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Mais do que indicar retorno, o spread também funciona como um termômetro de risco percebido pelo mercado. Em tese, um título que paga NTN-B + 1% deveria ser menos arriscado do que outro que oferece NTN-B + 2%.
Na prática, porém, essa relação nem sempre é direta.
“O problema é que essa percepção de risco […] é mascarada também por fatores técnicos como oferta e demanda”, aponta o relatório.
Por isso, o investidor não deve olhar o nível de spread de forma isolada. A análise precisa incorporar fundamentos das empresas, retorno total esperado e o ambiente macroeconômico.
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Um exemplo ajuda a ilustrar essa distorção. Em 2023, os spreads médios de debêntures incentivadas estavam mais altos do que hoje — assim como a capacidade de pagamento das empresas. Ainda assim, uma sequência de pedidos de recuperação judicial de grandes companhias derrubou rapidamente a demanda por esses papéis, levando o mercado a um comportamento descrito como “quase irracional”.
Segundo o Bradesco, a volatilidade recente foi impulsionada por uma combinação de fatores técnicos e de fluxo:
Apesar desse vai e vem, o banco destaca que, em muitos casos, o risco das empresas pouco mudou — o que ajuda a explicar por que surgem oportunidades.
Na prática, há momentos em que os spreads se abrem ou se fecham não por uma mudança real no risco de crédito, mas por distorções de mercado.
Quando investidores vendem papéis rapidamente — seja por percepção de risco ou necessidade de ajuste de carteira — os preços caem e os spreads sobem, elevando o retorno potencial sem que a qualidade do emissor tenha piorado na mesma proporção.
O movimento inverso também acontece: fechamentos excessivos podem indicar compressão de prêmio incompatível com o risco.
Para o Bradesco, o ganho está justamente na desconexão entre preço e fundamento. Fatores técnicos como oferta, demanda e regulação podem “mascarar” o risco real, criando janelas em que ativos passam a oferecer prêmios acima do que seria justificável.
Investidores capazes de separar ruído de deterioração efetiva de crédito tendem a encontrar melhores pontos de entrada.
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Ainda assim, o banco recomenda cautela. Disciplina na seleção de ativos e foco em empresas com bons fundamentos seguem essenciais para capturar retornos acima do CDI sem assumir riscos desnecessários.
No curto prazo, a volatilidade deve continuar pressionando os preços. No médio, porém, o cenário pode favorecer quem tiver paciência para atravessar o ruído.
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