Juros altos e endividamento vão manter varejo sob pressão em 2026, aponta Fitch
Agência de classificação de risco projeta alavancagem de 1 vez para a C&A (CEAB3) e 2,5 vezes para o Grupo SBF (SBFG3); Assaí (ASAI3) e Grupo Mateus (GMAT3) devem enfrentar vendas fracas
No setor de vestuário, C&A (CEAB3) reduziu alavancagem, mas pode retomar crescimento gradual. (Imagem: Adobe Stock)
A Fitch Ratings avalia que 2026 continuará desafiador para o varejo brasileiro, apesar de uma breve recuperação no ano passado. Segundo a agência, a dinâmica do consumo deve permanecer volátil, pressionada por juros elevados por período prolongado, alto endividamento das famílias e inflação acumulada de cerca de 30% desde 2021, fatores que seguem limitando a capacidade de gasto.
A Fitch projeta intensificação da competição pela renda dos consumidores. No varejo alimentar, a expectativa é de perda de participação para categorias como vestuário, beleza e farmácias. Enquanto isso, o segmento farmacêutico deve manter bom ritmo, impulsionado pela maior acessibilidade de medicamentos para perda de peso, enquanto categorias discricionárias mais dependentes de crédito, como bens duráveis e vestuário, devem desacelerar.
“O mercado de trabalho resiliente e um aumento do salário mínimo acima da inflação, de 6,8% contra 4,3%, não devem compensar totalmente os ventos contrários”, afirmou a agência de classificação de risco.
Embora a isenção do Imposto de Renda possa aliviar os orçamentos domésticos, a Fitch afirma ter visibilidade limitada sobre se os consumidores irão poupar, reduzir dívidas ou gastar os recursos adicionais.
Raio-x das varejistas
A maioria dos varejistas, na avaliação da Fitch, iniciou o ano em posição mais sólida após dois anos de capex contido e racionalização de custos. No vestuário, C&A (CEAB3), Grupo SBF (SBFG3) e Guararapes (GUAR3) reduziram alavancagem e podem retomar crescimento gradual. A agência projeta alavancagem de 1 vez para a C&A, 2,5 vezes para o Grupo SBF e 2,6 vezes para a Guararapes em 2026.
No varejo alimentar, a Fitch espera que Assaí (ASAI3) e Grupo Mateus (GMAT3) sigam enfrentando vendas mesmas lojas fracas. Por outro lado, Smart Fit (SMFT3), Havan e Vivara (VIVA3) devem manter desempenho resiliente em 2026, apoiadas em modelos de negócios diferenciados.
A Fitch também alerta para riscos de refinanciamento acima da média em CBD, Pague Menos (PGMN3) e Nissei (NISS3).
“O CBD precisa apresentar um plano para lidar com R$ 1,5 bilhão em debêntures com vencimento entre abril e julho de 2026 para evitar um rebaixamento de rating”.
Por fim, a agência destaca que riscos de evento podem aumentar a volatilidade em 2026. A Copa do Mundo, as eleições e um calendário pesado de feriados podem reduzir o fluxo em shoppings e prejudicar o consumo discricionário, enquanto torneios de futebol devem beneficiar varejistas como Grupo SBF e Mercado Livre (MELI34).