O Mercado Pago é a instituição financeira do Mercado Livre. Foto: Divulgação/Mercado Pago
O Mercado Pago anunciou nesta terça-feira (3) uma campanha promocional que aumenta a rentabilidade do “cofrinho” para clientes Meli+, programa de fidelidade do grupo Mercado Livre com assinaturas a partir de R$ 9,90 por mês. A oferta valerá de 3 de março a 3 de abril, quando a ferramenta terá retorno de 140% do CDI – acima do patamar atual de 120% do CDI – para valores de até R$ 10 mil por CPF. Acima desse patamar, o rendimento corresponde a 100% do CDI.
Os usuários do plano Meli+ só precisam acessar o “cofrinho” e ativar a opção de turbinar o rendimento, dentro do aplicativo do banco digital. Já os novos clientes que se tornarem assinantes do programa começarão automaticamente com o produto ativado, rendendo 140% do CDI, sem a necessidade de intervenção manual no app.
Em entrevista ao E-Investidor, Ignácio Estivariz, vice-presidente do Mercado Pago, explicou que a rentabilidade mais alta terá validade apenas pelo período da campanha. “Sempre avaliamos novos produtos e condições, mas essa oferta inicialmente ficará restrita ao período de um mês”, disse.
Ignácio Estivariz, vice-presidente do Mercado Pago. Foto: Divulgação/Mercado Pago
Para usuários que não são assinantes do Meli+, as condições do “cofrinho” continuam iguais. A ferramenta tem um rendimento padrão de 100% do CDI. Os clientes pessoa física que trazem a partir de R$ 1 mil para a conta no Mercado Pago contam com condição especial e têm acesso a rendimentos de 115% do CDI, com limite de até R$ 5 mil. Acima desse valor, o rendimento passa a ser de 100% do CDI em todo o restante do depósito.
Já os “cofrinhos” para pessoas jurídicas, lançados em setembro de 2025, rendem 115% do CDI até R$ 10 mil e 100% do CDI para valores entre R$ 10 e R$ 100 mil.
Os valores reservados no “cofrinho” do Mercado Pago são investidos no Tesouro Selic. Os rendimentos são gerados todos os dias úteis, exceto fins de semana e feriados. A ferramenta oferece liquidez imediata e não cobra Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ou taxas administrativas, incidindo apenas o Imposto de Renda (IR) sobre os ganhos.
Por ter recursos alocados no Tesouro Selic, o “cofrinho” não possui a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas conta com uma proteção superior: o risco soberano, já que os títulos públicos são garantidos pelo governo federal.
A disputa dos “cofrinhos”
Um estudo do Google, divulgado em fevereiro, mostrou que as buscas por termos relacionados a “cofrinhos” e “caixinhas” cresceram 297% nos últimos dois anos. Diferentes instituições oferecem esse tipo de ferramenta atualmente. Os nomes variam em cada banco, assim como o tipo de investimento em que os recursos são alocados, sejam Certificados de Depósito Bancário (CDBs), fundos de renda fixa ou títulos públicos.
As instituições têm disputado em rentabilidade prometida. Em abril de 2025, o Nubank anunciou que sua “Caixinha Turbo” passaria a render 120% do CDI para clientes Nubank+ e Ultravioleta, com limite de R$ 10 mil. Posteriormente, o Mercado Pago também informou que seus “cofrinhos” passariam a render 120% do CDI para assinantes Meli+.
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A corrida pela “caixinhas” não se limita às fintechs. Bancos tradicionais, como Itaú e Banco do Brasil, já oferecem as suas próprias versões da modalidade. “Os produtos que lançamos fazem com que outros players também tenham que se adaptar, o que considero saudável e fortalece o sistema financeiro no Brasil como um todo”, comenta Estivariz.
O vice-presidente do Mercado Pago explica que os “cofrinhos” têm forte apelo por serem opções simplificadas e com liquidez diária, que podem abrir as portas para outras modalidades de investimento mais sofisticadas.
O que sustenta um rendimento de 140% do CDI?
Nos últimos meses, as preocupações com investimentos que oferecem retornos elevados ganharam força entre os investidores, especialmente após os episódios de liquidação envolvendo Banco Master, Will Bank e Banco Pleno, instituições que adotavam estratégias agressivas de captação. Para contornar dúvidas sobre segurança, Estivariz destaca que os “cofrinhos” do Mercado Pago seguem uma lógica diferente.
Segundo ele, a taxa de 140% do CDI oferecida faz parte de uma campanha com prazo determinado, com começo e fim. Além disso, os títulos públicos, onde os recursos estão investidos, são considerados a modalidade mais segura do País. “O terceiro ponto de segurança é o tamanho e a estrutura do grupo Mercado Livre”, acrescenta.
Estivariz ressalta que os planos para 2026 incluem a ampliação da prateleira de produtos financeiros e o aprimoramento da assistente pessoal com inteligência artificial (IA) da fintech. Recentemente, a instituição passou a disponibilizar o score de crédito de seus usuários, de forma integrada a essa assistente, que oferece orientações para o cliente melhorar a nota.
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Dados de 2025 mostram que o índice de principalidade do Mercado Pago aumentou 11 pontos percentuais nos últimos 12 meses. Esse indicador mede quantos clientes usam o banco como sua principal conta financeira, ou seja, para receber dinheiro, pagar contas, fazer transferências e guardar recursos no dia a dia.
No Brasil, a principalidade já alcança 25% da base de clientes, o que significa que um em cada quatro usuários utiliza o Mercado Pago como sua conta financeira principal. Para o futuro, a instituição tem metas ambiciosas. “Queremos nos tornar a maior instituição financeira da América Latina”, afirma Estivariz.