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Mercado

Ibovespa recua, com dados do desemprego, IOF e tarifas de Trump em foco; dólar cai

Decisão de corte de comércio americana ocorre após processos judiciais que argumentam que taxas excederam a autoridade do presidente - mas o governo recorreu

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

29/05/2025 | 9:45 Atualização: 29/05/2025 | 17:58

Ibovespa é o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, a B3 (Foto: Adobe Stock)
Ibovespa é o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, a B3 (Foto: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje fechou em queda após dados do emprego levemente melhores que o esperado e o debate sobre as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ofuscarem o exterior positivo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estítica (IBGE), o Brasil registrou a menor taxa de desemprego da série histórica para o trimestre encerrado em abril, que ficou em 6,6%, número mais baixo que as estimativas do Broadcast, que esperava uma taxa de desemprego maior entre 6,7% a 7,1%. O dado pode reforçar uma Selic elevada por mais tempo. O cenário local também é pressionado pelas negociações da elevação do IOF, após o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmar que não há alternativas ao decreto.

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O Ibovespa hoje sofreu baixa de 0,25%, a 138.533,70 pontos. Os índices de Wall Street, por sua vez, fecharam em alta, com o Dow Jones  e o S&P 500 apresentando ganhos de 0,28% e 0,40%, respectivamente, enquanto o Nasdaq subiu 0,39%. O mercado internacional ficou otimista pós três juízes do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA impedir o presidente americano, Donald Trump, de impor algumas de suas tarifas globais.

A corte concluiu que o presidente americano, sob a lei federal, excedeu sua capacidade de usar esse tipo de medida. A decisão de barrar as tarifas de Trump ocorre após inúmeros processos judiciais que argumentavam que as taxas — suspensas em abril por 90 dias, logo após anunciadas — excederam sua autoridade e deixaram a política comercial do país dependente de seus caprichos.

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A decisão representou um revés inicial, porém significativo, para Trump em sua campanha para firmar uma série de acordos que reorientam as relações comerciais do país, dando início a uma batalha judicial que pode em breve chegar à Suprema Corte. Os casos se concentraram no uso, pelo presidente, de uma lei federal de emergência econômica de 1977 para emitir muitas de suas taxas, incluindo aquelas sobre Canadá, México e China, e suas “tarifas recíprocas” sobre grande parte do resto do mundo.

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A lei com a qual as medidas de Trump estão em choque, segundo o tribunal, não especifica tarifas como uma ferramenta disponível ao presidente para proteger os EUA de ameaças econômicas. Mas Trump invocou seus poderes citando a necessidade de tomar medidas drásticas em resposta a uma ampla variedade de questões urgentes — incluindo o fluxo de fentanil para o país e o persistente déficit comercial dos EUA com grande parte do mundo.

Mas a Corte de Apelações decidiu, no final da tarde, que o tarifaço continua valendo, enquanto continua analisando o caso – após o governo dos EUA recorrer.

O dólar fechou em queda de 0,5%, cotado a R$ 5,6670. A queda da taxa de desemprego em abril no País fortaleceu o real, que também se beneficiou da fraqueza do dólar frente a outras moedas fortes e divisas emergentes ligadas a commodities.

Cenário político pesa como âncora do Ibovespa hoje

No cenário político local, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na noite desta quarta-feira (28) que não há agora alternativas ao decreto que elevou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) A declaração foi dada após uma reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União–AP).

O ministro afirmou que foi convidado pelos chefes das duas Casas para explicar a necessidade do decreto que elevou o IOF e os impactos que uma eventual revogação poderia causar no funcionamento da máquina pública. “Expliquei também as consequências disso em caso de não aceitação da medida. O que acarretaria termos de contingenciamento adicional. Ficaremos em um patamar bastante delicado do ponto de vista do funcionamento da máquina pública do Estado brasileiro”, disse Haddad.

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Ainda ontem, a Ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que, nas discussões internas do governo Haddad, “não abriu com detalhes onde ia mexer” com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Gleisi afirmou, ainda, que Haddad relatou que “a mudança era pequena”.

A ministra negou que tenha havido uma “reunião de emergência” do governo na noite da última quinta-feira, 22, para discutir o assunto. Afirmou que ela e os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, estavam reunidos para falar sobre inteligência artificial.

Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, Gleisi atribui absolutamente toda a responsabilidade do IOF a Haddad. Contudo, também ontem, o Ministro da Fazenda pareceu se isolar dentro da própria pasta. O secretário especial da Fazenda, Dário Durigan, teve uma reunião com grandes bancos e ouviu alternativas ao IOF, alegando que iria estudá-las, e sugerindo que o texto poderia ser revogado caso alguma alternativa fosse bem-sucedida.

“O episódio pode ser o gatilho que diversos analistas esperam para deflagrar o quão frágil é a perspectiva fiscal brasileira, com desdobramentos adicionais sobre os preços dos ativos. Além disso, o fato pode representar o fim da era Haddad, e as especulações sobre substitutos geram mais calafrios do que boas perspectivas”, diz Sanchez.

Panorama corporativo rouba cena no Ibovespa hoje

No cenário corporativo, as ações da Petrobras (PETR4) recuaram 0,6%, a R$ 31,24 depois que a empresa anunciou mais uma emissão de debêntures simples, no valor de R$ 3 bilhões. A Azul (AZUL4), que pela última vez fará parte dos principais índices da Bolsa, cedeu 6,80%, a R$ 0,96 – saiba mais sobre a exclusão da ação na B3 nesta matéria.

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As ações da Sabesp (SBSP3) subiram 1,48% a R$ 119. Ontem, a companhia de saneamento fechou acordo com a Iguá para comprar o restante da Águas de Andradina e Águas de Castilho e assumiu o controle das concessões. Ainda em infraestrutura, a Cemig (CMIG3) disparou 9,14% depois de conseguir suspensão de uma liminar para o pagamento de quase R$ 1 bilhão ao seu fundo de pensão.

  • Destaques do Ibovespa hoje: debêntures da Petrobras, Azul fora de índices da B3 e dividendos do Carrefour

Bitcoin opera sem rumo com tarifaço

O bitcoin hoje recua após a suspensão das tarifas de Trump. Por volta das 17h30 (de Brasília), a maior criptomoeda em valor de mercado tinha queda de 0,93%, sendo negociada a US$ 106,18 mil. André Franco, analista de investimentos cripto e CEO da Boost Research, avalia que o comportamento do bitcoin reflete a perda momentânea da atratividade como reserva alternativa diante do fortalecimento do dólar. “Ainda assim, a tendência de curto prazo se torna levemente positiva, impulsionada pelo alívio nos mercados tradicionais e por um apetite momentâneo por ativos de risco”, diz Franco.

Apesar do fraco desempenho, o BTC permanece em um patamar privilegiado ao ser negociado próximo da sua última máxima histórica, conquistada há uma semana quando rompeu a barreira dos US$ 111 mil. Essa guinada do ativo digital aconteceu em decorrência do alívio das tensões comerciais após o acordo entre os Estados Unidos e China sobre as tarifas de importação e também pelo fluxo de capital dos investidores institucionais em direção aos ETFs de bitcoin à vista.

Em maio, os fundos de índice registram, até o momento, uma entrada líquida de US$ 6,2 bilhões, segundo os dados mais recentes da SosoValue, plataforma de dados de criptomoedas. “O mercado sabe que o BTC não só bateu a máxima histórica, como sofreu uma correção menos de 5% no período. Isso deixa um sinal amarelo ligado, já que uma realização de lucros mais extensa ainda pode acontecer”, avalia Beto Fernandes, analista da Foxbit.

Mercado europeu oscila após tarifas de Trump serem suspensas

As bolsas da Europa reverteram os ganhos observados pela manhã e encerraram majoritariamente em queda. A notícia de que o Tribunal de Comércio Internacional dos EUA anulou as ordens tarifárias “recíprocas” do presidente Donald Trump ajudou a embalar a abertura, mas o entusiasmo foi diluído ao longo do pregão, já que investidores passaram a avaliar os impactos jurídicos e econômicos da decisão.

Para a Capital Economics, a decisão judicial “adiciona mais uma camada de incertezas à guerra comercial”, reduzindo a capacidade de Washington de selar rapidamente acordos durante a pausa de 90 dias acertada com parceiros comerciais, inclusive a China.

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Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,11%, aos 8.716,45 pontos. O DAX, de Frankfurt, caiu 0,44%, aos 23.933,23 pontos. Em Paris, o CAC 40 fechou em baixa de 0,11%, aos 7.779,72 pontos, na mínima do dia. Já o FTSE MIB, de Milão, teve queda de 0,36%, aos 39.982,97 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 avançou 0,20%, aos 7.375,80 pontos, enquanto o Ibex 35, de Madri, também subiu 0,29%, aos 14.140,90 pontos. Os dados são preliminares.

Ásia fecha em alta após novos rumos da guerra comercial

Com a suspensão de parte das tarifas de Trump, as bolsas asiáticas fecharam em alta significativa nesta quinta-feira. Liderando os ganhos, o índice sul-coreano Kospi avançou 1,89% em Seul, a 2.720,64 pontos, enquanto o Nikkei subiu 1,88% em Tóquio, a 38.432,98 pontos, e o Hang Seng garantiu alta de 1,35% em Hong Kong, a 23.573,38 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto subiu 0,70%, a 3.363,45 pontos, interrompendo uma sequência de cinco pregões negativos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,40%, a 1.993,04 pontos. Na contramão, o Taiex registrou perda marginal de 0,05% em Taiwan, a 21.347,30 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no azul, com alta de 0,15% do S&P/ASX 200 em Sydney, a 8.409,80 pontos. Para mais informações sobre o Ibovespa hoje, clique aqui.

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