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Juros: taxas têm viés de alta, mas câmbio faz contraponto

O contrato de DI mais líquido nesta quinta, para janeiro de 2025, girou cerca de 337 mil contratos

Por Denise Abarca, Estadão Conteúdo

20/10/2022 | 18:05 Atualização: 20/10/2022 | 18:20

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

O mercado de juros completou mais uma sessão fraca em termos de liquidez e de oscilação de taxas, que encerraram com viés de alta. O bom desempenho do real fez contraponto à nova escalada dos rendimentos dos Treasuries, amarrando as taxas perto da estabilidade ao longo do dia, enquanto os investidores monitoram a movimentação do xadrez eleitoral. Pela manhã, as taxas foram pontualmente pressionadas para cima pelo leilão de prefixados do Tesouro, que trouxe lotes e risco para o mercado maiores do que na semana passada.

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O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) mais líquido hoje, para janeiro de 2025, girou cerca de 337 mil contratos, ante média diária de 458 mil nos últimos 30 dias. A taxa fechou em 11,71%, de 11,66% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2024 ficou estável em 12,86% e a do DI para janeiro de 2027 encerrou em 11,56%, de 11,52%. O dólar à vista recuou 1,08%, fechando em R$ 5,2175. “O dia não é dos melhores lá fora, o que aqui reflete particularmente no mercado de juros, enquanto nos demais ativos há certa expectativa positiva com as eleições”, afirma o estrategista-chefe da CA Indosuez Brasil, Vladimir Caramaschi.

Os rendimentos dos Treasuries continuaram avançando nesta quinta, cada vez mais consolidados acima do nível de 4%, com a taxa de 10 anos superando 4,20% e a de 2 anos, 4,60%. O comportamento reflete o risco inflacionário nos Estados Unidos, que vai exigir mão pesada do Federal Reserve, como têm mostrado os discursos de dirigentes, ainda que vários deles hoje tenham evitado falar de política monetária.

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Na Europa, o cenário não é menos preocupante, com o Reino Unido no olho do furacão. Durou apenas 45 dias a passagem turbulenta da primeira-ministra Liz Truss sob o comando do governo, após o imbróglio do lançamento do pacote fiscal. “Ainda que revele uma enorme crise política do país, a substituição da primeira ministra elimina a chance de um política econômica desastrosa como ela vinha defendendo”, afirmam os economistas Bruno Tebaldi e Pedro Paulo Silveira, da Nova Futura Asset.

A proposta embutia amplo programa de corte de impostos e risco para a inflação, o que vinha trazendo estresse ao mercado de títulos e à libra que, hoje, com a renúncia de Truss, estancou a queda ante o dólar. Os gilts, porém, tiveram uma sessão volátil, com a taxa do papel de dez anos perto da estabilidade nos 3,91%.

Além da preocupação com a economia americana e crise política no Reino Unido, a escalada da guerra da Ucrânia e o futuro da economia da China completam o quadro externo considerado extremamente complexo neste momento. Segundo os profissionais da renda fixa, isso ajuda a explicar a liquidez mais baixa por aqui, mas também o compasso de espera pelo desfecho da corrida presidencial e da reunião do Copom.

As pesquisas eleitorais têm mostrado aproximação do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) à dianteira de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com alguns casos já de empate técnico. O mercado acredita numa agenda mais liberal do atual mandatário nas privatizações, mas o quadro fiscal, seja quem for o eleito, será complicado. De todo modo, para Caramaschi, há um certo alívio com a possibilidade de cenários “catastróficos”.

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No leilão de prefixados, o Tesouro encontrou demanda integral pelas 14 milhões de LTN e 1 milhão de NTN-F ofertadas e, segundo operadores, havia apetite até para mais. O risco em DV01 ficou em US$ 555 mil, de US$ 226 mil na última quinta-feira, de acordo com a Necton Investimentos.

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