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Colunista

3 lições que aprendi com uma investidora da comunidade

Jéssica Marins contou como foi de trabalhadora em um lixão até o voo para a Bolsa de Valores

Por Carol Sandler

08/02/2021 | 7:45 Atualização: 08/02/2021 | 7:45

Receba esta Coluna no seu e-mail

Receber um salário de R$ 2 mil ao mês e ter R$ 55 mil investidos é algo quase impensável em um país cujo custo de vida é tão alto para as classes menos favorecidas – conforme o Ipea já apontou diversas vezes.

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Esta é a história da Jéssica Marins, uma professora de educação infantil que mora em uma comunidade no Acari, no Rio de Janeiro. Em 30 minutos de conversa, ela me contou como foi de trabalhadora em um lixão até a conquista do diploma de pedagoga e, claro, o voo para a Bolsa de Valores.

Longe da meritocracia: ela é uma entre milhões de pessoas que mal conseguem se alimentar. Por isso, decidi garimpar este relato, que é ouro puro, para trazer três lições que todos nós precisamos entender, seja para investir melhor ou para viver com mais prosperidade.

1) Conhecimento é tudo

Não é por acaso que Jéssica é pedagoga: ela sentiu na prática como o ensino faz toda a diferença na hora de levar sua vida para outro patamar – e isso também se aplica à hora de investir.

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Ninguém nasce com o chip de como operar a Bolsa. Ela sabia disso – e procurou ajuda em livros e canais de YouTube, como o Finanças Femininas, para entender como essa história de fazer o dinheiro se multiplicar funcionava.

A professora fez o que todo brasileiro deveria: saiu da poupança. A princípio, colocou os pés no Tesouro Direto e, conforme a sede aumentava, foi escalando e buscando mais conhecimento.

Hoje, sua carteira de investimentos é composta por renda fixa – afinal, ela também aprendeu que todos precisam ter um pezinho no que é seguro –, fundos imobiliários e ações, com foco em receber dividendos e realocar os lucros em empresas que conhece (e Jéssica, claro, pesquisa sobre o assunto).

Cada escolha da Jéssica é baseada em conhecimento e estudo.

2) É preciso começar de algum lugar

Ao longo dos meus anos como educadora financeira, perdi a conta de pessoas que me procuravam dizendo que tinham pouco para investir.

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Mas, afinal, o que é pouco?

Cada uma me respondia de um jeito: R$ 100, R$ 5 mil, R$ 50 mil.

No caso da Jéssica, o começo foi aplicando de R$ 200 a R$ 300 por mês – mais de 10% do seu salário. Isso só foi possível depois de um senhor corte de gastos.

Porém, seus objetivos são ambiciosos (e você verá no próximo tópico), o que a levou a uma medida que eu sempre recomendo para quem ganha pouco: buscar renda extra.

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O pouco da Jéssica acabou virando muito e, com a grana que veio dos trabalhos paralelos, chegou a investir R$ 2 mil em meses de vacas gordas. Assim, ela fica cada vez mais perto de conquistar um dos seus maiores sonhos: a casa própria.

3) Tenha um objetivo

Hoje, Jéssica mora em uma casa doada pelo Governo – de cimento e tijolo, diferente daquela de madeira onde ela morou. Mas, agora, ela mira em dar mais conforto para sua filha.

“Eu sou muito grata pelo que eu tenho no presente, mas aprendi a sonhar e batalhar pelos meus sonhos. Isso me motiva, me faz continuar investindo e acordando cedo para trabalhar.”

Essa fala, talvez, resuma toda a vida da professora. É o que a faz remar tanto – e que tanto nos ensina. De que adianta guardar dinheiro por guardar, ou trabalhar por trabalhar? Viver por viver?

Todos precisamos de um norte, seja para investir ou viver.

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E o seu, qual é?

*Contribuiu para esta coluna: Ana Paula de Araujo, editora do Finanças Femininas 

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