Por volta das 10h30 (de Brasília), o Brent para junho recuava 9,70%, a US$ 89,80, enquanto o WTI caía 10,50%, a US$ 84,62. A reação também foi vista em outros mercados, com as Bolsas subindo — apesar de a queda da Petrobras, na esteira do recuo do petróleo, limitar o bom desempenho do Ibovespa — e o dólar caindo.
Em publicação nas redes sociais, o chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que a passagem está liberada para todas as embarcações comerciais, desde que sigam uma “rota coordenada” definida pelas autoridades marítimas do país.
A sinalização foi bem recebida pelo governo americano. Donald Trump agradeceu publicamente ao Irã pela reabertura do estreito, um dos principais corredores logísticos do petróleo global. A medida representa uma mudança relevante em relação aos últimos dias, quando a rota operava praticamente fechada, com apenas um número reduzido de navios conseguindo atravessar a região.
O cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano segue sendo respeitado nesta sexta-feira. A trégua, embora localizada, passou a ser interpretada como um passo relevante para destravar negociações mais amplas envolvendo Irã e EUA.
A pausa nos combates atende a uma demanda central de Teerã nas negociações indiretas com Washington, especialmente no que diz respeito ao conflito com o Hezbollah. Com isso, o mercado começa a precificar não apenas a redução do risco imediato, mas a possibilidade de avanço diplomático mais amplo.
O próprio Trump reforçou esse tom ao afirmar que a guerra “deve acabar muito em breve”, enquanto o Irã classificou a trégua como parte de um entendimento mais abrangente para interromper o conflito regional.
Negociações no radar e prêmio de risco em ajuste
A perspectiva de uma nova rodada de negociações entre os EUA e o Irã segue no radar, ainda sem data definida, mas suficiente para reancorar expectativas. Analistas destacam que, apesar de as interrupções globais de oferta ainda somarem cerca de 13 milhões de barris por dia, segundo o Commerzbank, o mercado já passou a reagir mais à probabilidade de normalização do que ao risco de escalada.
Esse reposicionamento ajuda a explicar o movimento recente. O Brent, que chegou a operar acima de US$ 100 nos momentos mais agudos da crise, já é negociado cerca de US$ 20 abaixo dos níveis do fim de março.
Ao mesmo tempo, mediadores internacionais intensificam esforços para destravar pontos críticos das negociações, como a reabertura do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e compensações por danos de guerra, três eixos que seguem no centro da formação de preços da commodity.
Petrobras e petroleiras limitam alta maior do Ibovespa
O Ibovespa abriu a sessão com alta de 0,91%, de volta aos 198,6 mil pontos. A melhora no apetite global fez o índice zerar a queda semanal e voltar a se aproximar dos 200 mil pontos. O Ibovespa futuro também dava esses sinais: às 09h55, logo antes da abertura, o indicador bateu inéditos 203 mil pontos.
Aos poucos, no entanto, o índice foi perdendo força graças ao movimento das petroleiras. Dos 83 papéis que compõem a carteira teórica do Ibovespa, apenas 11 tinham queda no início da manhã – boa parte deles, as empresas ligadas a petróleo e exportação.
Às 11h15, a Prio (PRIO3), maior queda, caía 7,19% graças ao recuo do brent. As ações da Petrobras não ficaram muito atrás: a PETR4 cai 6,13%, enquanto a PETR3 cede 6,41%. Somados, os dois papéis da estatal representam 12% da composição do Ibovespa.
O peso da queda do petróleo acabou se sobressaindo ao otimismo global com a liberação de Ormuz. Às 11h40, na mínima do dia, o Ibovespa tinha queda 0,28%, aos 196.259,04 pontos.
Essa é uma dinâmica que já vem acontecendo. As petroleiras, sobretudo a Petrobras, são as grandes responsáveis pela alta de mais de 22% no ano que fizeram o Ibovespa se aproximar dos 200 mil pontos. Agora, no entanto, estão sendo a “trava” para que a marca histórica realmente aconteça.
Em dias negativos no exterior, com piora na incerteza geopolítica ou impasse nas negociações de cessar-fogo, o petróleo sobe e essas ações ajudam a limitar as perdas do IBOV. No entanto, em dias positivos, como poderia ser esta sexta-feira, a queda do petróleo pressiona os papéis e impedem uma valorização maior do índice. Contamos sobre isso aqui.
Dólar cai a R$ 4,95
A queda do petróleo ajudou a aliviar o câmbio, fazendo o dólar à vista tocar os R$ 4,95 pela primeira vez em mais de dois anos logo no início da manhã, quando a reabertura de Ormuz foi noticiada. Às 11h40, a moeda americana tinha queda de 0,45% contra o real, a R$ 4,970.
“O movimento é sustentado pelo fluxo externo positivo para mercados emergentes, incluindo o Brasil. Apesar de ainda moderado, o ingresso de capital estrangeiro contribui para a valorização do real, em um contexto de diferencial de juros elevado”, destaca Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.
Não é um movimento exclusivo para o Brasil: o DXY, que mede a performance do dólar contra outras seis divisas fortes, caía 0,5% de volta a casa dos 97 pontos. O indicador não alcançava este patamar desde o início de fevereiro, antes da guerra começar.
*Com informações da Broadcast