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Plano de desalavancagem da CSN mira cortar até R$ 18 bi em dívida; Genial adota cautela com CSNA3

Proposta prevê venda de ativos que pode cortar até R$ 1,8 bilhões por ano com despesas de juros; veja a análise o preço-alvo para o papel

Por Isabela Ortiz

16/01/2026 | 9:46 Atualização: 16/01/2026 | 9:46

CSN aposta na venda de ativos de cimento e infraestrutura para reduzir alavancagem, mas investidores cobram execução concreta. (Foto: Adobe Stock)
CSN aposta na venda de ativos de cimento e infraestrutura para reduzir alavancagem, mas investidores cobram execução concreta. (Foto: Adobe Stock)

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após anunciar um ambicioso plano de desalavancagem. Em reunião de atualização estratégica acompanhada pela Genial Investimentos, a companhia afirmou que pretende reduzir sua dívida líquida em R$ 15 bilhões a 18 bilhões a partir de 2026 – de um patamar atual de R$ 37,5 bilhões – por meio de um processo estruturado de venda de ativos.

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A promessa da CSN, no entanto, não foi suficiente para convencer os investidores no curto prazo. As ações CSNA3 reagiram negativamente no pregão de quinta-feira (15) e fecharam em queda de 3,1%, a R$ 9,95.

Segundo a Genial Investimentos, o Conselho de Administração da CSN autorizou formalmente o início desse plano de desinvestimentos com o objetivo de “rebalancear definitivamente a estrutura de capital da holding“. A expectativa é que, com isso, a alavancagem caia para algo entre 1,7 vez e 2,0 vezes na relação dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2026, ante cerca de 3,2x no terceiro trimestre de 2025 (3T35).

A lógica apresentada pela companhia é usar praticamente todos os recursos obtidos com as vendas para amortizar dívida, reduzindo também a despesa financeira. De acordo com os analistas, esse movimento poderia cortar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,8 bilhão por ano em despesas com juros, o equivalente a uma queda de 21% a 25% em relação ao patamar atual.

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Na avaliação da Genial, se bem executado, o plano “pode redesenhar a estrutura de capital da empresa para melhor e restaurar a percepção de disciplina na alocação de capital”.

O que falta para o mercado acreditar na CSN?

No dia do evento, realizado ontem, os papéis da CSN caíram 3,1% refletindo dúvidas recorrentes sobre a execução. Para os analistas, os investidores seguem desconfiados principalmente em dois pontos:

  • Quais participações exatamente serão vendidas;
  • Se a companhia conseguirá encontrar compradores dispostos a pagar preços atrativos em um prazo relativamente curto.

“A promessa de vender ativos não é exatamente nova no discurso da CSN”, observa a Genial, o que ajuda a explicar a reação fria das ações.

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O plano de desalavancagem está ancorado, sobretudo, em dois movimentos centrais. O primeiro vem da venda do controle do negócio de cimento, segmento em que a CSN é líder no Sudeste e opera com margens Ebitda em torno de 30%, as mais altas do setor.

A administração avalia que transações recentes indicam múltiplos elevados e que uma venda direta a um player estratégico tende a maximizar o valor, especialmente em um momento em que o mercado de Ofertas Públicas de Ações (IPOs, quando uma empresa privada abre seu capital na Bolsa e vende ações a investidores pela primeira vez) segue fechado.

  • Confira: Como tarifas dos EUA e o aço chinês estão afetando a Gerdau

O segundo pilar envolve a monetização parcial do negócio de infraestrutura, por meio da venda de uma participação minoritária em um pacote de ativos logísticos. A CSN, no entanto, quer preservar o controle dessa plataforma, considerada estratégica por sua integração com a mineração.

“A infraestrutura é vista como um veículo de alto valor, construído ao longo de muitos anos”, resume a Genial, destacando que os ativos têm margens comparáveis às da mineração, entre 40% e 50%.

Mineração é o motor: P-15, reservas e potencial de Ebitda

A CSN Mineração (CMIN3) é hoje o sétimo maior exportador global de minério de ferro, com reservas estimadas entre 2,5 bilhões e 3 bilhões de toneladas. O projeto P-15, em especial, é apontado como peça-chave: em plena capacidade, pode adicionar cerca de R$ 4 bilhões por ano em Ebitda, elevando o potencial total do grupo para perto de R$ 10 bilhões, ante cerca de R$ 6,7 bilhões nos últimos doze meses.

Na siderurgia, o discurso ganha contornos mais defensivo. A empresa reconhece que o foco, no curto prazo, não é expansão, mas geração de caixa e recuperação de margens, que já mostram melhora gradual. Parcerias estratégicas e alternativas de capital estão sendo estudadas para modernizar operações e reduzir a pressão de investimentos, permitindo que o aço deixe de consumir recursos e passe a contribuir para o esforço de desalavancagem.

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Outros negócios funcionam como amortecedores de volatilidade. A área de energia, com cerca de 2 gigawatt (GW) de capacidade instalada majoritariamente renovável, garante autossuficiência ao grupo desde 2023 e atua como um “pilar estabilizador” de fluxo de caixa, com margens entre 30% e 40%. Além disso, a companhia também aposta em medidas internas de liquidez, como redução de capital de giro e maior eficiência na gestão de estoques.

Genial prega cautela: recomendação, preço-alvo e riscos

Mesmo reconhecendo que a estratégia aponta “na direção correta”, a Genial optou por manter uma postura cautelosa. A casa reiterou recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 9,50 em 12 meses, o que implica leve potencial de queda de 4,5% frente à cotação atual.

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Até que anúncios concretos de vendas e redução efetiva da dívida apareçam, a leitura é de que a CSN ainda precisa transformar promessas do plano de desalavancagem em execução para reconquistar a confiança do mercado.

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