Diferente de setores como a educação, a redução da jornada exigiria a contratação imediata de novos funcionários para manter a mesma capacidade de atendimento, já que a lei não permite a redução de salários. Estima-se que, para uma redução de 44 para 40 horas semanais, as empresas precisariam aumentar seu quadro de pessoal em cerca de 10%.
Na avaliação dos analistas Samuel Alves e Maria Resende, a análise financeira aponta um impacto negativo no Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, da sigla em inglês) das empresas do setor entre 3% e 3,5%. Companhias como Rede D’Or, Hapvida, Fleury, Dasa e Mater Dei seriam afetadas de forma semelhante.
O relatório ressalva, porém, que o impacto final dependerá de possíveis medidas compensatórias do governo, como desoneração da folha de pagamento ou isenções fiscais, além do possível repasse de custos para os preços dos serviços.
Embora a reforma represente um desafio operacional e financeiro, o BTG mantém a Rede D’Or como sua principal recomendação no setor. A avaliação é que a mudança afetaria todos os concorrentes de forma equilibrada, sem alterar a vantagem competitiva da empresa, que segue beneficiada por seu crescimento robusto e potencial de fusões e aquisições. O grupo Fleury também é citado como uma opção atrativa devido ao seu rendimento de caixa.
Atualmente, existem três propostas principais no Congresso: uma que implementa o modelo 4×3 (36 horas semanais) sem transição, outra que reduz a carga para 36 horas gradualmente em dez anos, e uma terceira que prevê a redução imediata para 40 horas, chegando a 36 horas após quatro anos. O debate ganhou força com o apoio do governo federal e o clima de ano eleitoral.