O pano de fundo é consensual. O time do BTG Pactual destaca que “o dinheiro continua vindo”: apenas em fevereiro, os estrangeiros aportaram R$ 15,3 bilhões na bolsa brasileira, acumulando R$ 41,6 bilhões no ano. Esse fluxo ajudou o Ibovespa a subir 17,2% em reais no acumulado de 2026 até fevereiro. A leitura, no entanto, é cautelosa. Com o múltiplo preço/lucro de 12 meses à frente já próximo da média histórica, “há muito precificado nos níveis atuais”.
A Empiricus Research faz diagnóstico semelhante. Após um janeiro excepcional, fevereiro trouxe “movimento de maior congestão [ou seja, uma pausa técnica] depois da forte alta anterior”. O relatório pondera que isso não significa reversão estrutural, mas “desaceleração do impulso comprador”. Ainda assim, a casa enfatiza que a entrada de capital estrangeiro segue robusta e que o mercado brasileiro continua atrativo, embora “o caminho não será linear”.
Já a Planner Corretora reconhece que “a arrancada do Ibovespa deixou muitos papéis bem precificados no momento”. Para a corretora, a continuidade do apetite dependerá da qualidade dos balanços do 4T25 e dos desdobramentos geopolíticos, especialmente após a escalada de tensões no Oriente Médio. Em fevereiro, sua carteira superou o índice, com alta de 7,9% contra 4,1% do Ibovespa, movimento que levou à realização de lucros em alguns nomes mais valorizados.
A Terra Investimentos também reforça a disciplina na construção do portfólio. A carteira mensal é definida após reunião entre analistas para traçar o cenário macro e microeconômico. “Só podemos fazer as alterações na carteira uma vez ao mês”, ressalta o material.
Bancos: qualidade, mas com ajustes táticos
No setor financeiro, as casas convergem na preferência por grandes bancos, mas com ajustes de peso.
O BTG Pactual mantém o Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) como sua top pick entre os grandes bancos. Mesmo com alta de 20% no ano e negociando a 9,5 vezes o lucro estimado para 2026, o banco é descrito como “muito bem-posicionado para proteger a lucratividade em um ambiente mais volátil”, sem abrir mão de acelerar crescimento caso o cenário melhore.
O banco também manteve exposição relevante ao Nubank (ROXO34), mas reduziu seu peso após resultados considerados relativamente fracos no 4T25. Ainda assim, vê o papel negociando a cerca de 18,5 vezes o lucro projetado para 2026, patamar considerado atraente diante do potencial de crescimento.
Na Planner Corretora, o Itaú Unibanco também permanece na carteira, com destaque para o lucro líquido de R$ 46,8 bilhões em 2025 e retorno sobre patrimônio de 23,4%. A corretora enfatiza “gestão eficiente de crédito, transformação digital e forte geração de caixa”, além de política de dividendos diferenciada.
A Terra Investimentos, por sua vez, promoveu troca relevante: saiu Banco do Brasil (BBAS3) e entrou Bradesco (BBDC4). A justificativa é que o Bradesco apresenta sinais de normalização da inadimplência e negocia a múltiplos descontados frente à média histórica, o que pode abrir espaço para reprecificação.
Energia e utilities: previsibilidade e dividendos
O setor elétrico aparece como pilar nas diferentes carteiras. O BTG Pactual elevou o peso de Axia Energia (AXIA3) para 15%, aumentando a exposição a serviços básicos para 25%. A decisão foi sustentada por preços de energia ainda elevados e pela atratividade da companhia após a reestruturação.
Na Terra Investimentos, Axia também entrou na carteira. O relatório ressalta a transformação pós-privatização, com foco em eficiência e disciplina de capital, além de potencial de geração de valor com governança aprimorada.
Já a Planner Corretora mantém ENGIE Brasil Energia (ENGIE3), destacando sua liderança em energia renovável, estratégia de comercialização e histórico consistente de dividendos. Em 2025, a companhia entregou receita líquida de R$ 12,9 bilhões e os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 7,6 bilhões.
Commodities: proteção em cenário volátil
O conflito no Irã levou o BTG Pactual a manter exposição a petróleo e ouro, por meio de Prio (PRIO3) e Aura Minerals (AURA32). Embora ambas já tenham apresentado forte desempenho no ano, o banco vê sentido estratégico em preservar hedge contra volatilidade geopolítica.
A Terra Investimentos também mantém Prio, ressaltando sua disciplina financeira, expansão de produção e geração de caixa robusta.
No minério, Vale (VALE3) aparece na carteira da Terra, com valuation considerado descontado e potencial de valorização atrelado à recuperação dos preços do minério de ferro. A empresa segue com estrutura financeira saudável e previsão de proventos atrativos.
Consumo, saúde e shoppings: apostas seletivas
No consumo e serviços, o BTG Pactual manteve Allos (ALOS3), enquanto a Terra Investimentos mantém Multiplan (MULT3), ressaltando taxa de ocupação elevada, inadimplência controlada e potencial de valorização em cenário de queda de juros.
Na saúde, a Terra aposta em Fleury (FLRY3), destacando marca forte, expansão regional e investimentos em digitalização. A Planner Corretora, por sua vez, realizou lucro em Odontoprev (ODPV3) após forte desempenho, embora reconheça qualidade dos resultados e robustez financeira.
Estratégias de renda e disciplina tática
Enquanto as carteiras de ações buscam equilíbrio entre risco e retorno, a Empiricus Research reforça, em sua Carteira Renda Extra, a importância de combinar geração recorrente de proventos com potencial de valorização. A estratégia reúne renda fixa, fundos imobiliários e ações, com foco em previsibilidade e superação do certificado de depósito interbancário (CDI) no longo prazo.
Em março, a casa realizou ganhos em Direcional Engenharia (DIRR3) e redirecionou a alocação para Cyrela (CYRE3), justificando maior sensibilidade ao ciclo de queda de juros e ponto de entrada mais atrativo sob a ótica de valuation.
O que o investidor deve observar
Ao costurar as recomendações, fica claro que março exige disciplina. As casas reconhecem que os múltiplos voltaram à média histórica e que parte do rali foi sustentada por fluxo estrangeiro, movimento que pode se inverter rapidamente. Ao mesmo tempo, enxergam potencial adicional em setores domésticos ainda descontados, small caps e empresas com gatilhos operacionais claros.
A melhor escolha, portanto, dependerá do perfil do investidor. Quem busca proteção pode priorizar utilities, energia e seguradoras. Quem aceita maior volatilidade pode encontrar assimetria em bancos em recuperação, commodities e consumo doméstico.
Em um mercado que já subiu forte, não basta estar comprado, é preciso estar bem posicionado.
Carteiras recomendadas para março
Ágora Investimentos
Para o mês de fevereiro de 2026, a casa optou por não realizar alterações na composição do portfólio.
| Ações |
| Allos (ALOS3) |
| Axia (AXIA6) |
| BTG Pactual (BPAC11) |
| Cyrela (CYRE3) |
| Itaú (ITUB4) |
| Petrobras (PETR4) |
| Sabesp (SBSP3) |
| Suzano (SUZB3) |
| Vale (VALE3) |
| Vibra Energia (VBBR3) |
Terra Investimentos
Para março, o Terra realizou 3 trocas. Excluiu as ações do Banco do Brasil (BBAS3), Fleury (FLRY3) e Multiplan (MULT3), e as substituiu por Bradesco (BBDC4), Axia (AXIA3) e Porto Seguro (PSSA3).
| Ações |
| Klabin (KLBN11) |
| Localiza (RENT3) |
| Vale (VALE3) |
| Prio (PRIO3) |
| Lojas Renner (LREN3) |
| Hypera (HYPE3) |
| Bradesco (BBDC4) |
| Axia (AXIA3) |
| Porto Seguro (PSSA3) |
| Marcopolo (POMO4) |
Planner
A Planner retirou 6 empresas da carteira: BB Seguridade (BBSE3), Direcional Engenharia (DIRR3), Mahle Metal Leve (LEVE3), Odontoprev (ODPV3), Vivara (VIVA3) e WEG S.A. (WEGE3). E incluiu: Azzas 2154 (AZZA3), Motiva (MOTV3), Petro Recôncavo (RECV3), Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Wiz Co (WIZC3).
| Ações |
| Azzas 2154 (AZZA3) |
| Motiva (MOTV3) |
| Sabesp (SBSP3) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| Petro Recôncavo (RECV3) |
| Porto (PSSA3) |
| Totvs (TOTS3) |
| Engie Brasil Energia (EGIE3) |
| Vulcabras (VULC3) |
| Wiz Co (WIZC3) |
Andbank
A carteira recomendada do Andbank de março atingiu um potencial de valorização de 8,78%.
| Ações |
| Axia Energia (AXIA6) |
| BB Seguridade (BBSE3) |
| Bradesco (BBDC4) |
| Copel (CPLE3) |
| Embraer (EMBRJ3) |
| Itaú (ITUB4) |
| Itaúsa (ITSA4) |
| Rede D’Or (RDOR3) |
| Telefônica Brasil (VIVT3) |
| Vale (VALE3) |
BTG Pactual
Para este mês, o banco retirou as ações da Raia Drogasil (RADL3) e as substituiu pela Motiva (MOTV3).
| Ações |
| Nubank (ROXO34) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| Stone (STOC34) |
| Axia Energia (AXIA3) |
| Prio (PRIO3) |
| Localiza (RENT3) |
| Motiva (MOTV3) |
| Eneva (ENEV3) |
| Aura (AURA33) |
| Allos (ALOS3) |
Empiricus Research
Para março, a casa substitui a Direcional (DIRR3) pela Cyrela (CYRE3).
| Ações |
| Porto (PSSA3) |
| Nubank (ROXO34) |
| Itaú (ITUB4) |
| Nubank (ROXO34) |
| Equatorial (EQTL3) |
| Multiplan (MULT3) |
| Localiza (RENT3) |
| Cosan (CSAN3) |
| Rede D’Or (RDOR3) |
| Prio (PRIO3) |
| Cyrela (CYRE3) |
| SmartFit (SMFT3) |