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Aversão a risco define 2025: renda fixa lidera captação, apesar de ajuste sazonal intenso em dezembro

Com juros elevados, inflação persistente e incerteza fiscal, investidores priorizam liquidez e carrego do CDI, enquanto a Bolsa se sustenta com fluxo estrangeiro

Por Marco Saravalle

19/01/2026 | 14:35 Atualização: 19/01/2026 | 14:35

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Cenário de juros elevados e incerteza fiscal levou investidores a priorizarem renda fixa e liquidez em 2025, enquanto a Bolsa contou com apoio do capital estrangeiro. (Foto: Adobe Stock)
Cenário de juros elevados e incerteza fiscal levou investidores a priorizarem renda fixa e liquidez em 2025, enquanto a Bolsa contou com apoio do capital estrangeiro. (Foto: Adobe Stock)

O ano de 2025 se  encerra confirmando a tese de um mercado defensivo e pautado pela busca de liquidez. Em um cenário macroeconômico marcado por inflação persistente e manutenção de juros em patamares restritivos, a indústria de fundos brasileira viveu uma clara consolidação da preferência pela renda fixa, em detrimento dos ativos de risco.

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O movimento reflete a racionalidade do investidor local diante de um custo de oportunidade elevado, em que o prêmio para assumir risco em Bolsa ou em outras estratégias complexas mostrou-se pouco atrativo.

Segundo os dados consolidados pela Plataforma DataBay, o ano fechou com uma rotação de portfólio evidente. Os fundos de renda fixa acumularam uma captação líquida positiva de R$ 65,8 bilhões, isolando-se como a classe vencedora do ano. Em contrapartida, a indústria de multimercados sofreu uma retração severa, com saídas líquidas de R$ 61,8 bilhões, enquanto os fundos de ações registraram resgates de R$ 43,9 bilhões. O resultado anual expõe a dificuldade da gestão ativa em competir com o carrego do CDI em um ambiente de incerteza fiscal.

  • Veja também: Como viver de renda fixa em 2026: quanto investir, quais riscos considerar e como montar a carteira de investimentos

Ainda assim, a Bolsa resistiu relativamente bem à saída de recursos domésticos. Parte disso se explica pelo comportamento dos investidores estrangeiros, que voltaram a aportar capital de forma seletiva ao longo do período. Enquanto os não residentes sustentaram a ponta compradora, os institucionais domésticos, pressionados por resgates em seus fundos e pela necessidade de recompor liquidez, venderam posições de forma consistente.

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O contraste entre o investidor estrangeiro e o institucional doméstico foi o principal vetor da Bolsa no ano. Enquanto o primeiro se beneficiou de valuations (valores de ativo) mais atrativos e buscou diversificação geográfica, impulsionado pela política de afrouxamento monetário nos Estados Unidos — movimento que redirecionou capital para mercados emergentes, com o Brasil sendo apenas um dos destinos —, o segundo atuou de forma reativa, condicionado pelo comportamento dos cotistas e pela dinâmica de fluxos da própria indústria de fundos. Essa assimetria explicou a sustentação dos preços em diversos momentos, mas também adicionou fragilidade: o capital estrangeiro é mais volátil, e parte do fluxo pode ser revertida caso o ambiente global se deteriore.

  • Leia mais: “2026 ainda será o ano da renda fixa”, diz o presidente da Bolsa brasileira; entenda o motivo

No campo macroeconômico, o Banco Central encerra o ciclo mantendo a Selic em 15% ao ano, reforçando a leitura de que a desinflação de serviços segue incompleta e que não houve espaço para cortes expressivos no curto prazo. Com o ciclo de alta encerrado, o debate do mercado agora se volta para o timing do primeiro corte: 28 de janeiro, 18 de março ou 29 de abril. O consenso mais recente aponta para março, com possibilidade de antecipação caso a inflação surpreenda para baixo ou a atividade mostre desaceleração mais intensa.

O pano de fundo doméstico, no entanto, segue impondo limites ao otimismo. A combinação de política fiscal expansionista, inflação de serviços resiliente e juros reais elevados mantém a indústria de fundos em modo defensivo. Fundos de pensão e gestoras institucionais priorizam a recomposição de liquidez e o controle de risco de duration (prazo médio para recuperar o investimento realizado na compra do ativo), enquanto o investidor de varejo segue seletivo, concentrando alocações em ativos de renda fixa, aproveitando o carrego do CDI.

O resultado é um mercado que se equilibra entre forças opostas: o estrangeiro comprador, o institucional vendedor e a pessoa física atuando de forma oportunística. A liquidez vem de fora, mas a confiança doméstica ainda não retornou plenamente. Para o investidor profissional, o cenário para 2026 pede disciplina: capturar o carrego elevado, preservar liquidez e usar a volatilidade como oportunidade, sem antecipar um ciclo de valorização que ainda depende da reconquista da credibilidade fiscal e o restabelecimento da confiança institucional.

Colaboraram no artigo Guilherme Carter, economista e especialista em finanças, com carreira dedicada à análise de mercados e inovação em investimentos. Mestre pela FGV-EESP, é também professor de Finanças na FGV e coordenador dos programas de Finanças da FBNF. Carter é Managing Director da DataBay, fintech de inteligência de dados para o mercado de capitais, e presença constante em debates na mídia sobre economia e investimentos.

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