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Mercado

Ibovespa hoje destoa de NY e fecha em queda com tombo do petróleo e pressão da Petrobras; dólar recua abaixo de R$ 5

Mesmo com trégua no Oriente Médio e reabertura de Ormuz, forte queda do petróleo derruba ações da Petrobras e pesa no índice

Por Isabela Ortiz e  Ana Ayub 

17/04/2026 | 4:30 Atualização: 17/04/2026 | 18:20

Investidores monitoram tensões geopolíticas e oscilações do petróleo, enquanto o Ibovespa tenta se estabilizar após sequência de quedas. (Imagem: Adobe Stock)
Investidores monitoram tensões geopolíticas e oscilações do petróleo, enquanto o Ibovespa tenta se estabilizar após sequência de quedas. (Imagem: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje acompanhou um cenário em que negociações sobre a guerra tomaram fôlego com reabertura do Estreito de Ormuz, em um dia de agenda esvaziada de indicadores. Ao final da sessão, o índice caiu 0,55% e alcançou os 195.733,51 pontos. O dólar cedeu 0,19%, aos R$ 4,9833.

Leia mais:
  • Ibovespa hoje: ações da Petrobras (PETR3;PETR4) sobem forte em dia de alta do petróleo
  • Vale (VALE3): produção de minério de ferro no 1T26 tem alta de 3% na comparação anual
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O giro financeiro foi aos R$ 44,7 bilhões nesta sexta-feira, reforçado pelo vencimento de opções sobre ações. Na semana, o Ibovespa recuou 0,81%, interrompendo sequência de três ganhos nas anteriores, com destaque para a alta de quase 5% no intervalo de segunda a sexta-feira passada. No mês, o Ibovespa sobe 4,41%, colocando o ganho do ano a 21,48%.

A queda do petróleo hoje pressionou os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4), que travaram o Ibovespa. Além do cenário externo, o mercado também reagiu aos números de produção da Vale (VALE3). Na sessão, os tickers da petroleira caíram 5,05% e 4,80%, respectivamente. Os da mineradora subiam 1,51%.

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O recuo do petróleo refletiu a retomada de negociações entre Estados Unidos e Irã após Israel e Líbano terem chegado a um acordo de trégua de 10 dias. O presidente dos EUA, Donald Trump, falou em “dia histórico para o Líbano” e afirmou que a guerra com o Irã “deve acabar muito em breve”.

As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta sexta-feira, com a liberação do Estreito de Ormuz alimentando esperanças de que o conflito no Oriente Médio pode estar próximo do fim. O  Dow Jones fechou em alta de 1,79%, aos 49.447,43 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 1,20%, aos 7.126,06 pontos, e o Nasdaq ganhou 1,52%, aos 24.468,48 pontos. Na semana, os índices registraram ganhos de 3,2%, 4,5% e 6,8%, respectivamente.

A redução do risco geopolítico com o aumento das expectativas em torno de um acordo para pôr um fim à guerra no Oriente Médio, diante do anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, levou a uma queda global da moeda americana nesta sexta-feira, 17. Por aqui, o dólar chegou a esboçar o rompimento do piso de R$ 4,95 pela manhã, com mínima de R$ 4,9508, mas reduziu bastante o ritmo de baixa ao longo da tarde, até fechar fechar a R$ 4,98.

A moeda americana encerra a semana com recuo de 0,56% no mercado local, o que leva as perdas em abril para 3,77%, após avanço de 0,87% em março. No ano, o dólar cai 9,21% frente ao real, que ainda exibe os maiores ganhos entre as divisas mais líquidas, incluindo fortes e emergentes.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu a princípio bem ao anúncio da abertura do Estreito de Ormuz durante o período restante do cessar-fogo entre Líbano e Israel, em publicação na Truth Social. Na postagem, ele chamou a importante rota marítima de “Estreito do Irã”, após sinalizar em ocasiões anteriores que o local poderia ser controlado por Washington. “O Irã acaba de anunciar que o Estreito do Irã está totalmente aberto e pronto para a navegação. Obrigado!”, escreveu.

A movimentação de navios pelo Estreito de Ormuz já vinha aumentando gradualmente antes mesmo de o Irã anunciar a reabertura total da importante rota comercial – por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial -, de acordo com o serviço de rastreamento de navios Kpler. No entanto, poucas horas após a reabertura do Estreito de Ormuz, o governo do Irã deu sinais de que pode rever a decisão diante da afirmação de Trump de que manterá o bloqueio naval. O anúncio veio pela agência semiestatal Fars. Segundo uma autoridade iraniana, a decisão do presidente americano é uma forma de chantagem.

Os mercados monitoraram discursos de três autoridades do Federal Reserve (Fed), enquanto, no campo doméstico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede coletiva de imprensa em Washington, onde o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa das Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Já o presidente Lula (PT) cumpriu agenda na Espanha.

No exterior,

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O Irã, por sua vez, saudou a trégua entre Israel e Líbano e classificou a medida como parte de um entendimento mais amplo com Washington para pausar o conflito no Oriente Médio. Ainda assim, não há data definida para a retomada das conversas entre EUA e Irã.

Estreito de Ormuz aberto

A passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz foi “completamente aberta” durante o período restante do cessar-fogo em vigor no Líbano, anunciou no X o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. De acordo com ele, a medida segue a rota previamente coordenada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica.

A reabertura ocorre em meio a esforços diplomáticos para ampliar a trégua na região, após um cessar-fogo de 10 dias anunciado pelos Estados Unidos e aceito por Líbano e Israel. A pausa nos combates entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, tem sido vista como um sinal de possível avanço nas negociações mais amplas envolvendo Irã, EUA e aliados.

O Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela relevante do petróleo global, tornou-se um dos principais pontos de impasse nas tratativas. A retomada do fluxo comercial era uma demanda central da comunidade internacional diante do agravamento da crise energética. Mediadores também buscam consenso sobre o programa nuclear iraniano e compensações por danos da guerra.

Apesar do avanço, permanecem incertezas sobre um acordo duradouro antes do fim da trégua na próxima semana. Israel indicou que não pretende retirar suas tropas, enquanto o Hezbollah defende que qualquer cessar-fogo seja abrangente em todo o território libanês.

O que influenciou o Ibovespa hoje?

No campo político, em recado a Trump, o presidente Lula afirmou em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel que a geopolítica não funciona quando o poder militar, econômico e tecnológico de um país é utilizado para dominar as relações internacionais. Segundo ele, o “multilateralismo” é a melhor forma de manter a paz.

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Lula também disse que o Brasil buscará novos parceiros comerciais caso os Estados Unidos não queiram negociar com o país, além de destacar o esforço para reconstruir a indústria de fertilizantes e reduzir a dependência externa. No âmbito econômico, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elevou a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026 de 1,8% para 2,0%.

Nos mercados

E nos mercados, o petróleo fechou em queda, devolvendo parte dos ganhos recentes diante do otimismo com um possível acordo de paz.

O petróleo WTI para maio fechou em queda de 9,41% (US$ 8,58), a US$ 82,59 o barril. Já o Brent para junho cedeu 9,06% (US$ 9,01, a US$ 90,38 o barril. Na semana, o WTI despencou 14,5% e o Brent cedeu 5,06%.

As bolsas na Europa também fecharam em alta. Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,73%, a 10.667,63 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 2,25%, a 24.698,94 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 1,97%, a 8.425,13 pontos.

Já os rendimentos dos Treasuries recuaram levemente após duas sessões de alta, com investidores avaliando o cenário geopolítico e acompanhando discursos de dirigentes do Fed. A T-note de 2 anos caiu a 3,698%, a de 10 anos a 4,222% e o T-bond de 30 anos a 4,880%.

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No câmbio, a cotação do dólar diminuiu frente a moedas fortes, refletindo as incertezas sobre a retomada das negociações entre EUA e Irã. O índice DXY caiu 0,11%, a 98.098 pontos.

Fonte: Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet

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