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Tempo Real

Dólar hoje: moeda sobe e bate R$ 5,52, o maior valor desde novembro de 2022

Real exibe o segundo pior desempenho entre moedas emergentes, atrás do peso colombiano

Por Murilo Melo

26/06/2024 | 11:00 Atualização: 26/06/2024 | 15:23

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

O dólar à vista é negociado a R$ 5,514, às 15h20 desta quarta-feira (26), após chegar a bater R$ 5,5216 na abertura do pregão, o que representa 1,12% a mais que na terça-feira (25). O valor é o maior desde 17 de novembro de 2022, quando a moeda americana chegou a valer R$ 5,5298 frente ao real.

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Outro dado assombra o mercado financeiro desde o começo do dia: a moeda brasileira exibiu o segundo pior desempenho entre moedas emergentes, atrás do peso colombiano. O dólar subia 1,0% ante o real e 1,10% ante peso colombiano.

Ao Broadcast, o analista de mercado da Stonex, Leonel Mattos, afirmou que o mercado está reagindo à aversão ao risco em relação aos ativos brasileiros. A aversão ao risco geralmente ocorre quando investidores estão preocupados com a estabilidade econômica e política do país, bem como com possíveis mudanças nas políticas econômicas que podem afetar os investimentos. “Há pessimismo e desconfiança em relação à condução das políticas fiscal e monetária, mas com maior peso para o fiscal”, analisa.

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Mattos também observa que o presidente Lula está discutindo e descarta a desvinculação do BPC das pensões do salário mínimo, uma das medidas de arrecadação que está sendo estudada para ajudar nas contas públicas. O presidente Lula afirmou que “não considera isso como despesa”.

De acordo com Mattos, o IPCA-15 de junho, abaixo das expectativas medianas, está em segundo plano. Ele sugere que o dólar acima de R$ 5,50 pode ainda motivar exportadores a vender, o que poderia reduzir os ganhos da moeda durante a sessão.

O que fez o dólar disparar?

No dia anterior, o dólar norte-americano registrou um avanço de 1,16%, alcançando a marca de R$ 5,4534. Esse movimento, segundo especialistas ouvidos pelo E-Investidor, reflete um cenário de volatilidade nos mercados financeiros, influenciado por uma série de fatores econômicos e políticos tanto internos quanto externos.

Ao longo da semana, a moeda acumulou um pequeno aumento de 0,23%, enquanto no mês apresentou um ganho mais significativo de 3,89%. No acumulado do ano, o dólar valorizou-se expressivos 12,38%, destacando-se como um dos ativos financeiros mais impactados pelas dinâmicas econômicas globais e pelas expectativas em relação às políticas monetárias e fiscais no Brasil.

Se na segunda-feira (24) o dólar caiu com a cautela dos investidores quanto ao anúncio dos dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos, ontem sua máxima ocorreu por três motivos, segundo o mercado financeiro: análise dos investidores em relação à ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), as declarações do diretor do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e também de Michelle Bowman, diretora do Federal Reserve (Fed), o banco dos EUA.

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Na ata, o Copom disse que a reancoragem das expectativas de inflação é considerada pela diretoria do BC como um fator determinante para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida. O Banco Central também informou um ajuste marginal em seus modelos, aumentando a hipótese de taxa de juros real neutra – aquela que não estimula nem retrai a economia – de 4,5% para 4,75%.

Em videoconferência promovida pela corretora de investimentos Warren, Galípolo disse que o Banco Central não estabelece metas para o câmbio ou o diferencial de juros, mas foca exclusivamente na meta de inflação, que deve ser cumprida rigorosamente. Segundo ele, a moeda brasileira acompanhou o movimento de outras divisas de países emergentes, registrando alta em relação ao peso mexicano e valorização ante o rand sul-africano.

Enquanto isso, a dirigente do Banco Central dos Estados Unidos, Michelle Bowman, afirmou que manter a taxa de juros elevada por um período prolongado será necessário para controlar a inflação. Ela destacou que a inflação continua alta e há vários riscos que podem aumentar ainda mais a inflação, influenciando sua visão econômica. Bowman também disse que observará atentamente os dados futuros para avaliar se a política monetária dos EUA é suficientemente restritiva para reduzir a inflação para a meta de 2% ao longo do tempo.

O que esperar do câmbio no restante de 2024?

No início do ano, esperava-se que o dólar encerrasse 2024 próximo a R$ 5, mas essa perspectiva está perdendo respaldo no mercado. Segundo o Boletim Focus mais recente, a expectativa agora é de R$ 5,13, enquanto há apenas uma semana era de R$ 5,05.

O Itaú BBA, entre outros, elevou sua projeção nas últimas semanas, agora estimando o dólar a R$ 5,15 em dezembro. A valorização da moeda americana e o ambiente econômico desafiador no Brasil levaram a esse ajuste, com previsões ainda mais altas para 2025 e um aumento na taxa Selic esperada para 10,25%.

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Outras instituições também ajustaram suas previsões de câmbio para o fim de 2024 devido à valorização do dólar. A Ativa Investimentos, por exemplo, que previa R$ 5,10 até abril, agora projeta R$ 5,30. O C6 Bank tem uma visão semelhante. A Ágora Investimentos, que inicialmente via o dólar a R$ 5,10, já indicou a intenção de revisar essa projeção, destacando a maior probabilidade de o dólar alcançar R$ 5,50 no curto prazo em vez de retornar a patamares mais baixos como R$ 4,80.

Como a alta do dólar afeta a sua vida?

O dólar exerce um impacto direto sobre o preço dos produtos importados adquiridos pelos consumidores brasileiros no varejo. Além desses produtos, o câmbio também pode estar embutido em itens fabricados no Brasil, especialmente aqueles que dependem de insumos importados, como fertilizantes na agricultura e peças para montadoras de veículos.

“O dólar é a moeda mais forte do mundo e é por meio dela que são negociada as principais commodities e os principais produtos do nosso dia a dia. Ou seja, uma alta do dólar faz com que a gente tenha produtos mais caros, que haja inflação”, comentou Victor Furtado Pinheiro, head de Alocação da W1 Capital.

A valorização do dólar também pode influenciar a política monetária. Em períodos de valorização da moeda americana, a economia brasileira pode perder atratividade para investidores internacionais, aumentando a pressão inflacionária. Como resposta, o Banco Central pode optar por manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em níveis elevados. Essa medida visa conter a escalada de preços ao desencorajar o consumo e atrair investidores com retornos mais atrativos em títulos públicos brasileiros.

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