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Colunista

A gamificação é uma ferramenta importante para a educação financeira

A Multiplicando Sonhos e a Anbima desenvolveram jogo que estimula adolescentes a fazerem escolhas financeiras

Por Evandro Mello

01/04/2023 | 7:20 Atualização: 31/03/2023 | 16:50

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Jovens demonstraram interesse em aprender com ferramentas de gamificação. Foto: Multiplicando Sonhos
Jovens demonstraram interesse em aprender com ferramentas de gamificação. Foto: Multiplicando Sonhos

Desenvolver estratégias de educação financeira para mudar o mundo é um trabalho para o ano todo, mas o evento Global Money Week, que ocorreu neste mês de março, foi importante para chamar a atenção para o tema e nos convidar a sair da zona de conforto.

Leia mais:
  • O que é fundamental para evitar endividamento pelo Fies
  • Como a educação financeira melhora a saúde mental e os relacionamentos
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Este ano, a Multiplicando Sonhos fez uma parceria com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) para desenvolver um projeto voltado para alunos de escolas públicas brasileiras – nosso foco de trabalho – em comemoração ao evento global para a conscientização financeira para crianças e adolescentes.

“Na escola pública, temos uma população que está mais vulnerável à volatilidade de renda, desemprego e desafios que aparecem na hora de organizar a vida financeira”, diz Marcelo Billi, superintendente de educação da Anbima. “Portanto, para essa população, ter essa oportunidade de aprender a lidar com o dinheiro tem um impacto muito grande.”

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Tendo em vista nosso público alvo, criamos a Safira, uma personagem fictícia baseada na realidade de jovens da periferia de São Paulo e protagonista de um jogo de tabuleiro de sete rodadas sobre educação financeira.

O jogo funciona assim: a cada rodada, é apresentado um cenário em que os participantes devem ajudar Safira a tomar decisões financeiras, mesmo com poucos recursos disponíveis.

Assim como muitos jovens que conhecemos nas escolas visitadas pela Multiplicando Sonhos, Safira é irmã mais velha, filha de mãe solo, trabalha e precisa ajudar nas contas de sua casa. A família, como a maioria das famílias brasileiras, está endividada – o que gera identificação, aumentando o interesse pelo jogo e acelerando o aprendizado.

Gamificação na prática

Ao longo dos dias 20 e 24 de março, levamos Safira e seu tabuleiro, que representava a jornada de vida financeira dela, para mais de 90 salas de aula e incentivamos partidas dos jovens da periferia paulistana.

Nosso objetivo: trazer consciência em relação ao uso do dinheiro para esses adolescentes e sair do conceito de educação financeira da internet, aplicando-a presencialmente e de maneira personalizada.

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No desenvolvimento do jogo, utilizamos a metodologia de aprendizagem da Multiplicando Sonhos que é focada em experiência, pela qual buscamos incentivar o aluno a colocar a mão na massa, tomando decisões como se fosse a vida dele. Muita técnica utilizada com um único objetivo: transformar.

“Foi um sucesso. Mais uma vez, a gamificação – o emprego de técnicas comuns aos games em contextos distintos para motivar ou tornar uma tarefa mais prazerosa – se mostrou extremamente eficiente”, diz Andréa Tavares, diretora de Educação da Multiplicando Sonhos..

“Achei que foi um jogo interessante para mostrar para a gente como ter o mínimo de responsabilidade em relação à educação financeira. E foi uma proposta divertida para a gente entender melhor sobre o assunto”, afirma Giovana Ferreira, uma das estudantes que participou da dinâmica.

Interesse por educação financeira precisa ser cultivado aos poucos

O jogo consiste em criar interesse nos jovens pela educação financeira e estimulá-los a aplicar, de maneira prática, os conhecimentos que já têm sobre o tema. Dessa forma, é claro, deve ser acompanhado de aulas sobre finanças – que é o que fazemos na Multiplicando Sonhos.

“É muito fácil falar que os adolescentes não têm interesse por uma vida financeira quando você simplesmente não os provoca sobre isso. Estando aqui hoje, nós conseguimos ter esse cenário muito diferente”, ressalta Gisele de Paula, analista de educação da Anbima.

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Entender os jovens e falar a língua deles, seja trazendo exemplos próximos à realidade deles nas aulas ou criando jogos e outros artifícios que são interessantes, é essencial. É o primeiro passo para plantar uma sementinha que, se regada, dará frutos.

A Anmbima tem diversos programas de educação de investidores, mas entende que eles são posteriores a um processo de educação financeira que, preferencialmente, deve começar nas escolas. “Afinal, você só consegue se tornar investidor, depois que organizou suas finanças e consegue começar a poupar e aplicar”, diz Marcelo. “Essa necessidade de fomentar as iniciativas de educação financeira em geral no Brasil é muito evidente para nós da ANBIMA”, reforça o superintendente.

Por isso, a parceria com a Multiplicando Sonhos está apenas no começo. E o jogo da Safira, que nasceu para a Global Money Week, certamente não durará apenas uma semana.

A Global Money Week acabou no ultimo dia 26. Tivemos muitos alunos ganhadores do jogo e de medalhas, mas a vitória foi mais uma vez da educação financeira e das escolas públicas que nos permitiram plantar essa semente.

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Se você quer ser um voluntário e nos ajudar a multiplicar a educação financeira nas escolas públicas junte-se a nós: processo seletivo para professor.

Colaboração: Giovanna Castro

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