Warren Buffett ganhou parte do seu primeiro dinheiro entregando exemplares do Washington Post. Já Tim Cook acordava às 3h da manhã para distribuir o Mobile Press Register, no Alabama. O trabalho ensinou a esses futuros executivos valores que eles levariam até a cadeira de CEO.
A entrega de jornais ensina “bons e básicos princípios de negócios”, afirmou Rcoss Perot à Associated Press em 1995, citando habilidades como controlar estoque, cobrar pagamentos e chegar no horário todos os dias, independentemente do clima. O ex-candidato à Presidência dos EUA contou que começou a entregar jornais aos 12 anos e fazia as entregas montado a cavalo em um bairro cheio de areia.
Hoje, a tradicional rota de jornais praticamente desapareceu. A queda da circulação impressa e preocupações com trabalho infantil fizeram a atividade migrar para adultos e para o serviço postal. Ainda assim, os executivos que passaram pela experiência não esqueceram o período — e muitos dizem que foi ali que aprenderam tudo o que realmente importa.
Veja cinco executivos que começaram distribuindo jornais.
Warren Buffett — Berkshire Hathaway
O “Oráculo de Omaha” começou a entregar o Washington Post e o Washington Star aos 13 anos. Aos 14, já administrava múltiplas rotas e ganhava US$ 175 por mês — mais do que alguns de seus professores, segundo a biografia The Snowball: Warren Buffett and the Business of Life, de Alice Schroeder.
Buffett, hoje com 95 anos, entregou sua primeira declaração de imposto de renda naquele mesmo ano, deduzindo sua bicicleta e relógio como despesas de trabalho, contou à PBS News Hour em 2017. Segundo ele, o trabalho ensinou lições que continuaram valiosas ao longo da vida.
“Você aprende muito sobre natureza humana entregando jornais”, afirmou Buffett. “Por exemplo, aprende que precisa pagar pelos jornais todos os meses, independentemente de os clientes pagarem você ou não. Você precisa cobrar.”
Décadas depois, Buffett se tornou um dos maiores acionistas do jornal que um dia entregou de porta em porta — e disse até ter considerado comprá-lo quando ele foi colocado à venda em 2013. Hoje, o Washington Post pertence ao fundador da Amazon (AMZO34), Jeff Bezos. Buffett deixou o cargo de CEO da Berkshire Hathaway no fim de 2025, embora siga como chairman da companhia. Seu patrimônio é estimado em US$ 141 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.
Tim Cook — Apple
O atual CEO da Apple, que será substituído por John Ternus ainda neste ano, conseguiu seu primeiro trabalho aos 11 ou 12 anos, entregando o Mobile Press Register em Robertsdale, Alabama. O jornal encerrou sua edição impressa em 2023.
“Entregar jornais ajudou a iniciar minha educação universitária”, afirmou Cook, hoje com 65 anos, ao Wall Street Journal, ao lembrar que foi o primeiro integrante da família a cursar faculdade. Depois das entregas, Cook contou no podcast Table Manners que “evoluiu para virar hambúrgueres” em uma lanchonete Tastee Freeze, ganhando US$ 1,10 por hora. Seu patrimônio é estimado em US$ 3 bilhões, segundo a Forbes.
Michael Dell — Dell Technologies
O futuro magnata dos computadores vendia assinaturas do extinto Houston Post quando adolescente — e, silenciosamente, criou a estratégia que mais tarde ajudaria a construir a Dell.
Em vez de bater de porta em porta, Dell buscava registros de casamento e mudança de endereço e enviava correspondências diretamente aos clientes mais propensos a assinar o jornal. A estratégia lhe rendeu US$ 18 mil em um ano.
“Foi uma lição precoce de marketing direto, sem dúvida”, afirmou Dell durante o SXSW em 2024.
Walt Disney — Walt Disney Company
O futuro animador e criador de um dos maiores grupos de entretenimento do mundo começou entregando o Kansas City Star e o Kansas City Times ao lado do irmão Roy, aos 9 anos de idade.
“Quando eu tinha 9 anos, meu irmão Roy e eu já éramos homens de negócios”, disse Disney, segundo arquivos da companhia. “Tínhamos uma rota de jornais… entregando exemplares em uma área residencial todas as manhãs e noites do ano, fizesse chuva, sol ou neve.”
Eles acordavam às 3h30 da manhã, trabalhavam até a hora da escola e “faziam tudo de novo das quatro da tarde até a hora do jantar”.
Walt Disney morreu em 1966 e, na época, tinha patrimônio estimado entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões — algo equivalente hoje a cerca de US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão. Ele foi fundador e CEO do que se tornaria uma empresa da Fortune 500.
Ross Perot — Electronic Data Systems
O bilionário texano e duas vezes candidato à Presidência talvez tenha tido a rota mais cinematográfica do grupo. Quando menino em Texarkana, Perot criou do zero uma rota do Texarkana Gazette em uma região praticamente ignorada pelo jornal — e fazia as entregas a cavalo, percorrendo cerca de 32 quilômetros por dia, contou à Fortune em 1968.
Como havia criado o território sozinho, negociou receber 70% do valor das assinaturas, em vez dos tradicionais 30%, e chegou a enfrentar o jornal quando a empresa tentou reduzir sua participação.
Em 1962, Perot fundou a Electronic Data Systems, que se tornou uma empresa da Fortune 500. A HP comprou a EDS em 2008 por US$ 13 bilhões. Perot morreu em 2019 e tinha patrimônio estimado em cerca de US$ 4 bilhões.
Sacos de lixo, turnos da madrugada e McDonald’s
Nem todos os CEOs começaram entregando jornais. Mark Cuban começou aos 12 anos vendendo sacos de lixo de porta em porta para comprar tênis de basquete. Jeff Bezos trabalhou no turno da manhã do McDonald’s durante o ensino médio.
Já Indra Nooyi, ex-CEO da PepsiCo, fazia o turno da meia-noite às 5h da manhã como recepcionista no dormitório de Yale porque o trabalho pagava 50 centavos a mais por hora. Mary Barra, CEO da General Motors, começou na própria montadora aos 18 anos, inspecionando painéis de carros na linha de montagem.
Apesar dos primeiros empregos diferentes, todos dizem ter aprendido lições parecidas: aparecer, chegar no horário e cumprir a rotina todas as manhãs — mesmo quando há quase um metro de neve às 4h da manhã.
Esta história foi originalmente apresentada em Fortune.com e foi traduzida com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisada por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.