Considerando os efeitos não recorrentes, o prejuízo líquido ajustado foi de R$ 33,9 milhões no trimestre, ante lucro ajustado de R$ 11,2 milhões um ano antes.
Nesta sexta-feira (8), as ações reagem mal. Às 12h09, a MGLU3 tinha queda de 7,68%, a R$ 7,33.
A receita líquida somou R$ 9,2 bilhões no trimestre, queda de 2,0% na comparação anual, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado caiu 5,4%, para R$ 717,6 milhões. Ainda assim, a margem Ebitda ajustada ficou em 7,8%.
A companhia atribuiu o desempenho à combinação de maiores despesas financeiras e ao cenário ainda pressionado para o consumo, apesar da manutenção da disciplina operacional e da expansão das margens.
Mercado se divide sobre recuperação
Na avaliação do Citi, o resultado ficou abaixo das expectativas, com destaque negativo para o desempenho online e o impacto final no lucro líquido. Em relatório, o banco diz que o 1T26 reforça sua leitura de que a companhia está “cada vez mais se voltando para suas raízes de lojas físicas”, um movimento “sensato” na avaliação do Citi, já que a concorrência do ambiente online está cada vez mais intensa.
No entanto, o caminho para uma recuperação sustentada de lucros no Magalu pode continuar desafiador em um ambiente de consumo fraco e taxas de juros mais altas por mais tempo. O Citi pontua que o preço do papel ainda não reflete totalmente o desafio operacional à frente, motivo que faz o banco permanecer cauteloso. A recomendação para MGLU3 segue venda, com preço-alvo de R$ 7.
Em coletiva concedida na manhã desta sexta-feira (8), o presidente da companhia, Frederico Trajano, disse que a empresa não vai entrar em guerra de preços no online, com movimentos de preços “irracionais” dos concorrentes, e que pretende retomar a abertura das lojas físicas. Em relatório, o BB Investimentos destacou que o crescimento no volume de vendas físicas não foi suficiente para impedir o prejuízo no trimestre no 1T26.
O banco destaca que percebe uma melhora operacional gradual, com otimização das despesas operacionais, que cresceram abaixo da inflação, demonstrando esforços da companhia em otimizar sua operação “core” de vendas via canais físicos e digitais, enquanto amadurece linhas de negócio secundárias que agregam potencial de crescimento consolidado e captura de sinergias.
Ainda assim, entende que o processo de recuperação do Magalu será gradativo, exigindo “grande foco na operação de cada linha de negócio, adicionando complexidade tanto na execução por parte da gestão, como à análise dos números por parte dos investidores, dado que os resultados dessas linhas secundárias de negócios ainda não são totalmente abertos ao mercado”. O BB mantém a recomendação de MGLU3 como neutra, com preço-alvo de R$ 9,60.
O BTG também achou os números do 1T26 fracos, abaixo do que tinha de expectativa para a varejista, mas manteve a recomendação de compra dos papéis, com preço-alvo de R$ 12 por ação. Em relatório, o banco destacou que o desempenho operacional do Magalu deve permanecer limitado por dinâmicas de demanda ainda fracas em categorias altamente cíclicas, como eletrônicos e eletrodomésticos; intensificação da concorrência no e-commerce brasileiro; e taxas de juros elevadas, que continuam a pressionar tanto a demanda dos consumidores quanto as despesas financeiras.
“Por outro lado, a empresa continua a demonstrar uma melhora na disciplina operacional, com melhor gestão de margens, tendências de crédito mais saudáveis e uma execução mais forte nas lojas físicas, ajudando a compensar parte da pressão na receita bruta”, diz. “Embora ainda esperemos que o crescimento permaneça contido nos próximos trimestres, particularmente no canal online, os resultados recentes continuam a reforçar o foco da gestão na lucratividade, preservação de caixa e ganhos de eficiência, em vez de uma expansão agressiva de participação de mercado.”
*Com informações do Broadcast