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Educação Financeira

IPCA em alta: veja como a inflação afeta seus investimentos

Além de afetar o poder de compra, a inflação também impacta os investimentos — negativamente e favoravelmente; entenda

Por Janize Colaço

09/08/2024 | 12:10 Atualização: 09/08/2024 | 12:10

Inflação e investimentos em renda variável e fixa. (Foto: Adobe Stock)
Inflação e investimentos em renda variável e fixa. (Foto: Adobe Stock)

A inflação no Brasil atingiu o teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Na manhã desta sexta-feira (9), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou 0,38% em julho e, no acumulado dos últimos 12 meses, alcançou 4,5%. De maneira simplificada, isso significa que a capacidade de compra da nossa moeda está diminuindo, enquanto os custos para os brasileiros e empresas sobem. Mas como ficam os investimentos nesse cenário?

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André Valério, economista sênior do Inter, explica que o resultado da inflação de julho foi preocupante, pois mostra uma deterioração das medidas que deveriam ser mais sensíveis à política monetária — que atualmente mantém a taxa básica de juros (Selic) a 10,5% ao ano. “Chama a atenção a reaceleração da inflação de serviços, especialmente em meio ao mercado de trabalho aquecido, o que pode se mostrar um empecilho para o processo de desinflação e eventual retomada de cortes de juros.”

Ainda assim, para o economista a melhora no cenário internacional e consequente impacto no câmbio pode contribuir para evitar um cenário pior. “Mantemos nossa visão de Selic constante em 10,5%, patamar que consideramos restritivo suficiente considerando o horizonte mais longo, mas caso o repique de hoje se mostre mais persistente, associado a uma reversão da melhora do cenário externo, a discussão de necessidade de alta nos juros poderá ser inevitável”, diz Valério.

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Ou seja, para além de ser um fenômeno econômico que afeta diretamente o poder de compra — e, consequentemente, o desempenho dos investimentos — ela pode trazer consigo juros mais altos. No Brasil, onde a Selic está alta na casa dos dois dígitos há dois anos e a volatilidade econômica é uma constante, entender como a inflação impacta os investimentos é crucial, seja para evitar prejuízos ou mesmo lucrar com ela.

Com a inflação afeta o investimento em ações

O mercado de capitais é diretamente influenciado pela inflação. Afinal, ela afeta o desempenho das empresas e o valor de suas ações. Mesmo assim, em períodos de IPCA alto, alguns setores podem se beneficiar, enquanto outros enfrentam dificuldades significativas.

Ações que ganham com a inflação alta

  • Commodities: empresas do setor de commodities, como petróleo, gás, mineração e agricultura, tendem a se beneficiar durante períodos de inflação alta. Isso porque os preços das commodities geralmente sobem junto com a inflação, impulsionando as receitas dessas empresas. Na Bolsa de Valores brasileira, é possível encontrar grandes companhias como Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), e empresas agrícolas como SLC Agrícola (SLCE3) podem ver seus lucros aumentarem em cenários inflacionários.
  • Energia e utilidades: os investimentos no setor de energia e serviços públicos (utilities) também podem ser favorecidos com a inflação alta. As companhias costumam ter contratos indexados ao IPCA, o que permite repassar o aumento dos custos diretamente para os consumidores, mantendo suas margens de lucro. A Eletrobras (ELET3) e outras distribuidoras de energia são exemplos de empresas que podem se beneficiar.
  • Financeiro: quando a inflação sobe, os bancos centrais tendem a aumentar as taxas de juros para conter o aumento dos preços. Com taxas de juros mais altas, os bancos podem cobrar mais pelos empréstimos, aumentando suas margens de lucro. Entre os nomes do setor no Ibovespa, os destaques ficam com Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4).

Ações que perdem com a inflação alta

  • Consumo discricionário: empresas do setor de consumo discricionário, como varejo, turismo, e entretenimento, tendem a sofrer durante períodos de inflação alta. O aumento nos preços corrói o poder de compra dos consumidores, levando a uma diminuição nas vendas e, consequentemente, nos lucros. No Brasil, redes de varejo como Magazine Luiza (MGLU3) e empresas de viagens como CVC (CVCB3) podem enfrentar desafios em ambientes inflacionários.
  • Tecnologia: o setor de tecnologia, que muitas vezes opera com margens de lucro mais apertadas e precisa de capital intensivo, também pode ser prejudicado pela alta inflação. O aumento dos custos operacionais e a menor disponibilidade de crédito podem restringir o crescimento de empresas de tecnologia, como Locaweb (LWSA3) e Totvs (TOTS3).

Como a inflação afeta os investimentos em renda fixa?

Para quem está querendo fugir dos riscos da renda variável, mesmo os investimentos em renda fixa, tradicionalmente considerados mais seguros, também são impactados pela inflação. A rentabilidade desses ativos pode ser significativamente corroída pelo aumento generalizado dos preços, mas também é possível rentabilizar com esse cenário.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto, especialmente os títulos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+), é uma opção interessante em períodos inflacionários. Esses títulos oferecem uma remuneração composta por uma taxa de juros fixa, acrescida da variação da inflação, protegendo o investidor da corrosão do poder de compra.

Por outro lado, os títulos prefixados (Tesouro Prefixado) podem ser mais arriscados. Isso porque a inflação alta pode superar a rentabilidade acordada no momento da compra, resultando em perdas reais.

CDB, LCI/LCA e CDI

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCI/LCA) são opções populares entre os investidores de renda fixa. Quando indexados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), esses produtos tendem a oferecer rentabilidade que acompanha a taxa básica de juros, que geralmente sobe em resposta à inflação.

Assim, esses investimentos podem oferecer proteção parcial contra a inflação. No entanto, é importante estar atento às taxas oferecidas no momento da aplicação. Em períodos de inflação alta, os produtos que oferecem taxas mais baixas podem não ser suficientes para proteger o poder de compra do investidor.

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