Genial: Klabin (KLBN11) passa por ajuste no trimestre, mas melhora financeira ainda não aparece na ação
Após um terceiro trimestre muito forte, empresa entra em fase de acomodação no 4T25, enquanto avança na redução de dívidas, segundo a Genial Investimentos
Para a Genial, o quarto trimestre da Klabin marca uma acomodação operacional, enquanto a empresa avança na melhora da situação financeira. (Foto: Adobe Stock)
A Klabin (KLBN11) deve encerrar o quarto trimestre de 2025 com números mais fracos na comparação sequencial, mas com um pano de fundo estrutural mais positivo. Segundo a Genial Investimentos, o período marca uma normalização operacional após um 3T25 excepcionalmente forte, especialmente nos segmentos de papel e embalagens, ao mesmo tempo em que reforça uma trajetória de desalavancagem financeira, ainda pouco refletida no preço das ações.
Para a Genial, o viés do trimestre é de acomodação, com volumes menores, margens pressionadas no curto prazo e Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) em retração, mas sem deterioração relevante do quadro anual.
“A lógica do trimestre é praticamente o espelho do que vimos no 3T25: agora, papel e embalagens perdem fôlego, enquanto a celulose funciona como amortecedor”, avalia a casa.
Papel e embalagens: volumes recuam após pico sazonal
No segmento de kraftliner(tipo de papel cartão resistente), a Genial estima embarques de 157 mil toneladas, queda de 4% frente ao trimestre anterior, mas alta expressiva de 14,5% em relação ao 4T24.
A leitura é de que a retração sequencial não indica enfraquecimento estrutural da demanda, mas sim um ajuste após exportações atipicamente fortes no terceiro trimestre.
Segundo os analistas, a Klabin segue priorizando a diversificação geográfica, com maior presença em mercados como China, Índiae Equador. Essa estratégia, embora pressione preços médios, sustenta volumes elevados na base anual.
O preço realizado do kraftliner deve ficar em R$ 3.789 por tonelada, queda marginal de 0,8% no trimestre. A Genial destaca que “a mudança no mix para destinos com menor tíquete médio não implica deterioração de retorno, dado o ganho de escala e a compensação via custos logísticos.”
No paperboard(material de embalagem rígido e resistente), a sazonalidade também pesa. Os embarques devem somar 206 mil toneladas, recuo de 2,8% no trimestre, mas leve crescimento anual.
O ambiente segue competitivo, com consumo doméstico ainda fraco e aumento da concorrência de importados asiáticos, especialmente da China.
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Ainda assim, os preços devem permanecer praticamente estáveis, em R$ 5.643 por tonelada, sustentados por contratos e reajustes indexados à inflação.
Já em caixas de papelão ondulado, a estimativa é de vendas de 242 mil toneladas, queda de 3,2% no trimestre, mas alta de 3,5% em um ano.
A Genial explica que o segmento continua resiliente graças ao perfil defensivo do portfólio, com forte exposição a exportações de proteínas e frutas. O preço médio, porém, deve ceder para R$ 6.390 por tonelada, refletindo piora de mix após um trimestre anterior muito favorável.
No caso de sacos industriais, a retração é mais acentuada. As vendas devem cair para 38 mil toneladas, recuo de 7,7% no trimestre e 4% em um ano. A explicação está no fim do pico de demanda da construção civil, além dos impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que reduziram exportações.
“A gestão de estoques ajudou a suavizar o choque nos trimestres anteriores, mas esse efeito perde força agora”, afirma a Genial.
Celulose: estabilidade em volumes, preços em direções opostas
Na divisão de celulose, o cenário é mais equilibrado. Apesar de paradas programadas nas fábricas de Ortigueira (PR) e Correia Pinto (SC), os embarques de BHKP (celulose de fibra curta) devem permanecer praticamente estáveis, em 293 mil toneladas.
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O preço realizado, por sua vez, deve subir para R$ 2.955 por tonelada, alta de 2,8% no trimestre, refletindo repasses ao fim do ano e melhora parcial da curva de preços na China.
Em contrapartida, a BSKP e a celulose fluff(material macio e leve) devem registrar queda tanto em volumes quanto em preços. As vendas são estimadas em 103 mil toneladas, com preço médio de R$ 5.157 por tonelada, recuo de 5,4% no trimestre, pressionado por fatores sazonais e menor spread entre fibras.
Na avaliação da Genial, o avanço de preços da BHKP “praticamente compensa” a fraqueza da BSKP, resultando em um Ebtida da divisão de celulose relativamente estável na comparação trimestral.
Caixa, desalavancagem e tese de investimento
O fluxo de caixa livre deve ser praticamente neutro no trimestre, em torno de R$ 70 milhões, pressionado por um Capex (dinheiro investido na aquisição, melhoria ou manutenção de um ativo físico) elevado, de cerca de R$ 1,1 bilhão.
Ainda assim, a Genial chama atenção para os movimentos estratégicos de desalavancagem.
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A conclusão do Plateau Project e a monetização de ativos florestais via SPVs (entidade legal criada pela empresa com um objetivo financeiro específico) devem gerar mais de R$ 1,5 bilhão em entradas de caixa no 4T25, reduzindo a relação dívida líquida/EBITDA para cerca de 3x ao fim do ano.
“A empresa entra em uma fase de Capex mais suave, com prioridade clara para desalavancagem”, afirma o relatório.
Apesar disso, a Genial avalia que o mercado continua tratando a Klabin como uma aposta puramente ligada ao câmbio e ao ciclo da celulose, ignorando a melhora microeconômica do negócio. Para a casa, o desconto parece excessivo: as ações acumulam queda de cerca de 12% no ano, movimento considerado “difícil de justificar” diante da melhora estrutural.
Por isso, a Genial reitera recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 23,50 para os próximos 12 meses, o que implica potencial de valorização de 22% frente às cotações atuais.