Não é para menos: o bitcoin (BTC) encerrou o mês com ganhos de mais de 38%, em seu melhor janeiro desde 2013, quando avançou 55%, além de ser seu melhor mês desde outubro de 2021, período em que subiu 40%. O ether (ETH), outro criptoativo de primeira grandeza, subiu 31% no mês.
Três criptoativos se destacaram no período: APT, moeda nativa do ecossistema Aptos, desenhado por ex-engenheiros do Facebook envolvidos no projeto Libra, que valorizou mais de 400%; MANA, token do metaverso Decentraland, com alta de 160%; e Solana, atingindo valorização de 150%.
O que nos aguarda para os próximos meses? Bem, é impossível prever. Ainda que eu esteja particularmente otimista com os preços, estou ainda mais otimista com a expansão do setor no Brasil e no mundo.
Acredito que a crescente aceitação institucional, em múltiplas indústrias, não é fruto de esforços de curto prazo, mas de um olhar que transcende a análise gráfica. Em 2014, essa visão construiu a base dos NFTs (tokens não-fungíveis), que se tornou a sigla do ano em 2021. Se for para cravar uma palavra do ano para 2023, eu diria “tokenização“.
Aqui no Brasil também temos um caso de persistência e um pouco de teimosia para chamar de nosso. Em 2019, enquanto diversas instituições financeiras tradicionais restringiam acesso a tudo que vinha do universo cripto, no MB demos nossos primeiros passos no que chamamos hoje de Renda Fixa Digital (RFD).
A espera rendeu: de apenas exchange, nos tornamos a maior plataforma de ativos digitais, com mais de R$ 200 milhões em ativos tokenizados. Criamos ativos tokenizados no mercado de precatórios, consórcios, imobiliário, recebíveis…Plantar durante momentos adversos é desafiador, mas pode oferecer recompensas que beneficiam negócios e ecossistemas.
A cada ciclo renovam-se as esperanças de novas tecnologias e inovações que podem surpreender o mercado positivamente. O Brasil deu o pontapé inicial para que essas construções vejam a luz do dia com a aprovação do Marco Regulatório da Criptoeconomia, Lei n.º 14.478/22, que define diretrizes para orientar o ambiente jurídico na proteção e defesa do consumidor.
Qual será o futuro desse ambiente? Nosso Banco Central (BC), por exemplo, vem desenvolvendo o piloto do real digital, que promete uma revolução tão grande quanto o bem sucedido Pix. Paralelamente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) busca aplicar a tokenização em seu laboratório de inovações financeiras, processo que implica na revisão ou adição de normativas regulatórias.
Agora, cabe entender quem será a autarquia federal responsável por organizar os próximos passos regulatórios, mas posso afirmar: a história provou que o caminho é amplo para os que enxergam o potencial da indústria e trabalham de acordo com as legislações vigentes. Enquanto nos Estados Unidos vemos um verdadeiro ataque orquestrado por parte dos reguladores ao ecossistema cripto, no Brasil a expectativa é totalmente positiva, no sentido de termos uma regulação que impulsione a inovação que o setor cripto pode trazer para o sistema financeiro.
Nas palavras do megainvestidor Warren Buffett, “uma pessoa só está sentada na sombra hoje porque alguém plantou uma árvore há um tempo atrás”.