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Grande Transferência de Riqueza: trilhões de dólares estão mudando de mãos – e o que isso significa para você

Uma das maiores movimentações de capital da história deve movimentar cerca de US$ 84 tri nas próximas décadas e mudar o perfil dos investidores

Por Yuri Freitas

07/10/2025 | 14:02 Atualização: 07/10/2025 | 14:28

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A Grande Transferência de Riqueza deve movimentar US$ 84 trilhões entre gerações nas próximas décadas, mudando o comportamento dos investidores e o futuro do mercado financeiro global. (Imagem: Freepik)
A Grande Transferência de Riqueza deve movimentar US$ 84 trilhões entre gerações nas próximas décadas, mudando o comportamento dos investidores e o futuro do mercado financeiro global. (Imagem: Freepik)

Estamos vivendo uma transformação gradual e silenciosa que impactará o mundo de forma irreversível: trata-se da Grande Transferência de Riqueza (ou “The Great Wealth Transfer”, em inglês). Nas próximas décadas, uma das maiores movimentações de capital da história deve acontecer, e entender o que está por trás dessa mudança é essencial para quem quer se preparar para o futuro.

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De acordo com relatórios do UBS, a geração mais rica do mundo atualmente – os “Baby Boomers” – está envelhecendo e se preparando para essa passagem de bastão. Estima-se que aproximadamente USD 84 trilhões sejam transferidos para futuras gerações nos próximos 20 a 25 anos, movimento que mudará o perfil dos investidores e exigirá adaptações em todo o ecossistema de gestão e captação de recursos.

Existem dois tipos de beneficiários dessa transferência: os cônjuges (transferência intrageracional), que receberão cerca de US$ 9 trilhões desse montante, com uma maior proporção favorecendo as esposas, em razão da sua expectativa de vida mais longa; e os filhos (transferência intergeracional), que devem herdar os US$ 75 trilhões.

Grande Transferência de Riqueza: O que tudo isso representa para o investidor?

O que essa mudança de mãos representa, afinal? Primeiramente, um investidor mais global. As famílias da nova geração têm muito mais membros morando fora. O inglês não é mais uma barreira, e a busca por uma educação internacional leva os filhos a estudarem no exterior. Por isso, o investimento no mercado internacional também pode se tornar a regra. As despesas em dólares ou euros com os familiares morando fora demanda o investimento offshore, para que as famílias se protejam da variação cambial e das inseguranças relativas à nossa moeda.

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Nesse sentido, o planejamento sucessório dessas famílias se tornará mais complexo, e passará a considerar as leis de diferentes países. Se o meu filho mora nos Estados Unidos, por exemplo, é crucial saber como a sucessão será tributada e como os rendimentos do meu patrimônio serão tratados pelo imposto de renda norte-americano. Da mesma forma, é importante conhecer as regras relativas a regimes de bens e sucessão forçada do estado em que o meu filho reside. Além disso tudo, qualquer estratégia precisará estar sempre alinhada com as leis e tributação brasileiras.

Em segundo lugar, potencialmente teremos um investidor mais consciente. A nova geração alinha seus investimentos com seus princípios e valores. Dessa forma, investimentos com maior impacto social (que além do retorno financeiro, geram também retorno para a sociedade) e investimentos que refletem tendências ESG (empresas com boas práticas ambientais, sociais e de governança) tendem a ganhar maior relevância.

O maior compromisso social também torna os novos investidores mais propensos a olhar mais atentamente as iniciativas filantrópicas. Além de doarem recursos financeiros, muitos membros da nova geração dedicam seu tempo, carreira e rede de contatos a iniciativas beneficentes. Existem, inclusive, comunidades de sucessores que se comprometem antecipadamente a doar parte dos recursos que receberão no futuro, como é o exemplo da The Giving Pledge – campanha iniciada por Warren Buffett, Bill Gates e Melinda Gates, em 2010, convidando pessoas ricas a se comprometerem a doar pelo menos 50% de sua riqueza para causas filantrópicas.

Investindo a longo prazo, com decisões menos impulsivas e retornos mais consistentes

Em terceiro lugar, a nova geração – influenciada pelos pais, por opção de carreira ou hobby – tende a investir mais em arte e itens colecionáveis. Relatórios da Art Basel e do UBS indicam um aumento no número de transações desse setor, bem como o interesse da próxima geração em manter as obras e/ou coleções herdadas. Esse público também busca compreender melhor como estruturar o seu investimento nessa categoria de ativos. Atentos a esse movimento, os principais gestores de fortuna do mundo vêm se antecipando, criando áreas e setores inteiros dedicados ao assunto e à produção de workshops e conteúdo especializado.

Por fim, as mulheres costumam manter uma postura mais alinhada aos seus objetivos de longo prazo, respeitando seu perfil e estratégia de investimento. Essa abordagem mais consistente contribui para decisões menos impulsivas e, consequentemente, retornos mais consistentes ao longo do tempo.

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Em resumo, a Grande Transferência de Riqueza trará não apenas uma mudança no perfil dos investidores, mas também uma transformação significativa nas suas estratégias e prioridades. Seja você um destes milionários ou não, essas tendências têm potencial para impactar seus investimentos. Estar preparado para essas mudanças será fundamental para navegar com sucesso nesse novo cenário.

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