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Educação Financeira

Dólar em queda, mas volátil: como comprar moeda para viajar e gastar menos no exterior em 2026

Com câmbio instável e incertezas globais, educadores financeiros defendem compra gradual de dólares, diversificação de meios de pagamento e foco em previsibilidade para viajar ao exterior em 2026

Por Isabela Ortiz

28/01/2026 | 12:45 Atualização: 28/01/2026 | 14:47

Câmbio volátil influencia desde a compra de passagens até os gastos no destino. (Foto: Adobe Stock)
Câmbio volátil influencia desde a compra de passagens até os gastos no destino. (Foto: Adobe Stock)

O dólar oscila entre estabilidade e recuo nesta quarta-feira (28), variando entre R$ 5,18 e R$ 5,20, depois de fechar no menor patamar desde 2024. Especialistas em educação financeira reforçam que, para quem pretende viajar ao exterior, o mais importante não é tentar prever o melhor momento do câmbio, mas adotar estratégias para reduzir riscos, ganhar previsibilidade e preservar o poder de compra ao longo de 2026.

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Para quem já tem viagem internacional marcada, ou está começando a planejar, mais importante do que tentar “acertar o melhor câmbio” é reduzir a exposição à volatilidade e ganhar previsibilidade nos gastos. Em um cenário de dólar instável e incertezas macroeconômicas, o planejamento financeiro passa a ser o principal aliado do turista.

Patrick Santos, doutor em Economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios, destaca que a principal preocupação não deve ser “prever” o preço do dólar, mas se proteger do risco de liquidez e da volatilidade.

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Com o dólar comercial ao redor de R$ 5,20 no início de 2026, segundo ele, a estratégia de “esperar para ver” pode ser perigosa para o fluxo de caixa do viajante. A recomendação é fracionar as compras semanais até a data do embarque, construindo um preço médio ao longo do tempo.

“Se a moeda cair, você aproveita; se subir, você já garantiu uma parte a um custo menor. O câmbio do momento só deve ser aceito para o montante que não foi provisionado antes”, afirma.

Nesse contexto, a educadora financeira Daiane Alves, da fintech Neon, ressalta que a principal preocupação do viajante deve ser o impacto direto do câmbio no orçamento total da viagem.

“Comprar dólares de forma antecipada pode ser uma estratégia interessante, especialmente para quem consegue acompanhar o mercado e aproveitar momentos mais favoráveis”, afirma.

Segundo ela, monitorar as taxas e planejar a compra com antecedência ajuda a reduzir a exposição à volatilidade e traz mais previsibilidade aos gastos.

Saiba escolher como vai pagar

Um dos primeiros pontos de atenção é a escolha do meio de pagamento. Clay Gonçalves, planejadora financeira CFP pela Planejar, explica que tanto o cartão de crédito quanto os cartões pré-pagos ou contas globais embutem custos. “Em ambos há cobrança de IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] de 3,5% mais o spread [diferença entre o preço de compra e venda] do banco”, afirma.

  • IOF descomplicado: o que é, como funciona e como afeta o seu dinheiro

A diferença está no momento da incidência dessas taxas: no cartão pré-pago, elas são cobradas no momento da compra ou conversão da moeda; no cartão de crédito, no ato da transação, com o câmbio do dia.

Segundo Gonçalves, essa diferença não é trivial, porque o pré-pago permite comprar moeda aos poucos e fazer um preço médio, aproveitando as oscilações naturais do câmbio, algo que se perde no crédito tradicional.

Compre o dólar aos poucos

Esse raciocínio leva à principal recomendação para quem vai viajar, comprar dólar gradualmente. Com a viagem já marcada, a estratégia mais eficiente é adquirir a moeda estrangeira em parcelas ao longo dos meses anteriores, sempre que houver disponibilidade de recursos.

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Dessa forma, o viajante dilui o risco de comprar tudo em um dia de câmbio elevado e constrói uma média mais equilibrada.

Além disso, Gonçalves alerta que o cartão de crédito tende a deixar o consumidor mais permissivo com gastos, o que pode gerar surpresas desagradáveis na fatura após as férias.

“Quando o valor já está separado em um cartão pré-pago, não há fatura depois, e o controle tende a ser maior”, explica.

De forma mais ampla, Daiane Alves, educadora financeira da Neon, observa que a economia global passa por um processo gradual de recuperação, o que pode tornar alguns destinos mais acessíveis ao longo do tempo. Ainda assim, ela pondera que o planejamento continua sendo essencial.

Antes de decidir viajar, o turista deve observar não apenas o comportamento do câmbio, mas também os preços de passagens e hospedagem, o custo de vida no destino e até questões de segurança local. Planejar com antecedência, segundo ela, segue sendo a melhor forma de evitar surpresas e ajustar expectativas.

Administre o risco antes de focar na moeda

Diego Endrigo, também planejador financeiro CFP pela Planejar, reforça que o foco não deve ser prever o dólar, mas administrar o risco. Para ele, a maior armadilha é a tentativa de acertar o “momento ideal” de compra.

“O dólar pode oscilar bastante em curtos períodos, e tentar prever o ponto exato geralmente gera mais ansiedade do que resultado”, afirma.

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Ainda assim, há formas de se proteger:

  • Diversificar tanto o momento da compra; e
  • Diversificar nos meios de pagamento.

Essa dupla ajuda a evitar concentração de risco em um único câmbio ou instrumento.

Na avaliação de Endrigo, 2026 pode até trazer oportunidades melhores para quem planeja viagens internacionais, mas isso não significa necessariamente um dólar barato. O cenário segue dependente de fatores como política fiscal brasileira, ambiente político e decisões de juros nos Estados Unidos.

Por isso, ele sugere que o turista acompanhe alguns indicadores-chave, como a tendência do dólar (mais do que o valor pontual), o diferencial de juros entre Brasil e EUA, a inflação internacional (que afeta o custo real da viagem) e o custo específico do destino.

“Às vezes o câmbio não melhora, mas o país fica mais barato em termos de hospedagem e serviços”, destaca.

Tem cartão global e quer usar? Saiba o que dizem os experts

As contas globais oferecem praticidade, menor spread em comparação ao cartão de crédito tradicional e maior controle via aplicativo. O cartão internacional atrelado a essas contas é vantajoso desde que o turista esteja atento ao IOF e à variação cambial.

Mas não abandone suas notas. O papel-moeda segue relevante, mesmo que em pequena quantidade.

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A recomendação recorrente é levar entre 10% e 15% do orçamento em espécie, para emergências, gorjetas ou situações em que meios digitais não funcionem.

Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, amplia essa lógica ao afirmar que a principal preocupação deve ser a preservação do poder de compra. Para ele, deixar a compra de moeda para a última hora pode sair caro em um ambiente de câmbio volátil.

“Comprar dólar aos poucos, fazendo preço médio, e usar contas globais que permitam conversões fracionadas reduz o risco de pegar o pico da cotação”, explica.

Murad acrescenta que, para perfis mais disciplinados, stablecoins como USDT ou USDC podem funcionar como instrumento temporário de proteção, permitindo travar valor antes da conversão final, de forma legal e eficiente.

O que esperar de 2026 sendo amante de viagens

Sobre 2026, Murad avalia que o ano tende a ser de transição no ciclo global de juros, o que pode enfraquecer o dólar frente a outras moedas. Isso abre espaço para viagens mais acessíveis fora do eixo tradicional EUA-Europa. Ainda assim, ele recomenda atenção a três fatores centrais:

  • Trajetória dos juros nos Estados Unidos;
  • Inflação no Brasil;
  • Estabilidade política e fiscal doméstica.

Quem acompanha indicadores como o Dólar Index (DXY) e entende esses ciclos, segundo o economista, sai na frente no planejamento.

Viajar em um cenário de câmbio desafiador não significa abrir mão da experiência, mas adaptar a estratégia. Viajar para o exterior é uma experiência única e, muitas vezes, a realização de um sonho, mas o planejamento financeiro segue sendo fundamental.

Escolher destinos onde a moeda esteja mais desvalorizada em relação ao real, ajustar a duração da viagem, definir um orçamento claro e priorizar experiências em vez de compras excessivas são estratégias que ajudam a equilibrar custos sem perder qualidade. Buscar informação e, se necessário, orientação especializada também pode fazer diferença.

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O planejador Diego Endrigo deixa uma dica valiosa, de que “viajar bem não é gastar mais, é gastar melhor”. Com planejamento, diversificação e controle, o câmbio deixa de ser um inimigo imprevisível e passa a ser apenas mais uma variável administrável da viagem.

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