Na prática, o fundo defendido perlo novo presidente da Petrobras, que assumiu o cargo no fim de janeiro, funcionaria como um “colchão” financeiro para segurar o preço da gasolina em momentos em que o combustível estiver em alta no exterior – uma possibilidade que o mercado financeiro detesta, como deixou claro o CEO da AZ Quest.
“Esse fundo do Prates é um dos maiores riscos fiscais e institucionais que temos no cenário hoje. A gente espera que não prospere, porque sabemos que vai dar muito errado no final”, disse Maciel. “Se passar, daqui a 4 anos a gente vai olhar o tamanho do rombo que ficou”, destacou o CEO da AZ Quest.
Walter Maciel esteve ao lado de Erich Decat, analista de risco político da Warren Renascença, e Victor Scalet, estrategista macro e analista político da XP, em um painel em que discutiram os impactos da política na economia e nos investimentos em 2023.
A criação do fundo de estabilização de preços de combustíveis está no radar do mercado desde que Prates foi indicado ao cargo de CEO da Petrobras, com a missão de estudar alternativas à atual política Preço de Paridade Internacional (PPI), da qual o presidente Lula (PT) é bastante crítico.
Outro ponto que também envolve os combustíveis e entrou na pauta do encontro foi a desoneração da gasolina. Como contamos aqui, depois que tomou posse no dia 1º de janeiro, um dos primeiros atos do novo governo foi assinar uma medida provisória (MP) que possibilita a isenção dos impostos federais sobre a gasolina por mais dois meses, com prazo até o próximo dia 28.
A expectativa agora é se, no fim do mês, a gestão optará por renovar ou acabar com a isenção, uma medida que devolveria alguns bilhões à economia do País. “Se a desoneração não for renovada, os juros futuros vão cair, o real vai se valorizar e a Bolsa vai subir. Se começa a se afastar do precipício, o mercado acha bom”, afirmou Maciel.