“À medida que esse cenário foi re-precificado, o Brasil sofreu. Além disso, os riscos domésticos em relação às políticas fiscal e monetária pesaram sobre os preços dos ativos do Brasil”, dizem Fernando Ferreira, Jennie Li, Júlia Aquino e Felipe Veiga, que assinam o relatório da XP Investimentos.
Os analistas reforçam que dados históricos indicam que o Ibovespa é um grande beneficiário do ciclo de flexibilização das taxas de juros dos EUA, superando seus pares globais antes e depois que o Fed inicia um ciclo de flexibilização. Eles reforçam que, nos últimos 6 ciclos de flexibilização dos EUA, as ações brasileiras subiram 30%, em média, um ano após o primeiro corte de taxa dos EUA, superando os mercados emergentes e desenvolvidos.
Eles comentam que os dados da economia americana mostram que o afrouxamento monetário nos EUA está próximo, o que tende a aliviar o Ibovespa. “A nossa equipa de Macro XP espera que o Fed corte pela primeira vez na reunião de dezembro, mas atribui um risco negativo a esta previsão, de uma visão mais equilibrada anteriormente”, dizem Ferreira, Li, Aquino e Veiga.
Caso esse corte de juros dos EUA se confirme, e o Ibovespa não tenha grandes problemas em seu caminho, como a piora do quadro fiscal. O índice tende a caminhar para o seu preço justo. A corretora calcula o seu valor justo com base em alguns múltiplos, que, segundo ela, estão abaixo da média histórica. A metodologia DCF (fluxo de caixa descontado), na qual a corretora assume uma WACC (média ponderada de custo de capital) de 12,9%.
Os especialistas também trabalham com um modelo de Preço sobre Lucro (P/L), que assume um múltiplo de 9,0 vezes, e mesmo assim abaixo da média histórica de 11 vezes. A terceira metodologia é o múltiplo Valor da empresa sobre os Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EV/EBITDA) de 5,3 vezes, também abaixo da média histórica de 6,5 vezes.
“Com base nos nossos motivos e precificações, estimamos que o Ibovespa deve encerrar o ano cotado a 145 mil pontos, uma alta de 17% em relação ao fechamento de sexta-feira (28), quando o Ibovespa encerrou o pregão cotado a 123.906,55 pontos”, explicam Ferreira, Li, Aquino e Veiga.