O Banco Central (BC) anunciou há pouco que vai realizar nesta sexta-feira, 13, uma intervenção dupla no mercado de câmbio com uma operação conhecida como “casadão”.
Publicidade
O Banco Central (BC) anunciou há pouco que vai realizar nesta sexta-feira, 13, uma intervenção dupla no mercado de câmbio com uma operação conhecida como “casadão”.
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Trata-se da oferta simultânea de dólares à vista e de contratos de swaps cambiais reversos (que equivalem a compra de dólar futuro) – ambas com valor de até US$ 1 bilhão.
Analistas ouvidos pela Broadcast afirmam que o BC provavelmente busca mitigar uma pressão de alta no cupom cambial (que reflete o juro em dólar no Brasil) de curto prazo provocada pela diminuição de liquidez no segmento spot que abrange basicamente operações na bolsa de mercadorias, com pagamentos e entregas efetuados na hora.
Operadores afirmam que o aumento da aversão ao risco no exterior com a guerra no Oriente Médio diminuiu o fluxo de recursos para o Brasil.
Publicidade
Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Faça seu cadastro na Ágora Investimentos
O sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein, explica que o “casadão” é uma operação que não afeta diretamente a taxa de câmbio, uma vez que não altera a exposição cambial do mercado.
“Mas ambas as operações geram pressão baixista sobre o cupom cambial”, afirma o economista, lembrando que um cupom mais baixo encarece as operações de hedge cambial e favorece o carry trade.
O fluxo cambial na primeira semana de março (último dado disponível) foi negativo em US$ 3,9 bilhões, com saídas líquidas de US$ 6,8 bilhões pelo canal financeiro.
Em fevereiro, o fluxo foi positivo em US$ 5,429 bilhões, com aportes líquidos de US$ 2,906 bilhões pelo canal financeiro.
No ano, o fluxo total ainda é positivo em US$ 6,599 bilhões. O dólar à vista avança 2,11% em março, após queda de 2,16% no mês passado.
Um experiente gestor de recursos, que pede anonimato, observa que o “casadão” tem impacto direto no cupom cambial, sem alterar diretamente o nível do dólar em relação ao real.
“Dificilmente o BC faria essa operação se o cupom não estivesse pressionado. Além da questão geopolítica, eventos de crédito podem estar reduzindo o ‘funding’ global”, afirma.
Publicidade
Invista em informação
As notícias mais importantes sobre mercado, investimentos e finanças pessoais direto no seu navegador