A expectativa, com base na opinião de Maluhy Filho, é de que os Fed Funds (taxa de juros dos EUA) encerrem o ano no intervalo de 4,5% a 4,75% ao ano. “Estimamos três cortes de juros de 0,25 ponto porcentual nos EUA, que devem começar em setembro. Se isso acontecer, a cotação do dólar deve ficar um pouco mais baixa que a dos patamares atuais”, diz o presidente do Itaú.
Na última segunda-feira (5), o dólar chegou a bater R$ 5,86 nas máximas, conforme esta reportagem. No entanto, o mercado entrou em calmaria no dia seguinte e a moeda dos EUA encerrou a terça-feira (6) cotada R$ 5,65.
No cenário local, o executivo comenta que as questões fiscais chegaram a pesar no preço da moeda americana ante real. Entretanto, Maluhy afirma que acredita que o governo tem feito esforços para entregar o arcabouço fiscal e que esse não é único motivo para a recente disparada da moeda. “A gente observa uma leve piora na balança comercial, com as importações crescendo em detrimento das exportações. Vale lembrar que dólar alto não é um problema, o problema é o dólar elevado por um longo período de tempo”, explica.
Além do dólar, inflação preocupa o CEO do Itaú
Para outras questões macroeconômicas brasileiras, Maluhy Filho manifestou preocupação com a inflação. Segundo ele, a perda de valor da moeda brasileira é um dos maiores problemas da desigualdade social. Isso porque, lembra ele, a inflação acelerada corrói o poder de compra dos mais pobres.
Justamente por causa desse temor de inflação acelerada, o presidente do banco calcula que a taxa Selic deve encerrar o ano a 10,50%. “Estimamos a Selic a 10,50% até o fim de 2024. Acreditamos que essa decisão cabe ao Banco Central, mas estimamos que a instituição tomará a decisão correta para reduzir os riscos da inflação, que afeta os mais pobres”, argumenta Maluhy Filho.
Chance de recessão nos EUA é baixa
Durante a coletiva com os jornalistas, o presidente do maior banco privado do país também observou que a chance de recessão nos EUA é baixa e, por isso, o banco não deve reduzir o apetite para concessão de empréstimos. A semana começou turbulenta para os mercados após a bolsa de valores do Japão desabar 12,40%, na maior queda diária desde 1987. A baixa ocorreu após o mercado temer uma recessão americana devido aos dados da geração de empregos dos EUA, que ficaram abaixo do esperado
“A chance de recessão na economia americana é baixa. O que a gente vê são ambos indicadores econômicos em territórios positivos. Por isso, esperamos um crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. Naturalmente, no Japão houve um movimento muito específico. No entanto, os EUA possuem uma alavanca poderosa, que é a política monetária”, relata. Maluhy Filho.
Além de falar sobre o dólar e questões econômicas, o presidente do Itaú revelou a data de divulgação dos dividendos extraordinários. Para saber a data do pagamento dos proventos e quais são as estimativas dos analistas, leia esta reportagem.