Após abrir em alta, o benchmark da B3 hoje perdeu fôlego e passou a testar queda. O Índice Bovespa também acompanha perdas no pré-mercado de Nova York, em dia de tensões geopolíticas com a piora na relação entre Estados Unidos e Europa.
De olho na aquisição da Groenlândia, no fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas progressivas sobre mercadorias de oito países europeus. A medida é uma forma de o republicano pressionar um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. As tarifas começam em 10% a partir de 1º de fevereiro de 2026 e sobem para 25% em 1º de junho, caso não haja avanço nas negociações.
“A reação inicial do mercado foi contida. Já passamos por isso muitas vezes antes e, na maioria dos casos, as grandes e barulhentas ameaças tarifárias de Trump não se concretizaram ou, pelo menos, foram revertidas pouco tempo depois. Embora esperemos que a história se repita, a imprevisibilidade da administração Trump significa que nada pode ser dado como certo”, avalia Matthew Ryan, head de estratégia de mercado da Ebury.
A queda do petróleo (0,15%) e do minério de ferro (2,58%) tendem a pressionar as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) e da Vale (VALE3) durante a sessão. Os papéis preferenciais da petroleira beiravam estabilidade, enquanto a mineradora cedia 0,89%.
Em meio à agenda esvaziada nos próximos dias, as atenções hoje se concentram na entrevista que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concederá ao canal de noticias UOL, e no início do pagamento de clientes do Banco Master pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ainda, fica no radar a abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.
Além disso, a uma semana do Comitê de Política Monetária (Copom) e da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na semana que vem, o boletim Focus trouxe uma nova desaceleração nas estimativas para a inflação para 2026, indo de 4,05% para 4,02% (veja detalhes abaixo).
No câmbio, o dólar hoje se desvaloriza frente a moedas fortes no exterior e ante o real. Às 12h30 (de Brasília), a moeda americana cedia 0,11%, a R$ 5,36 na venda.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (19)
Bolsas globais têm forte queda com ameaças de Trump à Groenlândia
As bolsas europeias e os futuros em Nova York operam em forte queda diante da piora da percepção geopolítica envolvendo EUA e Groenlândia, movimento que também pressiona o dólar hoje frente a moedas fortes, enquanto o ouro avança.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas progressivas sobre produtos de oito países europeus para forçar um acordo sobre a compra da Groenlândia, com alíquotas de 10% a partir de fevereiro de 2026 e de 25% em junho, caso não haja avanço nas negociações.
A União Europeia avalia retaliar com tarifas de €93 bilhões ou restrições a empresas americanas e convocou uma reunião extraordinária. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou ter discutido a segurança da Groenlândia e do Ártico com Trump.
No Irã, o republicano defendeu mudança de liderança após críticas do aiatolá Ali Khamenei. A sucessão no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também segue no radar. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, minimizou temores sobre candidatos à presidência do Fed e impactos das tarifas na Suprema Corte.
FGC inicia pagamentos a investidores do Master
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) inicia hoje o pagamento aos 150 mil investidores que já concluíram o pedido de reembolso do Banco Master, de um universo de 800 mil elegíveis. A liberação dos recursos ocorre cerca de dois meses após a decretação da liquidação extrajudicial das instituições pelo Banco Central (BC).
Segundo o FGC, não há fila de espera após a liberação do sistema. Assim que a base de credores é recebida e validada, o fundo informa a disponibilidade para que os investidores completem a solicitação da garantia. “Quando a lista é consolidada, o sistema fica disponível e o credor pode seguir com o pedido. Não existe priorização ou intermediação”, explicou o FGC. Confira todos os detalhes nesta reportagem do E-Investidor.
Focus traz leve alívio da inflação em 2026
O boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou, nesta segunda-feira (19), as previsões para os principais indicadores econômicos, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic.
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 oscilou de 4,05% para 4,02%. A taxa está 0,48 ponto porcentual abaixo do teto da meta contínua de inflação, de 4,50%. Há um mês, era de 4,06% Considerando apenas as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 4,00% para 4,02%.
A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Considerando só as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana seguiu em 12,00%.
O que mais repercute no Ibovespa hoje
Sem dados locais relevantes no curto prazo, os investidores ficam no aguardo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e da reunião do Copom de janeiro, que ocorrem na próxima semana, com expectativa predominante de manutenção da Selic. O cenário reflete os resultados fortes de IBC-Br, serviços e varejo em novembro, que ajudaram a puxar os juros futuros para cima.
No campo comercial, deve repercutir o acordo do Mercosul com a União Europeia, que prevê a eliminação de tarifas para 92% das exportações do bloco sul-americano, estimadas em cerca de US$ 61 bilhões. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a Casa dará celeridade à tramitação do acordo.
Agenda econômica da semana
O Ibovespa hoje inicia a segunda-feira (19) com investidores atentos ao início do pagamento de garantias do FGC a investidores do Banco Master. O pregão ainda traz dados do boletim Focus, de indicadores industriais de novembro e da balança comercial. No exterior, o foco recai sob o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, e na ameaça de Donald Trump em anexar a Groenlândia e impor tarifas à União Europeia.
Ainda na agenda econômica hoje, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de entrevista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, tem uma série de reuniões com ministros no Palácio do Planalto.
Em Davos, a “Brazil House” vai receber vários eventos nos próximos dias, que incluem a participação do presidente da Vale (VALE3), Gustavo Pimenta, e do BTG, Roberto Sallouti. Ainda a prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) sai na quarta-feira (21) e a do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), na sexta (23).
No exterior, com o feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos nesta segunda-feira, não haverá negócios com ações na NYSE, Nasdaq e no mercado de Treasuries (títulos da dívida estadunidense), o que deve reduzir a liquidez e direcionar as atenções para a abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. O evento começa hoje e tem previsto um recorde de 65 chefes de Estado, incluindo o presidente Donald Trump, e sem a presença do líder brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao longo da semana, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA do terceiro trimestre e a inflação americana Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) de outubro e novembro saem na quinta-feira (22), com atraso devido ao shutdown (paralisação) da máquina do governo americano em setembro e outubro de 2025.
Em paralelo, as prévias dos índices de gerentes de compras (PMIs) composto, de serviços e industrial de janeiro dos EUA, Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido estão programadas na sexta-feira, além do Índice de Sentimento do Consumidor final de janeiro da Universidade de Michigan e a decisão de juros do BoJ. Entre os balanços do quarto trimestre de 2025, 3M e Netflix publicam na terça, enquanto P&G e Intel, na quinta.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Maria Regina Silva, Silvana Rocha e Luciana Xavier, Broadcast