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Mercado

Os gringos voltaram à B3 em agosto; veja o que os atraiu

Depois de meses de hiato, o fluxo de capital estrangeiro na B3 voltou a ser expressivo, perto de R$ 18 bilhões

Por Luíza Lanza

02/09/2022 | 10:00 Atualização: 02/09/2022 | 10:00

Para setembro, a expectativa é que o fluxo siga positivo, dizem analistas. (Foto: Envato)
Para setembro, a expectativa é que o fluxo siga positivo, dizem analistas. (Foto: Envato)

O mês de agosto foi muito positivo para a Bolsa de Valores brasileira. Além da alta de 6,16% no Ibovespa, a maior valorização mensal desde janeiro, o período foi marcado pela volta do capital estrangeiro à B3. Entenda o que motivou o desempenho do mês. 

Leia mais:
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Depois de meses de hiato, os gringos voltaram e investiram R$ 17,97 bilhões no Brasil até o dia 29 de agosto. Um levantamento feito por Einar Rivero, do TradeMap, mostra que este é o maior valor de entrada de capital estrangeiro desde o fim do primeiro trimestre do ano, quando a alocação totalizou R$ 64,1 bilhões.

À época, a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia tinha causado um boom no preço das commodities, o que fez muitos investidores internacionais migrarem para o Brasil atrás de empresas como Vale e Petrobras. Em abril, porém, o início do movimento de alta na taxa de juros dos Estados Unidos trouxe uma onda de aversão ao risco para os mercados globais, o que espantou os gringos do Brasil.

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Agora, o Brasil volta a atrair investimento internacional, em parte, pelo mesmo fator que ajudou a Bolsa a conquistar um dos melhores desempenhos mensais do ano em agosto: uma melhora na percepção de risco do País frente aos pares globais. “Ao longo de todo o mês de agosto, o cenário nos Estados Unidos foi binário, com o mercado em dúvida se haverá ou não um aumento mais duro na taxa de juros e uma recessão. A percepção de risco se abateu por lá, ao mesmo tempo que a expectativa para o Brasil ficou mais positiva, com sinalização de um possível corte na taxa de juros já em 2023”, afirma Naor Coelho, trader de renda variável da Infinity Asset.

Notícias mais positivas vindas da economia real também ajudaram. Em agosto, o Índice de Preços aos Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma deflação de 0,73%, enquanto o desempenho caiu e o índice de confiança do consumidor aumentou. A melhora desses indicadores ajudou inclusive na recuperação das ações de empresas que estavam bastante descontadas, principalmente as varejistas e as techs; veja as maiores altas do Ibov no mês. 

Mas, para Coelho, não é nesses ativos que os gringos estavam de olho e, sim, no setor financeiro. “O índice do setor financeiro subiu mais de 12%, contra 8% do setor de consumo e 7% do imobiliário. Essa alta do setor bancário mostra que o gringo ainda está concentrado ali”, destaca o trader da Infinity.

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Além de ser um setor ligado à economia real, que reflete os movimentos do juros e a melhora na confiança do consumidor, os grandes bancos apresentaram números expressivos na temporada de balanços do segundo trimestre do ano, com remuneração de dividendos que pode ter agradado o investidor estrangeiro. Relembre.

Tudo isso em um momento em que os países desenvolvidos e emergentes ainda têm pela frente uma batalha mais longa para vencer a inflação. “A Europa está em uma situação extremamente delicada com a questão de energia e os EUA com juros em tendência de alta. Entre os emergentes, Turquia e Argentina estão afundados em inflação, África do Sul vem de uma crise hídrica fortíssima no ano passado que reverbera até hoje, China em uma crise imobiliária enorme, Índia ninguém entende direito para investir. Sobrou o Brasil”, pontua Gustavo Pazos, analista de investimentos da Warren.

O analista destaca que o Banco Central brasileiro fez o dever de casa ao começar a elevar a taxa de juros enquanto o resto do mundo ainda acreditava que aquela inflação que começava a aparecer em 2021 seria transitória. Agora, a Bolsa colhe os louros da aproximação do fim do ciclo de alta na Selic. A expectativa do mercado é que, na reunião de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) alcance o patamar terminal do ciclo de juros no País.

Nem mesmo as eleições devem afastar os gringos

Com um possível fim da alta de juros no radar, para setembro, a perspectiva segue positiva quando o assunto é entrada de capital estrangeiro. Na visão dos especialistas, nem mesmo a véspera das eleições, marcadas para o dia 02 de outubro, devem afastar os gringos do Brasil.

A atratividade deve permanecer tendo em vista o fim do ciclo de juros e um pouco mais de clareza em relação às eleições. Me parece que a tendência é muito mais o gringo voltar a investir no Brasil, em especial nessas ações de grandes empresas, do que tirar o capital do País”, afirma Danielle Lopes, sócia e analista de ações da Nord Research.

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Embora a disputa política já esteja no radar do mercado há meses, o início dos debates e sabatinas com os candidatos em agosto não trouxe nenhuma surpresa que pudesse causar grande volatilidade; veja a avaliação do mercado. Para Pazos na Warren, um segundo turno entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula (PT), com vitória do petista, como indicam as pesquisas de intenção de voto, já está precificado.

“Mesmo que tenha uma virada e o Bolsonaro ganhe, pouco importa. O mercado nacional e estrangeiro não parece ter um preferido. Se não tivermos nenhum movimento político muito brusco, a tendência é que o movimento positivo continue, porque essa estabilidade também atrai”, explica o analista.

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