2027 pode ser “um ano espetacular”, com juros em um dígito, diz Mansueto Almeida, do BTG
Economista-chefe do BTG Pactual diz que é possível reabertura da janela de IPOs no País, devido ao excelente desempenho do Ibovespa e o fluxo de investimento estrangeiro
Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, possui expectativas positivas na economia brasileira para 2027. (Imagem: Adobe Stock)
O sócio e economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, avaliou há pouco que o ano de 2027 pode ser “um ano espetacular” para a economia brasileira, a depender dos desdobramentos políticos e da concretização de um ajuste fiscal que devolva confiança ao mercado financeiro.
Nesse sentido, ele lembrou de sua participação no governo de Michel Temer, em 2016, quando o anúncio de um forte ajuste fiscal levou à queda nas expectativas de inflação e nas taxas de juro de longo prazo.
“Qualquer governo, se fizer ajuste, pode experimentar o mesmo fenômeno visto no governo Temer, com queda rápida nas expectativas de inflação. 2027 pode ser espetacular, com juros em um dígito e economia com crescimento forte. Mas também pode ser um ano difícil, se a Selic voltar a subir”, detalhou ele, durante participação no BTG Summit 2026, nesta quarta-feira.
Nesse cenário mais pessimista, Mansueto lembrou, principalmente, do atual nível de endividamento das famílias e empresas, que podem ser ainda mais penalizados com uma nova rodada de alta na Selic.
“Significa que se nós não fizemos ajuste fiscal, e o juro seguir alto, pode ter problema de inadimplência. Ninguém está falando de corte draconiano de despesa; não é cortar R$ 100 bilhões ou R$ 200 bilhões. Estamos falando de controlar, depois de quatro anos com muito gasto”, destacou.
Entre os pontos de possível otimismo para os próximos anos, Mansueto também fez menção a uma possível reabertura da janela de IPOs (oferta pública de ações, pela sigla em inglês) no País, dado o excelente momento da bolsa brasileira e o aumento do fluxo de investimento estrangeiro.
“O Brasil está bem. Podemos ser surpreendidos com uma janela de IPO com a bolsa nesse nível. E de empresas grandes, talvez até da área de saneamento”, disse ele.
Ao comentar o atual cenário econômico do País, Mansueto reconheceu que há uma série de bons indicadores, como as sucessivas surpresas positivas com o PIB, a taxa de desemprego baixa e a própria valorização da bolsa brasileira. Ele ressaltou, porém, que esse movimento positivo reflete, em maior parte, a incerteza com os Estados Unidos.
“Mesmo que seja em volume muito pequeno que deixa de entrar nos EUA, é muito forte para América Latina e Brasil”.