Lula disse que isso não estava dentro da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), mas também não reivindicou a forma de financiamento do projeto com medidas ou ferramentas que ficassem claras; era isso o que o mercado queria escutar.

De forma geral, não foi muito proveitoso para análises mais claras. O debate teve uma audiência gigantesca, mas não vejo isso mudando preço nesta segunda-feira (30).

Vitor Miziara, consultor financeiro e sócio da Criteria Investimentos

O grande destaque da noite foi a baixa performance do ex-presidente Lula e a boa performance do Ciro Gomes. Considerando que os dois têm uma agenda voltada para ideias de esquerda, podemos ver alguns votos migrando de Lula para Ciro.

Lula não respondeu a maioria das perguntas e desperdiçou o espaço para questionar os outros convidados. Mais uma vez, assim como no Jornal Nacional, ele tem usado o espaço público somente para relembrar dados referentes aos seus governos, mas não traz nenhuma proposta ou diferencial.

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Ciro Gomes, por outro lado, apresentou diversas vezes alguns projetos e chamou as pessoas para procurarem mais informações no seu site. O mercado pode avaliar como positivo, mas estamos relativamente longe das eleições ainda. Hoje, quase ninguém coloca no preço o resultado de um primeiro turno.

Em geral, parece que o Lula pode ter perdido apoio com algumas pessoas. Já o atual presidente tentou trazer alguns dados de aprovações de governo, inflação, desemprego e representatividade, mas foi mais do mesmo.

Lula e Bolsonaro devem reavaliar participação em futuros debates? Veja o que o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, diz sobre isso.

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