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Comportamento

Soft e Hard Skills das finanças: 6 habilidades para investir

Inteligência emocional, paciência e organização são algumas delas

Por E-Investidor

09/10/2020 | 16:30 Atualização: 08/12/2023 | 17:35

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Habilidades mentais, comportamentais, emocionais e sociais que individualizam o ser humano e contribuem para a sua carreira. Assim costumam ser definidas as soft skills, características que acabam diferenciando uma pessoa de outra.

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Apesar de muito relacionadas ao crescimento profissional, seja em uma companhia ou até mesmo em trabalhos autônomos, essas habilidades interpessoais também podem ser bastante importantes àqueles que desejam começar a investir em ações.

Enquanto as ‘soft skills’ envolvem aspectos ligados a habilidades que são avaliadas a partir de aspectos qualitativos e subjetivos, o termo ‘hard skills’ se relaciona às habilidades técnicas necessárias para realização de um trabalho.

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Além disso, conseguimos dimensionar o tempo que as hard skills levarão para serem desenvolvidas e elas também são mais facilmente mensuráveis.

É o caso, por exemplo, da análise de fluência em um idioma ou do domínio de uma tecnologia.

De forma simplificada, “as soft skills são competências comportamentais enquanto as hard skills são habilidades técnicas”, explica Ana Cláudia Bilhão Gomes, da Escola de Gestão e Negócios da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Não é exagero afirmar, portanto, que as hard skills seriam uma porta de entrada, enquanto as soft skills seriam o caminho de permanência e de destaque.

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Pensando nisso, o E-investidor conversou com especialistas para destacar as principais habilidades necessárias a quem deseja dar o primeiro passo para investir. Confira:

1. Inteligência emocional

Quando se fala em investimentos, fala-se também de riscos. Eles podem, é claro, ser maiores ou menores, dependendo do tipo de ação escolhida, mas investir sempre será arriscado em algum grau. Por isso, a gestão de emoções é bastante importante.

É preciso saber lidar com o medo de perder dinheiro, com a euforia de estar ganhando e com a ansiedade diante dos altos e baixos da Bolsa de Valores, por exemplo.

“A inteligência emocional é responsável por mais da metade da performance profissional de qualquer pessoa, independentemente da área de atuação. Ela é a base das soft skills”, diz Hendel Favarin, co-fundador da Conquer, escola de negócios voltados à nova economia.

O especialista reforça que “um profissional mais resiliente, mais comunicativo e que suporta o estresse precisa ter como base a inteligência emocional. Para quem investe dinheiro em ações não é diferente. Já dizia Warrent Buffett, ‘se você não pode controlar as suas emoções, não pode controlar o seu dinheiro”.

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No entanto, para desenvolver as soft skills necessárias para lidar com investimentos é preciso paciência, disciplina e consistência, um trabalho de médio a longo prazo.

2. Suporte à pressão e tolerância ao erro

A inteligência emocional está intimamente ligada a suportar pressões, especialmente quando o investimento é realizado em ações mais arriscadas e de retorno rápido.

“Por ser um terreno arriscado e bastante competitivo, a pessoa precisa ter controle emocional e saber lidar e suportar a pressão”, diz Victor Richarte Martinez, supervisor do Núcleo de Pessoas (Nupo) da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

O especialista explica que, “em relação à Bolsa e às oscilações e comportamento do mercado, é interessante ter leitura das movimentações do mercado. Se a pessoa for descontrolada, mais suscetível às variações, ela tende a ser mais impulsiva”.

Sobre a renda variável, em que a pressão é maior, Martinez diz que, “dependendo da situação do mercado, os investidores precisam tomar decisões de maneira muito rápida. Com a inteligência emocional “calibrada”, o investidor se mantém minimamente em equilíbrio diante de quedas no mercado e perdas em sua carteira”.

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É preciso também destacar a tolerância ao erro e a perdas, já que investir em determinadas categorias significa apostar em alternativas com maiores retornos e um maior risco.

Portanto, o investidor precisa desenvolver sua capacidade de tolerância a perdas para conseguir ousar e angariar maiores ganhos.

3. Paciência e organização

A paciência também é apontada pelos especialistas como uma habilidade crucial para quem precisa lidar com investimentos. Ela é essencial para investimentos tradicionais e de longo prazo – como um Título do Tesouro com vencimento em 2035, por exemplo.

No entanto, é uma virtude que deve ser seguida para quem trabalha com ações de retorno rápido também, pois é preciso ter paciência para fazer o movimento correto e não se descontrolar. A paciência, aliás, está muito ligada ao autoconhecimento.

“Acredito que a paciência seja importante para qualquer investimento, pois nos cercamos cada vez mais com a ilusão de que em pouco tempo podemos dobrar, até triplicar, nossos recursos. Infelizmente, não é bem assim”, comenta Emanuelle Nava Smaniotto, docente da Unisinos.

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A paciência está intrinsecamente ligada à organização, já que, para investir, é preciso ser minimamente organizado.

É importante poupar um percentual de renda todo mês, ter organização para gerenciar os investimentos e acompanhar as notícias do mercado para, assim, estar melhor preparado e informado para alocar os investimentos.

4. Tomada de decisão e liderança

A tomada de decisão a respeito de investimentos (independentemente das circunstâncias da aplicação) é uma soft skill coringa, pois para investir o dinheiro a pessoa deve saber que existe um risco e, ainda assim, deve fazer uma escolha.

“Já sobre a liderança em relação a aplicações, temos que entender que envolve uma visão de futuro. Liderança tem a ver com influenciar e ser influenciado. Se a pessoa for um gestor, um líder, tem que entender que essa aplicação pode trazer risco para a sua empresa e seu corpo de funcionários”, alerta Victor Richarte Martinez, da ESPM.

Embora a tomada de decisões seja essencial e básica, o especialista reforça que muitas pessoas ainda não investem nisso, o que pode impactar negativamente as finanças.

5. Adaptabilidade

O mercado é dinâmico, portanto, a adaptabilidade deve ser desenvolvida pelos investidores, que precisam estar atentos aos movimentos e se adaptar às mudanças.

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Isso é necessário para que seja possível continuar tomando as melhores decisões de investimento.

Muito ligada à tomada de decisão, visão crítica e criatividade, além, é claro, do controle emocional, a adaptabilidade, enquanto capacidade ou competência, acabaria sendo uma espécie de guarda-chuva desses fatores.

“A adaptabilidade tem tudo a ver com resiliência e inteligência emocional. Temos que estar abertos ao novo e às novas experiências. Não faz sentido esperar o momento ‘certo’, pois a ‘estabilidade’ não existe. Precisamos agir em meio às incertezas”, reforça Hendel Favarin, da Conquer.

6. Uma combinação de hard e soft skills

O desenvolvimento de determinadas soft skills é fundamental para quem deseja investir, mas isso não anula a relevância das hard skills de finanças.

Como já dito, as hard skills são habilidades mais técnicas, que podem ser aprendidas por meio de estudo.

Apesar da importância do autoconhecimento, desafios pessoais, relacionamento interpessoal, bem como passar por determinadas experiências e situações, o conhecimento técnico também é imprescindível para investir.

“As pessoas associam finanças à matemática, pensam que se trata de uma ciência puramente exata. A teoria financeira, porém, possui a linha comportamental há muito tempo”, opina Emanuelle Nava Smaniotto, docente da Unisinos.

“Os indivíduos não são máquinas e seus sentimentos e vivências irão alterar as decisões que farão sobre os seus investimentos. Assim, podemos pensar que se finanças não são uma ciência completamente exata e o investidor não conseguirá o máximo de sucesso somente por meio do desenvolvimento de suas hard skills”, diz.

A especialista ainda reforça que, “um investidor que não possui inteligência emocional, provavelmente ficará muito abalado diante de uma perda e, consequentemente, poderá ter suas futuras decisões de investimento abaladas”.

Portanto, uma habilidade completa a outra, de forma que as soft skills conferem força ao conhecimento técnico.

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