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Mercado

Por que o Santander acredita que a bolsa brasileira entrou em ‘bull market’?

Ibovespa, principal índice da B3, já acumula a maior alta anual desde 2016; cenário externo favorece o mercado doméstico

Por Daniel Rocha

16/12/2025 | 13:48 Atualização: 16/12/2025 | 15:18

Bull Market é um jargão financeiro que caracteriza o mercado em tendência de alta prolongada
(Foto: Adobe Stock)
Bull Market é um jargão financeiro que caracteriza o mercado em tendência de alta prolongada (Foto: Adobe Stock)

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Se 2025 terminasse no pregão desta terça-feira (16), o Ibovespa, principal índice da B3, encerraria o ano com a maior alta desde 2016, ao acumular uma valorização anual de 32%. A expectativa é de que esse quadro seja mantido até o último pregão do ano. Isso porque, segundo o Santander, a bolsa brasileira passou a vivenciar um ambiente de bull market, jargão financeiro que caracteriza o mercado em tendência de alta prolongada.  

A avaliação do banco se baseia no comportamento recente do Ibovespa após o dia 5 de dezembro. O índice recuou 4,3% diante da repercussão negativa no mercado com a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em indicar o filho, senador Flávio Bolsonaro (PL), como pré-candidato às eleições presidenciais em 2026. Apesar do tombo, o IBOV conseguiu recuperar a maior parte dos pontos perdidos naquele pregão. Do dia 5 de dezembro até o pregão desta segunda-feira (15), o índice já subiu 3,25%, segundo dados da Elos Ayta Consultoria.

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Para Aline de Souza Cardoso, estrategista do Santander Brasil, essa recuperação mostra que a bolsa brasileira já opera em um “território de bull market”, uma vez que os investidores mantêm demanda constante por ativos de risco, o que ajuda a amortecer desvalorizações pontuais do índices. 

“Um dos sinais mais claros de um mercado de alta real é quando surpresas negativas desencadeiam apenas recuos superficiais, à medida que os compradores intervêm rapidamente para aproveitar qualquer fraqueza”, explicou a especialista.

Esse desempenho tem sido impulsionado pela dinâmica do cenário internacional que vem colocando o mercado brasileiro em uma posição privilegiada em relação a outros países emergentes. Nos Estados Unidos, os investidores estrangeiros estão reduzindo a sua exposição em ações de tecnologia, especialmente aquelas ligadas à Inteligência Artificial (IA), e redirecionando esse capital para setores mais tradicionais.

O movimento reflete a preocupação do mercado financeiro com uma possível “bolha de IA” em função da valorização expressiva das companhias do setor. 

“Setores cíclicos e voltados para valor superaram os demais nos mercados globais. O Brasil, frequentemente visto como uma oportunidade de valor dentro dos Mercados Emergentes (EM), tende a se beneficiar dessa mudança na preferência dos investidores”, diz Cardoso.

Dados mais recentes da B3 mostram que os investidores estrangeiros já alocaram no mercado brasileiro cerca de R$ 26 bilhões neste ano. O fluxo contribuiu para que o Ibovespa a renovasse 31 vezes a sua máxima histórica em 2025. O recorde mais recente ocorreu no dia 4 de dezembro, quando o índice avançou 1,64% e fechou a 164.455,61 pontos.

Já os investidores brasileiros preferiram ficar de fora dessa “festa”. Segundo a Associação Brasileira Das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os fundos de ações sofreram um resgate de R$ 52,8 bilhões no acumulado do ano, contra a entrada de R$ 162,5 bilhões nos fundos de renda fixa no mesmo período.

Além disso, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciou que irá começar a comprar títulos de curto prazo do Tesouro dos Estados Unidos. As compras buscam equilibrar a liquidez do mercado e garantir o funcionamento estável dos mercados no curto prazo.

“A expansão do balanço do Fed tende a enfraquecer o dólar e encorajar investidores a rotacionar para ativos de maior risco (beta), incluindo ações de mercados emergentes”, afirma Cardoso.

Na tarde desta terça-feira (16), o Ibovespa opera no campo negativo com queda de 1,74%, a 159.655,73 pontos.

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