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Investimentos

Carteiras recomendadas de março: bancos e corretoras apostam em seletividade após rali de 17% do Ibovespa

Com múltiplos próximos da média histórica e forte entrada de capital estrangeiro, casas priorizam empresas com geração de caixa previsível, dividendos e gatilhos específicos; veja as ações indicadas

Por Isabela Ortiz

04/03/2026 | 7:58 Atualização: 04/03/2026 | 7:58

Carteiras recomendadas de março: bancos e corretoras apostam em seletividade após rali de 17% do Ibovespa (Foto: Adobe Stock)
Carteiras recomendadas de março: bancos e corretoras apostam em seletividade após rali de 17% do Ibovespa (Foto: Adobe Stock)

Em março, as carteiras recomendadas de ações divulgadas por bancos, corretoras e casas de análise revelam que o investidor precisa ser seletivo. Depois de um início de ano marcado por forte valorização do mercado brasileiro, as instituições reconhecem que parte relevante das boas notícias já está nos preços. Mas ainda enxergam oportunidades pontuais, sobretudo em empresas com geração de caixa previsível, gatilhos específicos e valuation (valor do ativo) relativamente atrativo.

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O pano de fundo é consensual. O time do BTG Pactual destaca que “o dinheiro continua vindo”: apenas em fevereiro, os estrangeiros aportaram R$ 15,3 bilhões na bolsa brasileira, acumulando R$ 41,6 bilhões no ano. Esse fluxo ajudou o Ibovespa a subir 17,2% em reais no acumulado de 2026 até fevereiro. A leitura, no entanto, é cautelosa. Com o múltiplo preço/lucro de 12 meses à frente já próximo da média histórica, “há muito precificado nos níveis atuais”.

A Empiricus Research faz diagnóstico semelhante. Após um janeiro excepcional, fevereiro trouxe “movimento de maior congestão [ou seja, uma pausa técnica] depois da forte alta anterior”. O relatório pondera que isso não significa reversão estrutural, mas “desaceleração do impulso comprador”. Ainda assim, a casa enfatiza que a entrada de capital estrangeiro segue robusta e que o mercado brasileiro continua atrativo, embora “o caminho não será linear”.

Já a Planner Corretora reconhece que “a arrancada do Ibovespa deixou muitos papéis bem precificados no momento”. Para a corretora, a continuidade do apetite dependerá da qualidade dos balanços do 4T25 e dos desdobramentos geopolíticos, especialmente após a escalada de tensões no Oriente Médio. Em fevereiro, sua carteira superou o índice, com alta de 7,9% contra 4,1% do Ibovespa, movimento que levou à realização de lucros em alguns nomes mais valorizados.

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A Terra Investimentos também reforça a disciplina na construção do portfólio. A carteira mensal é definida após reunião entre analistas para traçar o cenário macro e microeconômico. “Só podemos fazer as alterações na carteira uma vez ao mês”, ressalta o material.

Bancos: qualidade, mas com ajustes táticos

No setor financeiro, as casas convergem na preferência por grandes bancos, mas com ajustes de peso.

O BTG Pactual mantém o Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) como sua top pick entre os grandes bancos. Mesmo com alta de 20% no ano e negociando a 9,5 vezes o lucro estimado para 2026, o banco é descrito como “muito bem-posicionado para proteger a lucratividade em um ambiente mais volátil”, sem abrir mão de acelerar crescimento caso o cenário melhore.

O banco também manteve exposição relevante ao Nubank (ROXO34), mas reduziu seu peso após resultados considerados relativamente fracos no 4T25. Ainda assim, vê o papel negociando a cerca de 18,5 vezes o lucro projetado para 2026, patamar considerado atraente diante do potencial de crescimento.

Na Planner Corretora, o Itaú Unibanco também permanece na carteira, com destaque para o lucro líquido de R$ 46,8 bilhões em 2025 e retorno sobre patrimônio de 23,4%. A corretora enfatiza “gestão eficiente de crédito, transformação digital e forte geração de caixa”, além de política de dividendos diferenciada.

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A Terra Investimentos, por sua vez, promoveu troca relevante: saiu Banco do Brasil (BBAS3) e entrou Bradesco (BBDC4). A justificativa é que o Bradesco apresenta sinais de normalização da inadimplência e negocia a múltiplos descontados frente à média histórica, o que pode abrir espaço para reprecificação.

Energia e utilities: previsibilidade e dividendos

O setor elétrico aparece como pilar nas diferentes carteiras. O BTG Pactual elevou o peso de Axia Energia (AXIA3) para 15%, aumentando a exposição a serviços básicos para 25%. A decisão foi sustentada por preços de energia ainda elevados e pela atratividade da companhia após a reestruturação.

Na Terra Investimentos, Axia também entrou na carteira. O relatório ressalta a transformação pós-privatização, com foco em eficiência e disciplina de capital, além de potencial de geração de valor com governança aprimorada.

Já a Planner Corretora mantém ENGIE Brasil Energia (ENGIE3), destacando sua liderança em energia renovável, estratégia de comercialização e histórico consistente de dividendos. Em 2025, a companhia entregou receita líquida de R$ 12,9 bilhões e os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 7,6 bilhões.

Commodities: proteção em cenário volátil

O conflito no Irã levou o BTG Pactual a manter exposição a petróleo e ouro, por meio de Prio (PRIO3) e Aura Minerals (AURA32). Embora ambas já tenham apresentado forte desempenho no ano, o banco vê sentido estratégico em preservar hedge contra volatilidade geopolítica.

A Terra Investimentos também mantém Prio, ressaltando sua disciplina financeira, expansão de produção e geração de caixa robusta.

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No minério, Vale (VALE3) aparece na carteira da Terra, com valuation considerado descontado e potencial de valorização atrelado à recuperação dos preços do minério de ferro. A empresa segue com estrutura financeira saudável e previsão de proventos atrativos.

Consumo, saúde e shoppings: apostas seletivas

No consumo e serviços, o BTG Pactual manteve Allos (ALOS3), enquanto a Terra Investimentos mantém Multiplan (MULT3), ressaltando taxa de ocupação elevada, inadimplência controlada e potencial de valorização em cenário de queda de juros.

Na saúde, a Terra aposta em Fleury (FLRY3), destacando marca forte, expansão regional e investimentos em digitalização. A Planner Corretora, por sua vez, realizou lucro em Odontoprev (ODPV3) após forte desempenho, embora reconheça qualidade dos resultados e robustez financeira.

Estratégias de renda e disciplina tática

Enquanto as carteiras de ações buscam equilíbrio entre risco e retorno, a Empiricus Research reforça, em sua Carteira Renda Extra, a importância de combinar geração recorrente de proventos com potencial de valorização. A estratégia reúne renda fixa, fundos imobiliários e ações, com foco em previsibilidade e superação do certificado de depósito interbancário (CDI) no longo prazo.

Em março, a casa realizou ganhos em Direcional Engenharia (DIRR3) e redirecionou a alocação para Cyrela (CYRE3), justificando maior sensibilidade ao ciclo de queda de juros e ponto de entrada mais atrativo sob a ótica de valuation.

O que o investidor deve observar

Ao costurar as recomendações, fica claro que março exige disciplina. As casas reconhecem que os múltiplos voltaram à média histórica e que parte do rali foi sustentada por fluxo estrangeiro, movimento que pode se inverter rapidamente. Ao mesmo tempo, enxergam potencial adicional em setores domésticos ainda descontados, small caps e empresas com gatilhos operacionais claros.

A melhor escolha, portanto, dependerá do perfil do investidor. Quem busca proteção pode priorizar utilities, energia e seguradoras. Quem aceita maior volatilidade pode encontrar assimetria em bancos em recuperação, commodities e consumo doméstico.

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Em um mercado que já subiu forte, não basta estar comprado, é preciso estar bem posicionado.

Carteiras recomendadas para março

Ágora Investimentos

Para o mês de fevereiro de 2026, a casa optou por não realizar alterações na composição do portfólio.

Ações
Allos (ALOS3)
Axia (AXIA6)
BTG Pactual (BPAC11)
Cyrela (CYRE3)
Itaú (ITUB4)
Petrobras (PETR4)
Sabesp (SBSP3)
Suzano (SUZB3)
Vale (VALE3)
Vibra Energia (VBBR3)

Terra Investimentos

Para março, o Terra realizou 3 trocas. Excluiu as ações do Banco do Brasil (BBAS3), Fleury (FLRY3) e Multiplan (MULT3), e as substituiu por Bradesco (BBDC4), Axia (AXIA3) e Porto Seguro (PSSA3).

Ações
Klabin (KLBN11)
Localiza (RENT3)
Vale (VALE3)
Prio (PRIO3)
Lojas Renner (LREN3)
Hypera (HYPE3)
Bradesco (BBDC4)
Axia (AXIA3)
Porto Seguro (PSSA3)
Marcopolo (POMO4)

Planner

A Planner retirou 6 empresas da carteira: BB Seguridade (BBSE3), Direcional Engenharia (DIRR3), Mahle Metal Leve (LEVE3), Odontoprev (ODPV3), Vivara (VIVA3) e WEG S.A. (WEGE3). E incluiu: Azzas 2154 (AZZA3), Motiva (MOTV3), Petro Recôncavo (RECV3), Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Wiz Co (WIZC3).

Ações
Azzas 2154 (AZZA3)
Motiva (MOTV3)
Sabesp (SBSP3)
Itaú Unibanco (ITUB4)
Petro Recôncavo (RECV3)
Porto (PSSA3)
Totvs (TOTS3)
Engie Brasil Energia (EGIE3)
Vulcabras (VULC3)
Wiz Co (WIZC3)

 

Andbank

A carteira recomendada do Andbank de março atingiu um potencial de valorização de 8,78%.

Ações
Axia Energia (AXIA6)
BB Seguridade (BBSE3)
Bradesco (BBDC4)
Copel (CPLE3)
Embraer (EMBRJ3)
Itaú (ITUB4)
Itaúsa (ITSA4)
Rede D’Or (RDOR3)
Telefônica Brasil (VIVT3)
Vale (VALE3)

BTG Pactual

Para este mês, o banco retirou as ações da Raia Drogasil (RADL3) e as substituiu pela Motiva (MOTV3).

Ações
Nubank (ROXO34)
Itaú Unibanco (ITUB4)
Stone (STOC34)
Axia Energia (AXIA3)
Prio (PRIO3)
Localiza (RENT3)
Motiva (MOTV3)
Eneva (ENEV3)
Aura (AURA33)
Allos (ALOS3)

Empiricus Research

Para março, a casa substitui a Direcional (DIRR3) pela Cyrela (CYRE3).

Ações
Porto (PSSA3)
Nubank (ROXO34)
Itaú (ITUB4)
Nubank (ROXO34)
Equatorial (EQTL3)
Multiplan (MULT3)
Localiza (RENT3)
Cosan (CSAN3)
Rede D’Or (RDOR3)
Prio (PRIO3)
Cyrela (CYRE3)
SmartFit (SMFT3)

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