De olho na aquisição da Groenlândia, no fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas progressivas sobre mercadorias de oito países europeus. A medida é uma forma de o republicano pressionar um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. As tarifas começam em 10% a partir de 1º de fevereiro de 2026 e sobem para 25% em 1º de junho, caso não haja avanço nas negociações.
“A reação inicial do mercado foi contida. Já passamos por isso muitas vezes antes e, na maioria dos casos, as grandes e barulhentas ameaças tarifárias de Trump não se concretizaram ou, pelo menos, foram revertidas pouco tempo depois. Embora esperemos que a história se repita, a imprevisibilidade da administração Trump significa que nada pode ser dado como certo”, avalia Matthew Ryan, head de estratégia de mercado da Ebury.
A queda de 2,58% do minério de ferro pressionou as ações da Vale (VALE3), que recuaram 0,39% na sessão. Já o petróleo Brent fechou em queda de 0,3%, mas não impediu a alta dos papéis da Petrobras (PETR3;PETR4): os ordinários avançaram 0,53% e os preferenciais, 0,41%.
Em meio à agenda esvaziada nos próximos dias, as atenções hoje se concentraram na entrevista que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concedeu ao canal de noticias UOL, e no início do pagamento de clientes do Banco Master pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ficou ainda no radar a abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.
Além disso, a uma semana do Comitê de Política Monetária (Copom) e da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na semana que vem, o boletim Focus trouxe uma nova desaceleração nas estimativas para a inflação para 2026, indo de 4,05% para 4,02% (veja detalhes abaixo).
No câmbio, o dólar hoje se desvalorizou frente a moedas fortes no exterior e ante o real. A moeda americana cedeu 0,16%, a R$ 5,3640 na venda.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (19)
Bolsas da Europa caem com ameaças de Trump à Groenlândia
As bolsas europeias fecharam em queda, diante da piora da percepção geopolítica envolvendo EUA e Groenlândia, movimento que também pressiona o dólar hoje frente a moedas fortes, enquanto o ouro avança.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas progressivas sobre produtos de oito países europeus para forçar um acordo sobre a compra da Groenlândia, com alíquotas de 10% a partir de fevereiro de 2026 e de 25% em junho, caso não haja avanço nas negociações.
A União Europeia avalia retaliar com tarifas de €93 bilhões ou restrições a empresas americanas e convocou uma reunião extraordinária. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou ter discutido a segurança da Groenlândia e do Ártico com Trump.
No Irã, o republicano defendeu mudança de liderança após críticas do aiatolá Ali Khamenei. A sucessão no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também segue no radar. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, minimizou temores sobre candidatos à presidência do Fed e impactos das tarifas na Suprema Corte.
FGC inicia pagamentos a investidores do Master
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou hoje o pagamento aos investidores que já concluíram o pedido de reembolso do Banco Master. A liberação dos recursos ocorre cerca de dois meses após a decretação da liquidação extrajudicial das instituições pelo Banco Central (BC).
Segundo o FGC, não há fila de espera após a liberação do sistema. Assim que a base de credores é recebida e validada, o fundo informa a disponibilidade para que os investidores completem a solicitação da garantia. “Quando a lista é consolidada, o sistema fica disponível e o credor pode seguir com o pedido. Não existe priorização ou intermediação”, explicou o FGC. Confira todos os detalhes nesta reportagem do E-Investidor.
Focus traz leve alívio da inflação em 2026
O boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou, nesta segunda-feira (19), as previsões para os principais indicadores econômicos, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic.
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 oscilou de 4,05% para 4,02%. A taxa está 0,48 ponto porcentual abaixo do teto da meta contínua de inflação, de 4,50%. Há um mês, era de 4,06% Considerando apenas as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 4,00% para 4,02%.
A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Considerando só as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana seguiu em 12,00%.
Agenda econômica da semana
Na agenda econômica hoje, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou de entrevista ao portal UOL. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, teve uma série de reuniões com ministros no Palácio do Planalto.
Haddad disse que apresentou uma proposta ao governo para ampliar o perímetro regulatório do Banco Central. A ideia é colocar a regulação e a fiscalização de fundos — hoje feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — nas mãos da autarquia. “Hoje, existe uma intersecção muito grande entre fundos, as finanças, e isso tem impacto até sobre a contabilidade pública”, disse o ministro.
Em Davos, a “Brazil House” vai receber vários eventos nos próximos dias, que incluem a participação do presidente da Vale (VALE3), Gustavo Pimenta, e do BTG, Roberto Sallouti. Ainda a prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) sai na quarta-feira (21) e a do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), na sexta (23).
No exterior, com o feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos nesta segunda-feira, não houve negócios com ações na NYSE, Nasdaq e no mercado de Treasuries (títulos da dívida estadunidense), o que reduziu a liquidez e direcionou as atenções para a abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. O evento começou hoje e tem previsto um recorde de 65 chefes de Estado, incluindo o presidente Donald Trump, e sem a presença do líder brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao longo da semana, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA do terceiro trimestre e o Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) de outubro e novembro saem na quinta-feira (22), com atraso devido ao shutdown (paralisação) da máquina do governo americano em setembro e outubro de 2025.
Em paralelo, as prévias dos índices de gerentes de compras (PMIs) composto, de serviços e industrial de janeiro dos EUA, Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido estão programadas na sexta-feira, além do Índice de Sentimento do Consumidor final de janeiro da Universidade de Michigan e a decisão de juros do BoJ. Entre os balanços do quarto trimestre de 2025, 3M e Netflix publicam na terça-feira (20), enquanto P&G e Intel, na quinta.
Esses e outros dados ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa.
*Com informações de Maria Regina Silva, Silvana Rocha e Luciana Xavier, Broadcast